sábado, 21 de novembro de 2009

A Educação é a maior (e única) arma


“Ô tia, bom mesmo foi a pena que o juiz me deu. Lá a gente tem que cuidar de jardim, limpar as salas, mas tem lanche e joga bola. Muito melhor do que essa porcaria de aula, que não serve pra porra nenhuma”.

A frase acima é de autoria de um menino de 16 anos, aluno da oitava série do ensino fundamental numa escola da periferia de Itabuna e foi dita em voz alta, para a professora e para quem mais quisesse ouvir.

O aluno, detido pela polícia por cometer pequenos furtos, referia-se às chamadas medidas socioeducativas, impostas pela Justiça, em ocorrências que dispensam o internamento em instituições que, muitas vezes, funcionam mais como escolas do crime, espécie de pré-vestibular para a bandidagem.

As medidas socioeducativas permitem que, mantido no convívio com a família e acompanhando por uma equipe multidisciplinar que inclui educadores, assistentes sociais e psicólogos, o menor que cometeu ato infracional possa ser ressocializado.

Na maioria dos casos dá certo, contribuindo para que meninos e meninos revertam o caminho inevitável do crime e levem uma vida digna.

Em outros, nem tanto.

A sensação do aluno que acha a medida socioeducativa é um piquenique e entende que estudar é perda de tempo, encontra ressonância e muitas outras escolas, onde é tênue e facilmente o muro frágil que separa a educação da criminalidade..

Não são raros os casos de alunos flagrados com armas e drogas nas salas de aula ou mesmo ameaçando agredir fisicamente os professores.

Quem é profissional de educação conhece, perfeitamente, essa dura e ameaçadora realidade.

A Vara da Infância e da Juventude de Itabuna realizou recentemente um mutirão para agilizar 67 processos envolvendo casos de ameaça ou de violência envolvendo alunos e professores.

Nesta semana, por exemplo, três alunas de uma escola de ensino médio em Itabuna foram portando uma faca. Uma das alunas disse, candidamente, que a arma era para defesa contra rivais e que o trio estava sendo ameaçado de morte.

Seria suficiente para desanimar, jogar a toalha e achar que as coisas não têm mesmo jeito?

Que estudar é uma porcaria que não serve para nada?
Ao contrário, situações como essas devem servir de estímulo para que os profissionais envolvidos com a educação e a sociedade como um todo encarem o desafio de fazer da escola uma porta de acesso para a cidadania e a inclusão.

Não á tarefa fácil, envolve políticas públicas, força de vontade e mobilização.

Mas, é a principal, senão a única, arma para evitar que meninos e meninas troquem a caneta pelo revólver e o livro pela droga.

3 comentários:

Liz Dantas disse...

Olá amigo
Amei esse seu artigo,você fechou com uma imensa verdade"A Educação é a maior(e única) arma"
Abraços

Jabs Barros disse...

Parabéns pelo texto! Muito bom mesmo. Vou divulgar em meu twitter. Abraço!

JOSELITO PEDAGOGO disse...

Amigo jornalista, trabalho com crianças e adolescentes aqui em Ilhéus e sei como é duro essa realidade. Mas é preciso que a luta dos profissionais da educação não seja apenas por um bom salario, e sim por uma educação de qualidade. Tenho travdo um luta dificil aqui, é muito dificil encontrar professores comprometidos com as cuasas das violencias escolares. Mas quando você escreve materia como essa comtribui e muito para fazer acontecer uma educação voltada para o social e não apenas para passar de ano