sábado, 28 de novembro de 2009

Em nome de Deus, parem!


O padre José Carlos Lima dedicou boa parte de sua vida a um trabalho edificante: recuperar e ressocializar adolescentes que cometeram ato infracional.

Através da Fundação Reconto, semente plantada em Canavieiras e que frutificou em unidades em Ilhéus, Itabuna, Eunápolis, Porto Seguro e Teixeira de Freitas; permitiu que centenas de adolescentes deixassem de ser encaminhados para instituições em Salvador, que em vez de recuperar, funcionavam quase como escolas do crime.

A aplicação das chamadas medidas socioeducativas, determinadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, tiveram no padre José Carlos um entusiasta incansável, a ponto da experiência da Fundação Reconto ser levada a outras regiões do Estado.

São inúmeros os casos de adolescentes que, atendidos pela Fundação Reconto, voltaram aos estudos, aprenderam uma profissão e hoje estão inseridos no convívio social.

O padre José Carlos Lima era também um religioso querido pelos fiéis das paróquias por onde passou: Itabuna, Potiraguá, Canavieiras e Buerarema, onde estava atualmente.

Uma pessoa alegre, com um jeito especial de pregar a palavra de Deus. Um ser humano solidário, na sua fé e no seu compromisso social com as pessoas mais humildes.

Padre José Carlos tinha uma vida inteira pela frente.

Tinha.

Numa manhã de sol de sexta-feira igual a tantas outras sextas-feiras, o destino do padre José Carlos bateu de frente com um caminhão.

Vamos eximir aqui o destino de qualquer culpa.

O carro que o padre José Carlos dirigia bateu de frente com um caminhão que transportava madeira, num trecho da rodovia BR 101 entre Itabuna e Buerarema.

A violência do choque foi tamanha que o caminhão tombou.

O padre morreu na hora.

Mais uma vítima, entre as tantas vítimas diárias, de um trânsito violento, que mata mais do que a mais sangrenta das guerras.

Com a pista em ótimas condições, tudo leva a crer que o acidente foi provocado pela imprudência.

Uma imprudência que mata e espalha feridos aos borbotões, muitos deles incapacitados para sempre.

É inadmissível que, a despeito de tantas vítimas, as pessoas não se conscientizem de que o carro não é uma arma letal, que é preciso dirigir com prudência, respeitando as leis de trânsito e evitando riscos que, em muitos casos, se tornam fatais.

A vida, esse dom precioso e nem sempre valorizado, não pode nem deve esvair-se dessa maneira, gerando dor e tristeza entre familiares e amigos.

Em nome de Deus, parem!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mais um título de (in)glória


Não bastasse a confirmação do tricampeonato brasileiro de incidência de dengue, Itabuna acaba de conquistar mais um título que nada tem de glorioso, muito pelo contrário, constitui-se numa vergonha.

O Ministério da Justiça e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública acabam de divulgar um relatório que revela o índice de exposição dos jovens à violência.

O estudo foi realizado em 266 cidades brasileiras com população acima de 100 mil habitantes e, a partir de um Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, leva em conta cinco indicadores: homicídios, acidentes de trânsito, emprego ou frequência na escola, pobreza e desigualdade.

Itabuna, cidade que inicia os preparativos para festejar em 2010 seus 100 anos de emancipação, dona de uma história de superação e empreendedorismo, aparece em primeiro lugar no Brasil entre as cidades em que os jovens estão mais expostos à violência.

Itabuna está no topo da lista com 0.577 de Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, à frente de cidades como Marabá, Foz do Iguaçú, Camaçari, Governador Valadares e Cabo de Santo Agostinho.

O índice de homicídios em Itabuna entre os jovens é de 0.637, o de desemprego de 0.456, o de acidentes de trânsito é 0.567, o de pobreza ou frequência escolar é de 0.551, e o de desigualdade é de 0.678.

Não se deve brigar com números, ainda que eles possam ser vistos sob a ótica e o interesse de cada um, nem se pode ignorar a gravidade da situação em que se encontra a juventude itabunense.

Para isso, nem é preciso recorrer à estatística.

Trata-se de uma realidade visível, na violência gerada pelo consumo e tráfico de drogas, na explosão da criminalidade, na ausência de emprego e na falta de acesso a um ensino público de qualidade; em todos os casos, o jovem aparecendo como ator principal.

E, lamentavelmente, como a principal vítima.

Basta uma passada pelas páginas polícias dos jornais, pelas imagens dos casos de violência exibidos na televisão.

É o jovem, em sua maioria, quem aparece cometendo crimes, sendo assassinado, envolvido em acidentes de trânsito ou padecendo com a falta de emprego, até ser empurrado para a criminalidade.

Não é o caso de se caçar bruxas, buscar culpados, fazer exploração política de uma tragédia cuja responsabilidade é de todos, do poder público à sociedade organizada.

É o caso, a exemplo de outras tragédias como e iminente epedemia de dengue que se avizinha, de se promover uma ampla mobilização, de iniciar um trabalho que só trará resultados a médio e longo prazos, mas que precisa ser feito com urgência.

Sempre se disse, em tom de ufanismo, que a juventude é o futuro de uma nação, como é o futuro de uma cidade.

Está na hora, portanto, de definir que tipo de futuro nós queremos para Itabuna.

Uma cidade que deixa a sua juventude exposta à violência a à exclusão social é uma cidade sem futuro.

BOLA DE CRISTAL


Penúltima rodada do Campeonato Brasileiro.

Bola de cristal à mão: em Goiânia, o São Paulo perde do Goiás; em Campinas, o Flamengo empata com o Corinthians; em Recife, o Internacional ganha do Sport; e em São Paulo, o Palmeiras ganha do Atlético Mineiro.

Nenhum dos resultados chegaria a ser assim tão surpreendente ainda majs num campeonato marcado por altos e baixos.

Com essas quatro combinações, São Paulo, Flamengo, Palmeiras e Inter chegariam à última rodada com 62 pontos ganhos.

Os quatro brigando por um título que pode mudar de mãos num detalhe.

Querem mais emoção do que isso?

E ainda há quem condene a fórmula dos pontos corridos, dizendo que falta justamente emoção.

Ou, para não deixar muito explícito, que no final o São Paulo sempre fica com o título, o que não deixa de ter lá o seu fundo de verdade.

Mas, nessa sua versão 2009, independente de quem levante a taça daqui a duas semanas, sobra emoção para várias torcidas, inclusive as daqueles times que ficaram pelo meio do caminho, como Atlético e Cruzeiro, que talvez pela inexistência de mar em Minas, morreram antes de chegarem à praia.

Dos quatro que disputam o título, o único que depende apenas das próprias forças é o São Paulo, que será campeão se fizer o dever de casa e vencer o Goiás e o Sport. A derrota para o Botafogo entra na cota da gordura que ainda tinha para queimar. Acabou.

O Flamengo, time da mais impressionante reação do Brasileiro (sem contar o Fluminense, mas este luta para não cair para a série B), teve a faca, o queijo, a boca e sua formidável torcida para virar a semana na liderança, mas ficou no 0x0 diante de um Maracanã lotado, que foi da euforia à decepção.

O Inter é o time que vai do céu ao inferno de uma rodada a outra. Quando parece que vai embalar, perde feio; quando dá impressão de estar morto, ressurge. Numa dessas, o título lhe cai no colo.

O Palmeiras foi o time que, umas oito rodadas atrás, tinha o título nas mãos e deixou escorregar. Era a taça mais fácil de sua vida, que agora só vem por um milagre, coisa que no futebol não é tão raro assim. Mas, dos quatro postulantes, é o que anda com os nervos em frangalhos, o que pesa numa reta final.

A emoção rodada a rodada, a oscilação freqüente no grupo dos que freqüentam as primeiras colocações e a luta de sangue pelo rebaixamento mostram o acerto do sistema de pontos corridos, onde ganha o título o time de maior regularidade.

Ah, a próxima roda também pode definir o São Paulo como hepta/tetra campeão brasileiro, desde que o tricolor ganhe e os demais rivais não vençam.

Difícil, mas se ocorrer, o problema não está necessariamente na fórmula, mas na incapacidade dos rivais em disputar um campeonato longo e que exige elenco e planejamento.

Aí, é mandar o São Paulo, com sua frieza de boxeador letal, disputar o Campeonato Alemão.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

TROCADILHO DE PESCADOR




-E aí, companheira Dilma, tá pescando muitos votos?

-Sei não, companheiro Lula, vou precisar muito da sua vara...

sábado, 21 de novembro de 2009

A Educação é a maior (e única) arma


“Ô tia, bom mesmo foi a pena que o juiz me deu. Lá a gente tem que cuidar de jardim, limpar as salas, mas tem lanche e joga bola. Muito melhor do que essa porcaria de aula, que não serve pra porra nenhuma”.

A frase acima é de autoria de um menino de 16 anos, aluno da oitava série do ensino fundamental numa escola da periferia de Itabuna e foi dita em voz alta, para a professora e para quem mais quisesse ouvir.

O aluno, detido pela polícia por cometer pequenos furtos, referia-se às chamadas medidas socioeducativas, impostas pela Justiça, em ocorrências que dispensam o internamento em instituições que, muitas vezes, funcionam mais como escolas do crime, espécie de pré-vestibular para a bandidagem.

As medidas socioeducativas permitem que, mantido no convívio com a família e acompanhando por uma equipe multidisciplinar que inclui educadores, assistentes sociais e psicólogos, o menor que cometeu ato infracional possa ser ressocializado.

Na maioria dos casos dá certo, contribuindo para que meninos e meninos revertam o caminho inevitável do crime e levem uma vida digna.

Em outros, nem tanto.

A sensação do aluno que acha a medida socioeducativa é um piquenique e entende que estudar é perda de tempo, encontra ressonância e muitas outras escolas, onde é tênue e facilmente o muro frágil que separa a educação da criminalidade..

Não são raros os casos de alunos flagrados com armas e drogas nas salas de aula ou mesmo ameaçando agredir fisicamente os professores.

Quem é profissional de educação conhece, perfeitamente, essa dura e ameaçadora realidade.

A Vara da Infância e da Juventude de Itabuna realizou recentemente um mutirão para agilizar 67 processos envolvendo casos de ameaça ou de violência envolvendo alunos e professores.

Nesta semana, por exemplo, três alunas de uma escola de ensino médio em Itabuna foram portando uma faca. Uma das alunas disse, candidamente, que a arma era para defesa contra rivais e que o trio estava sendo ameaçado de morte.

Seria suficiente para desanimar, jogar a toalha e achar que as coisas não têm mesmo jeito?

Que estudar é uma porcaria que não serve para nada?
Ao contrário, situações como essas devem servir de estímulo para que os profissionais envolvidos com a educação e a sociedade como um todo encarem o desafio de fazer da escola uma porta de acesso para a cidadania e a inclusão.

Não á tarefa fácil, envolve políticas públicas, força de vontade e mobilização.

Mas, é a principal, senão a única, arma para evitar que meninos e meninas troquem a caneta pelo revólver e o livro pela droga.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

DUPLAMENTE JORGE AMADO


A bancada baiana na Câmara dos Deputados definiu, entre as emendas prioritárias do Estado no Orçamento Geral da União (OGU) de 2010, a liberação de R$ 150 milhões para a duplicação da rodovia Jorge Amado, a Ilhéus-Itabuna.

O Ministério dos Transportes sinalizou que as obras podem ser iniciadas no mês de março do ano que vem, já que o projeto está bastante adiantado e o próprio governador Jaques Wagner já se comprometeu com a duplicação.

É uma obra, portanto, que deixa a categoria de simples promessa para se tornar realidade.

Não era sem tempo.

Durante pelo menos duas décadas a duplicação foi utilizada como moeda eleitoral, que ´sumia do mapa´ assim que as urnas eram abertas.

Nesse período, a despeito da crise causada pela vassoura-de-bruxa ou por isso mesmo, as duas maiores cidades do Sul da Bahia encontraram novos caminhos como o turismo, o pólo de informática, o comércio, saúde e prestação de serviços, experimentando um processo de expansão que tornou ainda mais intenso o fluxo na rodovia, que abriga abriga em suas margens a Ceplac e a Universidade Estadual de Santa Cruz.

Com isso, a pista atual se tornou obsoleta e ao grande movimento de veículos, somaram-se os acidentes, estes, diga-se de passagem, provocados muito mais pela clássica e irresponsável imprudência dos nossos motoristas do que pela pista única.

A duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna é uma obra mais do que necessária e terá impactos positivos não apenas nos dois municípios, mas em todo o Sul da Bahia, pela possibilidade que abre para o crescimento do turismo e a atração de novos investimentos.

A ´nova´ rodovia estará inserida num novo - e, espera-se, duradouro- com o novo ciclo de desenvolvimento que o Sul da Bahia fatalmente viverá, a partir de obras com o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste, a Zona de Processamento de Exportações e o Gasoduto da Petrobrás, além da recuperação da lavoura cacaueira e dos projetos de diversificação que virão no PAC do Cacau.

Com a duplicação, o que atualmente já é, sem qualquer ranço de bairrismo, uma das mais belas estradas de todo o país, margeando um rio mítico, fazendas de cacau e áreas da Mata Atlântica, se tornará uma rodovia moderna, capaz de acompanhar a consolidação de Ilhéus e Itabuna como pólos regionais de desenvolvimento.

E será também um justo tributo ao escritor que lhe empresta o nome, esse Jorge Amado que nunca tirou os pés do visgo do cacau, mas que ganhou o mundo com o seu talento e deu ao Sul da Bahia uma dimensão planetária.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

FUSCÃO PRETO, KOMBI BRANCA

Depois do Fuscão Preto, aquele que era feito de aço e fez meu peito em pedaço, surge agora a Kombi Branca, que não rima com p... nenhuma, mas nos faz refletir:

-O que seria da música popular brasileira se não fosse a Volkswagen e seus carros inspiradores de singelas canções?