quinta-feira, 14 de maio de 2009

CRISE CONJUGAL


Amor mesmo, daqueles que fazem o peito pulsar mais forte, a alma se inquietar e a paixão suplantar a razão, nunca houve.

Foi, explicita e implicitamente, um casamento de conveniência.

Com ótimos dividendos para ambas as partes.

Com o casamento e a força que recebeu dela, ele conseguiu a presidência de uma importante e cobiçada empresa, derrotando gente muito mais poderosa e que estava há bem mais tempo no negócio.

Verdade que, grato e generoso, distribuiu milhares de cargos, alguns deles de direção, aos parentes e amigos dela. Foram tantos os cargos e mimos que chegou a provocar um mal disfarçado ciúme entre os parentes e protegidos dele.

Ele foi mais além. Conseguiu para ela um cargo de expressão nacional, graças ao prestígio que desfrutava com o presidente da empresa. Um daqueles cargos de sonho, que combinam prestígio e uma verba monumental para gastar.

Em suma: mesmo sem amor (deixemos o amor para os poetas e sonhadores e abracemos o pragmatismo), tinha tudo para ser um casamento sólido, duradouro e próspero.

Não, eterno e infinito, não!

Isso, definitivamente, é coisa para poetas e sonhadores.

Mas nunca foi sólido e, ao que tudo indica, nem será duradouro.

A verdade é que, mesmo coberta de afagos, ela nunca escondeu o desejo de ocupar justamente o cargo dele.

Mesmo sem atacá-lo diretamente, já que dispõe de gente disposta a fazê-lo, não foram poucas as vezes em que ela ameaçou romper os laços matrimoniais, num divórcio permanentemente anunciado, mas adiado sabe-se lá até quando.

Dizem que, apesar das ameaças de separação, ela sabe que não chegará tão longe quanto deseja sem estar ao lado dele. Mas finge que pode vencer sozinha.

Tem sido tantas as diatribes que alguns amigos leais a ele pregaram abertamente o divórcio, com a conseqüente entrega da montanha de cargos que alimentam e impulsionam os projetos pessoais dela.

Por conta do imponderável desse tipo de relação, um desses amigos acabou ejetado do próprio cargo, por ter a coragem de dizer publicamente o que os outros apenas sussurram. Não vai aqui se dizer que o mandaram plantar batatas porque, além da perda do cargo, ele ainda seria vítima do trocadilho infame.

Entre tapas e beijos, o casamento se mantém há dois anos e meio.

Atualmente na fase dos muitos tapas e poucos beijos, enfrenta a sua maior crise.

Os aliados de ambos estão excitados. Uns, para por fim à crise conjugal e manter a relação. Outros, para acabar logo essa união que nasceu com data de validade.

Ela já nem disfarça que deseja o cargo dele e sinaliza até data para o divórcio.

Pode ser que seja para valer, pode ser que seja apenas mais um muxoxo dela, quem sabe em busca de mais mimos, mais benesses.

Está aí um casamento que nem Freud explica.

E que nem o padrinho deles, um sujeito bonachão chamado Lula, consegue fazer com que ambos se entendam.

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Esse texto é obra de ficção.

Mas qualquer semelhança com o que está acontecendo com o PT e o PMDB na Bahia NÃO é mera coincidência.

Um comentário:

Amelia disse...

Esse texto faz a gente pensar e repensar...
Muito bom!!!