quarta-feira, 30 de junho de 2010

A dor de mãe, o filho morto e o cachorro que não pensa


Se uma imagem vale mais do que mil palavras, como diz o chavão, ainda que uma palavra possa também valer mais do que mil imagens, só há uma palavra que talvez traduza a foto de Oziel Aragão: dor.

A dor de uma mãe impotente diante da morte brutal do filho único, um jovem de apenas 18 anos, executado com 20 tiros, na porta de casa.

Quase um tiro para cada ano da breve vida do rapaz.

Como têm sido breves as vidas dos nossos adolescentes e dos nossos jovens, abatidos em pleno vôo pela brutalidade, empurrados pela falta de oportunidades para a estrada invariavelmente de mão única das drogas e da marginalidade.

Sim, o jovem assassinado tinha envolvimento com o tráfico de drogas e sua morte, pela forma como ocorreu, tem todas as características de vingança.

Mas, o que chama a atenção e nos remete a uma reflexão não é necessariamente o corpo ensangüentado e sem vida, estendido no chão.

É o desespero, indescritível, da mãe diante do filho que se foi precocemente.

Ela, na sua dor que dói em todos nós, reflete um pouco da dor de tantos pais e tantas mães que vêem, impotentes, seus filhos queridos se desviarem para o caminho errado, não raramente por falta de oportunidades de seguirem o caminho certo.

Reflete a dor de todos os que não caem na armadilha simplista de que se trata de um marginal a menos, porque poderia haver sim um marginal a menos se esse e tantos jovens não tivessem, primeiro no consumo de drogas e depois no tráfico e seus sub-produtos, a saída para a exclusão em que quase sempre vivem.

A dor da mãe, que a foto faz doer ainda mais, é daquelas coisas que desmontam qualquer teoria simplista, porque não se trata de um simples caso de polícia (ou da falta de polícia) e sim de algo mais amplo.

Que passa, necessariamente, pelo comprometimento das autoridades e de toda a sociedade, para que habitemos uma cidade, um estado, um país e um planeta onde a desigualdade não empurre tantos jovens para a carnificina.

Nem produza cenas como a dessa mãe diante do filho morto, em que um jovem tenta amparar a mulher e um cachorro, se inteligência tivesse, certamente estaria a conjeturar quem são os verdadeiros animais.

Um comentário:

alda disse...

SIM Daniel,
precisamos realmente resgatar em nós seres Humanos a capacidade de se idignar com tudo que há de errado em nosso paìs, parimos nossos filhos , sonhamos e lutamos por um mundo melhor para eles, infelismente ainda é pouco as forças positivas, Pra se fazer valer os direitos fundamentais do ser humano: Liberdade plena, direito a politicas públicas com qualidade de vida, pra quem delas precisam. A dor dessa Companheira e mãe é também nossa dor, nossos filhos são apenas vitimas, pobres vitimas inocentes de um sistema cruel e injusto. Termino minhas breves alavras usando a frase do sabio Santo Agostinho " Enquanto houver injustiça haverá vantade de Lutar". Continuaremos lutando até que todos os Jovens sejam Livres", sem mais, Alda Maria OLIveira( Assistente Social)