quinta-feira, 4 de junho de 2009

BATALHA CAMPAL



Um morto, dezenas de feridos, um ônibus incendiado e varias armas apreendidas.

Ao contrário do que pode parecer, não se trata do saldo de mais uma batalha nos confins do Oriente Médio, em que ódios tribais e disputas religiosas explodem em atos de violência cotidiana.

Nem é resultado de mais uma guerra envolvendo disputa pelos pontos de drogas, nas favelas das grandes metrópoles brasileiras, onde os traficantes ditam a lei e impõe o terror.

A morte de uma pessoa, os feridos e o incêndio do ônibus, em São Paulo são frutos de uma briga entre torcidas do Corinthians e do Vasco da Gama, após o jogo que classificou o time paulista para a decisão da Copa do Brasil.

A briga foi uma sequencia do que já havia acontecido no primeiro jogo entre as duas equipes, no Rio de Janeiro, quando um menino de 12 anos morreu de tanto levar pancadas.

Era, portanto, o troco e ele veio com mais ferocidade ainda.

Torcedores do Corinthians e do Vasco do Gama (seriam mesmo torcedores, ou marginais?) reproduziram uma prática que se tornou comum não apenas no Brasil, mas também dos campos da Europa dita civilizada. Lá, ingleses, espanhóis e italianos especialmente, transformaram o futebol num triste espetáculo de sangue, que se estende das arquibancadas para as ruas.

O que se vê e se ouve nos estádios brasileiros são gritos que, em vez de incentivar o time do coração, se tornam uma apologia da violência.

Das palavras à ação, é um tapa, um soco, um tiro. Literalmente.

As chamadas torcidas organizadas mais parecem gangues, para quem o adversário de clube é o inimigo a ser dizimado. Isso quando eles não brigam entre si, já que qualquer coisa é pretexto para a violência.

Há muito tempo que o futebol, essa paixão nacional, deixou de ser um programa familiar.Quem é louco de levar a esposa, os filhos ou a namorada a um jogo entre Flamengo x Vasco, Corinthians x Santos, São Paulo x Palmeiras, Cruzeiro x Atlético ou Bahia x Vitória?

Os estádios se tornaram válvula de escape para descarregar todo tipo de frustração e/ou ressentimento. Sempre em grupo, o que os torna ainda mais ferozes e difíceis de serem identificados, esses marginais estão fazendo com que os verdadeiros torcedores só possam acompanhar o futebol de longe, pela televisão.

Até sair na rua ostentando orgulhosamente a camisa do time do coração se tornou arriscado. Um torcedor foi morto em São Paulo num dia em que nem havia jogo de futebol. Morreu porque estava com a camisa de seu time e deu o azar de cruzar com adversários de time.

A explosão de violência entre corintianos e vascaínos levou à promotoria pública a exigir que a partir de agora os jogos em São Paulo sejam com torcida única. A medida que pode ser estendida a outros estados.

Isso mesmo: São Paulo x Corinthians, no Morumbi, só com torcedores tricolores. No Pacaembu, só corintianos. E por aí vai.

Pode ser um paliativo, mas ao menos se faz alguma coisa para conter essa brutalidade.

Mata um pouco a graça do futebol, mas é melhor matar a graça, do que morrer tanta gente por causa do futebol.

Mas, o que resolve mesmo é punir com rigor esses bandidos, no mínimo impedindo que cheguem perto de um estádio.

Para quem agride e mata, a solução é cadeia mesmo, porque esse é o lugar de marginal. E não no estádio, que deveria ser, mas não é mais, lugar de torcedor,

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