sábado, 31 de outubro de 2009

CENTENÁRIO DE MÃO DUPLA


Durante a visita a Coaraci, neste sábado, o governador Jaques Wagner confirmou que a rodovia Ilhéus-Itabuna será mesmo duplicada. “É um compromisso que tenho com a população das duas cidades”, disse.

Embora sem citar a data do início das obras, Wagner revelou que a duplicação será um dos presentes do Centenário de Itabuna.

Como Itabuna faz 100 anos em 2010, conclui-se que...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DONA MARLENE, NOS BRAÇOS DE JESUS


Nos tempos de antanho, Buererema, Itajuipe, Coaraci, Ibicaraí, Jussari, etc., sempre que eram citadas, recebiam a indicação de pacatas cidades.

A pacata Buararema, a pacata Itajuipe, a pacata Coaraci...

Era uma espécie de contraponto às agitadas cidades de Itabuna e Ilhéus, metrópoles regiões, com o ônus e o bônus que o crescimento oferece e impõe.

Era também a confirmação de que se tratava de cidades tranqüilas, onde os moradores se conheciam e se respeitavam e em que a violência era quase uma abstração, de tão insignificante, reduzida a ocorrências, do tipo brigas, furtos e pequenos assaltos.

Assassinato, quando havia, era um acontecimento a ser lembrado por meses a fio.

Assim como a palavra “antanho”, caída em desuso, vão longe esses tempos de paz e tranqüilidade.

Que o diga a dona de casa Marlene de Jesus, que além de evangélica fervorosa ainda carrega o nome o Redentor na certidão de nascimento.

Moradora da ex-pacata Buerarema, que um dia já ostentou o singelo nome de Macuco, ela voltava de um culto, após ir ao sepultamento de uma tia.

Presume-se que tenha orado para que a alma da tia tenha encontrado a paz celestial, o descanso nos justos.

O trajeto entre a igreja e a casa é pequeno, mas dona Marlene de Jesus vive num tempo em que a violência não obedece distâncias, nem o tamanho de uma cidade.

Entre a igreja e a residência, ela se viu em meio a uma troca de tiros entre marginais, nessa insana guerra pelo controle de pontos de drogas.

Ainda tentou buscar um lugar para se proteger, mas acabou atingida por aquilo que se convencionou chamar, sabe-se lá porque, de bala perdida, visto que sempre encontra algum inocente para atingir.

Dona Marlene de Jesus tomou um tiro no abdome, foi socorrida a tempo, levada a um hospital e passou por uma intervenção cirúrgica.

Felizmente, não corre risco de morte.

De dona Marlene, a que encontrou motivação para sua existência ao se amparar na religião e se reconfortar nos braços de Jesus, pode-se dizer que é uma sobrevivente.

Uma abençoada!

Tantos outros não tiveram e nem têm a mesma sorte, nessa explosão irracional de violência, que assola pequenas, médias e grandes cidades, que transforma qualquer cidadão em vitima potencial.

Na ausência de policiamento e diante de um sistema que é mais de insegurança pública, só nos resta rogar aos céus e apelar para a proteção divina.

Haja santos, anjos, querubins e a afins para dar conta de tamanha demanda!

CACAU NA GLOBO


O programa Globo Rural exibe no próximo domingo, dia 1º. uma reportagem sobre cacau orgânico, cacau cabruca e cacau fino. A reportagem foi feita na Fazenda São José, em Barro Preto.

Vale a pena conferir.

O cacau, quando tratado de forma empresarial, é plenamente viável.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

DESCALÇO OU CALÇADO?


Sessão gotas de sabedoria (ou, um pouco de auto-ajuda não faz mal a ninguém):
O dono de uma loja de calçados mandou um funcionário a uma pequena cidade, para avaliar a possibilidade de abrir uma filial.

No dia seguinte, o funcionário manda um email pro chefe, dizendo o seguinte:

-Aqui a gente não vai vender nem um par de chinelos. Nessa cidade, todo mundo anda descalço.

Em busca de uma segunda opinião (feito o sujeito que repete o exame de próstata umas 200 vezes para evitar dúvidas), o chefe manda outro funcionário à mesma cidade.

No dia seguinte, recebe o email:

-Chefe, a gente vai vender sapatos pra caramba. Nessa cidade, só tem gente descalça.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A segunda morte do professor Álvaro



Mais de quarenta dias se passaram desde que o professor Álvaro Henrique Santos, dirigente da APLB-Sindicato em Porto Seguro foi barbaramente assassinado, num típico crime de mando. Na mesma emboscada, ficou ferido o também professor Elisnei Pereira.

Álvaro Henrique vinha liderando uma grande mobilização em defesa da categoria, numa campanha salarial acirrada, o que levanta suspeitas, não comprovadas, de que sua morte tenha ligação direta com a militância sindical.

Após sua morte, os colegas fizeram várias manifestações para exigir uma investigação rigorosa, no sentido de prender e punir os responsáveis.

Chegaram, inclusive, a encaminhar um documento ao Governo do Estado, na expectativa de que um crime tão brutal não fique impune.

Não custa nada lembrar que o atual governador da Bahia, Jaques Wagner, tem um histórico de luta e militância sindical, que lhe valeram perseguições da Ditadura Militar.

Nada mais natural, portanto, que os educadores de Porto Seguro -e por extensão de toda a Bahia- confiem na punição dos assassinos e eventuais mandantes.

Ocorre que até agora nenhuma pessoa sequer foi interrogada e as investigações parecem caminhar a passos de tartaruga.

Pior, existe um silêncio perturbador em torno do caso, que tanto pode significar que a polícia nada divulga para não atrapalhar as investigações, como revelar que não existe pista alguma e que nada avançou desde que Álvaro foi emboscado e morto, numa localidade da zona rural de Porto Seguro.

Por conta dessa indefinição no tocante às investigações, os educadores decidiram utilizar a única arma de que dispõem: a greve.

Paralisaram as atividades, para chamar e atenção e exigir providência para evitar que a morte do professor Álvaro, a exemplo de tantas e tantas outras, não caia na vala comum do esquecimento.

É preciso que o Governo do Estado, através das secretarias de Segurança Pública e de Justiça, fique atento e cobre da polícia maior eficiência das investigações.

Deixar sem solução o assassinato de um educador que perdeu a vida em defesa da categoria é um péssimo exemplo e um incentivo a novos crimes desse tipo.

É, também, uma espécie de segunda morte para o professor Álvaro, que já foi vítima da brutalidade e agora não pode ser vítima da impunidade de seus algozes.

O SENADO E SEUS "RESPUTÁVEIS" SENHORES

O Rio, realmente, é aqui



Há cerca de dois meses, dois adolescentes foram assassinados barbaramente quando soltavam pipas num campinho de futebol.

Menos de um mês atrás, uma criancinha de um ano de idade foi atingida por uma bala perdida e morreu, quando brincava de boneca dentro de casa.

No final de semana, um homem e uma mulher foram mortos a tiros, num intervalo de menos de três horas.

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Nos tempos áureos do cacau, quando todas as loucuras eram permitidas e quando tudo era possível, costumava-se dizer que o Sul da Bahia, por conta da riqueza gerada pelo cacau, era uma espécie de enclave do Sul/Sudeste do Brasil, acidentalmente encravado no Nordeste seco, pobre e subdesenvolvido.

Éramos uma Ilha de Prosperidade em meio à miséria.

Digamos que essa seja uma imagem meio esteriotipada, mas era assim que muita gente se sentia, nos modismos, nos carros último tipo, nas roupas de grife e até na torcida fanática pelos times cariocas e, em muito menor escala, paulistas.

A vassoura-de-bruxa tratou de nos devolver ao Nordeste e, daqueles anos de faustio e esplendor, só sobrou o fanatismo por Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. Até pelo simpático América do Rio.

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Pois bem, vivemos hoje um certo clima de Rio de Janeiro, mas isso não significa que os tais anos de ouro do cacau estão de volta.

Da maneira em que eles um dia existiram, é certo que jamais voltarão.


O que nos iguala ao Rio de Janeiro nada tem de auspicioso.

Muito pelo contrário.

Um leitor menos desavisado ou afeito ao noticiário policial poderia imaginar que os assassinatos dos dois adolescentes, da criança e do casal, da forma como se deram, terem acontecido numa dessas guerras de traficantes, tão comuns no Rio de Janeiro.

Nada disso, elas aconteceram num bairro da periferia de Itabuna, o bairro São Pedro, onde existe igualmente uma guerra em que os bandidos levam nítida vantagem sobre as pessoas de bem.

E matam com uma freqüência e brutalidade que se rivalizam com seus colegas do Rio de Janeiro.

Um bairro que retrata como poucos, os alarmantes índices de criminalidade que impõem o terror e o medo.

Tudo disso diante de uma polícia incapaz de conter a violência e de um sistema que é, literalmente, de insegurança pública.

Uma situação que já passou de todos os limites suportáveis, mas que não dá mostras de arrefecer.

O Rio de Janeiro é aqui, mas de uma maneira que nunca deveria ser.

sábado, 24 de outubro de 2009

JESUS, JUDAS E LULA



É de causar estranheza da reação de alguns setores, Igreja Católica à frente, a uma frase bobinha do presidente Lula, acerca de uma hipotética aliança de Jesus com Judas, caso o Redentor retornasse a Terra e, em vez de redimir os homens do pecado, separar os bons dos maus, levar os bons para o Reino dos Céus e encaminhar os maus para o fogo eterno dos infernos; resolvesse exercer algum cargo público de relevância, presidente da República, por exemplo.

Useiro e vezeiro em usar metáforas, geralmente com o futebol, Lula justificou alguns acordos que faz para manter a governabilidade dizendo mais ou menos o seguinte:

-Se Jesus fosse presidente, teria que fazer acordo até com Judas...

Judas Iscariotes, como todos sabem, foi o discípulo que, segundo os Evangelhos, traiu Jesus e, com um singelo beijo, entregou-o aos romanos.

A traição de Judas talvez ficasse em segundo plano na História caso o povo, já naquele tempo com uma vocação inacreditável para votar errado, instado por Pôncio Pilatos a escolher entre Jesus e Barrabás (um ladrão, precursor de uma considerável parcela de políticos), não tivesse optado por Barrabás.

Escolheu o ladrão!

E lá foi Jesus para o sacrifício da crucificação e posterior ressurreição, alçado à condição de principal personagem da Humanidade em todos os tempos, base de uma religião que atravessou dois milênios.

E lá foi Judas, virar sinônimo de traição, malhado e escorraçado ano após ano, vilipendiado como símbolo de tudo o que há de ruim no mundo.

Em sendo Judas o que foi, o que Lula fez foi apenas uma brincadeira sem maiores conseqüências, falando numa linguagem que todo mundo entende.

À pergunta de alguns jornalistas sobre alguns políticos com os quais se aliou para manter a tal governabilidade, certamente se referindo a José Sarney, Renan Calheiro e Fernando Collor de Melo, Lula usou a metáfora de que até Jesus teria que se aliar a Judas para governar o Brasil.

Como se sabe, o Congresso Nacional, sem o qual ninguém consegue governar, não é nenhum colégio de freiras carmelitas ou seminário de monges beneditinos.

Algum incauto que cometesse a imprudência de promover ali uma espécie de Santa Ceia, correria o risco de, na hora de repartir o pão e compartilhar o vinho, não encontrar nem pão nem vinho, devidamente surrupiados por algum dos “Judas” que por lá se proliferam.

Lula não disse nada que não seja senso comum e nem mesmo os “Judas” vestiram a carapuça ou sentiram-se ofendidos, visto que não são dados a essas aleivosias. O negócio deles é acumular o pão e o vinho (aqui, recorreremos à metáfora lulista) e o povaréu que se dane.

Daí que, não faz sentido esse reação de setores da Igreja Católica, como se Lula tivesse cometido um sacrilégio digno da Santa Inquisição.

De mais a mais, caso Jesus realmente voltasse a Terra sem aviso prévio, mais do que com a profusão de Judas na política e em outras áreas, certamente ficaria chocado como o seu Santo Nome é usado em vão.

Inclusive por aqueles que, por dever de fé e oficio, deveriam zelar pela sua imagem e sua verdadeira mensagem.

Amém!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

COCA DA SORTE


O português vê uma máquina de Coca Cola e fica maravilhado. Coloca uma
fichinha e cai uma latinha. Coloca 2 fichinhas e caem 2 latinhas. Coloca 10
fichas e caem 10 latinhas. Então ele vai ao caixa e pede 50 fichas. Diz
então o caixa:
- Desse jeito o Sr. vai acabar com as minhas fichas.
- Não adianta, eu não paro enquanto estiver ganhando.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

ESQUENTOU, DE NOVO


Voltou a esquentar a disputa entre pequenos produtores e índios tupinambás, que reivindicam a posse de uma área que compreende partes de Olivença, Una e Buerarema. Ontem, foi invadida a Fazenda Santo Antônio, no município de Buerarema, onde além de ocupar a área, os índios expulsaram os trabalhadores e ainda interditaram a estrada que dá acesso à propriedade. Um detalhe é que, segundo os agricultores, essa fazenda invadida não estaria na área de demarcação proposta pela Funai.
Diante do quadro de invasões, a Associação de Pequenos Agricultores de Ilhéus, Una e Buerarema procurou o Ministério Público Federal, mas a promotora pública Rhayssa Castro Sanches teria dito que não seria da sua competência discutir e adotar providências com relação a essas invasões. A promotora, segundo relato da Associação, nem mesmo registrou a ocorrência, recomendando que os agricultores procurassem a Polícia Federal.

Sai da frente, que atrás vêm um irresponsável




Não apenas atrás, mas às vezes no sentido contrário também. Basta circular pelas rodovias brasileiras, o Sul da Bahia incluído, para entender as razões de tantos acidentes com milhares feridos e de vítimas fatais. Tome-se como (mau) exemplo o trecho da rodovia BR 101 entre Itabuna e Eunápolis.

É só começar a circular na rodovia para constatar que a irresponsabilidade não tem limites.

Há sempre um motorista de ônibus ou de caminhão, certamente empolgado com o tamanho do veículo, cometendo algum tipo de imprudência, de ultrapassagens arriscadas ao excesso de velocidade.

O pobre coitado do motorista de carro pequeno que der o azar de ficar atrás de um caminhoneiro ou motorista de ônibus mais apressado que trate de dar passagem, mesmo que isso implique em colocar a própria vida em risco.

Existem nestes quase 220 quilômetros de estrada entre Itabuna e Eunápolis, alguns trechos críticos, onde a repetida ocorrência de acidentes recomenda, no mínimo, prudência. Um desses pontos críticos é uma curva nas proximidades da entrada de Arataca, onde mortes por acidentes se tornaram uma triste rotina.

Em vez da esperada cautela, imprudência e mais imprudência. Motoristas fazem a curva em velocidade absurda e arriscam ultrapassagens que são um convite macabro a uma colisão de conseqüências imprevíseis.

Ou, previsíveis até demais.

No trecho entre o povoado de Paraíso e Itapebi, subidas, descidas e inúmeras curvas, igualmente recomendam prudência por parte dos motoristas.

Perda de tempo. O festival de barbaridades se estende por todo o trecho, como é se imaginar que se estenda por todas as rodovias brasileiras.

O inacreditável é que nada é a feito para coibir a irresponsabilidade, nem campanha educativa e nem a necessária punição para os motoristas que mais se assemelham a assassinos ao volante.

São apenas dois postos policiais e ainda assim raramente alguém é parado. Não existem viaturas circulando pela rodovia, o que em tese poderia reduzir os índices de imprudência.

Sem fiscalização, os maus motoristas sentem-se a vontade para colocar em riscos os condutores que dirigem com responsabilidade, muitas vezes vítimas inocentes dessa máquina de matar em que se transformou o trânsito brasileiro.

Uma situação absurda, que se repete diariamente e que se traduz em estatísticas alarmantes, que infelizmente não alarmam nem provocam a necessária reflexão.

Hoje, chega-se em casa após uma viagem de carro como que chega de uma guerra, na condição de sobrevivente.

Na prática, o que há a mesmo uma guerra insana, em que o veículo se transformou numa máquina mortal.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ESSE RUBIN GANHA


A gente fica reclamando do baixo nível técnico do Campeonato Brasileiro, mas a badalada Copa dos Campeões da Europa não é lá essa cocacola toda.

E não é que o desconhecido Rubin Kazan, lá dos confins da Rússia, acaba de ganhar de 2x1 do badalado Barcelona de Messi & Cia em pleno Camp Nou, num jogo ruim de doer.

Por outro lado, pelo menos temos um Rubim que ganha alguma coisa.

Por que o nosso Rubin Barrichelo...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O CARTAZ OFICIAL DO FILME

Esse é o cartaz oficial do filme "Lula, o Filho do Brasil", que estréia em janeiro de 2010.

É a história do retirante nordestino Luiz Inácio, que virou Lula e depois virou "o cara", como diria um tal de Barack.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

DONA ENEDINA NO JN

Dona Enedina, a ilheense que aos 100 anos se alfatebizou pelo TOPA, encerrou o Jornal Nacional de quinta-feira, e foi citada como um exemplo de perseverança.


Enfim, boa notícia também é notícia. Veja o vídeo do JN


Adivinhem quem paga o pato?



O Pacto conta a Violência, uma proposta que envolve (ou deveria envolver) todos os segmentos da sociedade civil organizada em Itabuna, é uma dessas ótimas ideias, dignas de apoio e aplausos.

No papel, o pacto tem o objetivo de promover ações conjuntas que envolvem projetos de inclusão social, melhoria da infra-estrutura urbana e combate à criminalidade.

Tudo dentro de uma visão correta de que ninguém nasce bandido e que muitos dos facínoras que matam, estupram e roubam são subprodutos perversos do meio em que vivem; onde o mundo do crime é o único caminho, diante da completa falta de perspectivas de vida.

Em sendo assim, é salutar que todos se mobilizem, já que o combate à violência não passa apenas pela ação dos órgãos públicos, sejam eles municipais, estaduais ou federais.

Trata-se de um trabalho árduo, que exige dedicação, desprendimento e espírito público.

Não se trata de um hobby de alguém entediado e nem de uma maneira fácil de ganhar os holofotes da mídia.

É algo para quem sabe que terá imensos desafios pela frente e está disposto a encará-los.

O Pacto contra a Violência é mais do que necessário, num momento em que a cidade se vê às voltas com uma onda de violência sem precedentes em sua história quase centenária, com assassinatos diários, assaltos e arrombamentos contados às centenas e com o tráfico de drogas impondo o medo e o terror nos bairros mais carentes da periferia.

Uma cidade assustada e que necessita justamente de uma ação desse porte, capaz de a médio e longo prazos trazer um pouco de tranqüilidade a uma população que se tornou refém da bandidagem.

O problema é que, realizadas várias reuniões, o Pacto contra a Violência ainda não conseguiu superar a barreira que separa a boa intenção da ação.

Pior ainda: já começam a surgir acusações mútuas de boicote e desinteresse, partindo justamente daqueles que deveriam conduzir o processo.

Em vez do consenso e da união em torno de um objetivo nobre, o desentendimento e a desunião.

Não é por ai.

É preciso que cada um faça a sua parte e que as partes se tornem um todo, para que a violência seja combatida em todas as suas vertentes.

Para que um dia, quem sabe, o Pacto contra a Violência se torne num Pacto pela Manutenção da Paz.

Se o caminho a ser seguido não for esse, adivinhem quem paga o pato?

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Quarta-feira, dia 14, por volta das 16 horas, numa rua próxima à Santa Casa de Misericórdia, bairro Pontalzinho, Itabuna.

Quatro jovens tentam assaltar duas estudantes, exigindo a carteira e os telefones celulares.

Um morador presencia a cena e, sem titubear, saca o revólver e atira.

Poderia ter atingido os bandidos como poderia ter atingido as estudantes ou alguém que passasse pela rua.

Felizmente não atingiu ninguém, mas a cena dá bem uma dimensão do estado a que chegamos diante de insegurança em Itabuna.

Uma triste dimensão.

Ainda é preciso perguntar quem pago o pato caso o pacto fique no blablablá?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os sem terra, os sem juízo e os sem escrúpulos




As avaliações sobre a depredação de uma fazenda que produzia laranjas no interior de São Paulo, comandada por irresponsáveis travestidos liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras, o MST, estão meio fora de foco.

Tudo bem que algumas lideranças do MST, como João Pedro Stedile e José Rainha, mereciam estar bem trancados numa camisa de força em um hospício, mas jogar a culpa pelos recentes atos de vandalismo no presidente Lula, acusando-o de, no mínimo, ser conivente com os ataques a propriedades rurais, é de um primarismo tolo, uma tentativa nada sutil de provocar estragos na imagem do presidente e, por tabela, afetar a candidatura de Dilma Roussef em 2010.

A associação a que pertencem os lunáticos que destruíram máquinas, casas e laranjais em São Paulo, recebe recursos do Governo Federal assim como centenas de outras ONGs ligadas aos sem-terra recebem.. Não é por isso que todo mundo vai sair por aí destruindo o patrimônio público ou privado.

Os atos de vandalismo cometidos sob a vasta bandeira do MST devem ser condenados com veemência, incluindo punição para os responsáveis, mas não se pode, por conta da eleição que se avizinha, tentar transformar em regra o que é exceção.

Como se toda ONG ligada ao MST que recebe recursos do Governo Federal tivesse como único fim promover a baderna.

A regra são mobilizações pela Reforma Agrária e assentamos em que as famílias tem condições de produzir e levar uma vida digna, mesmo que parte da mídia tente mostrar esses assentamentos como uma espécie de “favelas rurais”.

É a mesma mídia que chega ao absurdo de comparar o MST com as FARCs, as terríveis Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que de movimento guerrilheiro, passou a atuar como bando, promovendo seqüestros e se associando ao narcotráfico.

Não há nenhuma, repita-se aqui, nenhuma evidência de que o MST tenha derivado para esse tipo de atividade. Mais do que isso, embora defenda o socialismo, o movimento não prega nenhuma revolução, até porque isso não teria o menor sentido num país que tem como presidente um ex-operário metalúrgico.

Sair “fabricando” bandidos e quadrilhas com o claro interesse eleitoreiro não é o melhor caminho, nem vai dar o resultado esperado. Lula já apanhou o que tinha de apanhar, com acusações bem mais pesadas do que financiar, por vias indiretas, um ato de vandalismo.

Continua com sua imagem sem arranhões e deve ser um cabo eleitoral decisivo numa eventual candidatura de Dilma, mas parece que a oposição, amparada pela mídia, não aprende.

Nessa história de sem terras, há que se condenar os sem juízo, mas também alertar para os sem escrúpulos, que mudam o filme, mas mantém o mesmo roteiro, como se fantasmas trazidos repetidas vezes à tona tivessem o dom de assustar.

A história recente mostra que não assustam, visto que fantasmas, como as bruxas, não existem, embora haja os que creiam e apostem neles.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

FUTEBROXANTE


Tudo bem, a Seleção Brasileira já estava classificada, ganhou do Uruguai em Montevideo, da Argentina em Rosário, venceu a Copa das Confederações, tal e coisa, coisa e tal.

Mas fechar as Eliminatórias perdendo da Bolívia e empatando com a Venezuela, duas galinhas mortas, é o que pode se chamar de final broxante.

Enfim, vamos ao Mundial da África do Sul e seja o que Deus quiser, até porque tem pouca galinha viva e nenhum galo mestre no futebol atual.

Arataca, minas e frutos de ouro


Conta a lenda, que o tempo e a falta de esperança estão tratando de manter viva apenas na memória dos moradores mais antigos, que em Arataca, pequena cidade da Região Cacaueira da Bahia, existe um veio de ouro que começa no pé da serra, corta uma parte da área urbana e termina exatamente no subsolo da Igreja Matriz.

A lenda conta ainda que tamanha riqueza permanecerá eternamente nas profundezas enquanto a igreja não for demolida, coisa que os padres que cuidam do templo nem cogitam fazer.

As sagradas paredes da Igreja Matriz e tudo de mais sagrado que ela abriga em seu interior não correm o risco de serem postos abaixo para que caçadores de fortunas arranquem do ventre do solo o ouro que, a julgar pela indiferença com que o assunto é tratado na cidade, só existe mesmo na imaginação.

Ou no desejo contido -e impossível de realizar- de que o tempo ande para trás.

E que a cidade reviva um tempo em que existia ouro e ele não estava sob o solo, mas brotava do solo.

Mais precisamente um “fruto de ouro” que atendia pelo nome de cacau.

Arataca, a exemplo de outras tantas cidades do Sul da Bahia, como Jussari, Santa Luzia, Camacan, Buerarema, Uruçuca, Coaraci, Itajuipe, Una e Ubaitaba viveu, sim, o seu ciclo de ouro.

Eram tempos, que hoje igualmente parecem lenda, em mesmo que a maior parte dos ganhos fizesse a riqueza nababesca dos produtores de cacau, o dinheiro circulava e, de uma forma ou de outra, todos se beneficiavam com aquele fruto fantástico, que exigia poucos cuidados e dava duas safras por ano.

Um ciclo de riqueza que parecia interminável e que uma doença fulminante chamada vassoura-de-bruxa tratou de encerrar com tons apocalípticos.

Em menos de uma década, o que era riqueza se transformou em pobreza.

Cidades cheias de gente e de vida, a exemplo de Arataca, viram a população diminuir, com o êxodo rural e a migração dos moradores para bolsões de miséria de Itabuna e Ilhéus, ou para o inexistente paraíso paulista, onde os potes de ouro das oportunidades de trabalho se tornaram cada vez mais escassos.

Nas fazendas semi-abandonadas, cacaueiros antes carregados de frutos valiosos, hoje exibem as cicatrizes da vassoura-de-bruxa, com seus galhos mortos e seus frutos podres.

A mata virou pasto e onde havia cacau, hoje há predominantemente gado. No quesito emprego, a conta é perversa: numa fazenda onde 30 trabalhadores cuidavam das roças de cacau, e ali viviam com a família, hoje trabalham apenas dois vaqueiros.

Numa situação dessas, não há mesmo como acreditar em potes de ouro no final do arco-íris e nem em minas de ouro sob o chão da Igreja Matriz.

Talvez dê para acreditar que exista, não apenas no papel mas também na prática, uma política de recuperação que, se não tenha o dom de transformar novamente o fruto em ouro, que pelo menos ofereça condições para que esse fruto, aliado a outros cultivos, à agroindústria e ao turismo sustentável, alavanque um novo ciclo, em que não dependamos de veios de ouro descendo das serras, nem nos atemorizemos com as bruxas e suas vassouras devastadoras.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ILUSTRÍSSIMO SENHOR BANDIDO




Em vitória da Conquista, no Sudoeste da Bahia, Pedro Paulo Rocha, dono de uma lan house encontrou um jeito sui generis para tentar reduzir a onde de assaltos a seu estabelecimento comercial: tascou na entrada uma faixa com os dizeres “Senhores assaltantes, peço-lhes um tempo... Fui roubado três vezes em 20 dias. Respeitosamente, Cyber Conquista”.

Segundo ele, os ladrões precisam ter paciência e parar de roubá-lo senão, assim, não haverá condições dele ter dinheiro sequer para abastecer os marginais que praticamente viraram “sócios” da lan house.

A foto e as informações são do Correio da Bahia.

Cômico, não fosse trágico.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PEGA LEVE


Os acidentes com vítimas fatais continuam banhando de sangue as rodovias que cortam o Sul da Bahia, como a BR 101.

Na maioria esmagadora dos casos, os acidentes são provocados pela imprudência, potencializada pelo consumo de álcool.
Como se sabe, beber e dirigir são práticas absolutamente incompatíveis.

O problema, é que apesar de inúmeras campanhas orientando para os riscos de beber e dirigir, incluindo os comerciais de cerveja que fazem o alerta por determinação legal, muita gente continua ignorando os riscos e arriscando a própria vida e a vida dos outros.

Na noite da última quarta-feira, três dos quatro ocupantes de um Golf morreram quando o carro se chocou violentamente com um caminhão.

As vítimas, com idades entre 18 e 29 anos, vinham de Eunápolis para passar o feriado de Nossa Senhora Aparecida em Ilhéus.

O que seria alegria e lazer, se transformou-se em dor e tragédia. Mais uma, entre as tantas tragédias que se tornaram rotina nas estradas brasileiras.

Para reforçar a hipótese de imprudência, foram encontradas várias garrafas vazias de cerveja no Golf, que ficou completamente destruído. A comprovação da ingestão ou não de álcool vai depender de exames, mas isso não trará de volta à vida os três mortos na colisão.

Somados às campanhas educativas, esses acidentes brutais deveriam servir de alerta para os demais motoristas, mas lamentavelmente parecem ao ter efeito algum.

Além do consumo de bebida, é comum verificar o excesso de velocidade e ultrapassagens irresponsáveis, como se ganhar alguns minutos na viagem compensassem o risco de acidentes.

Não compensa, e aí estão os acidentes para demonstrar isso.

Como educação no trânsito parece não funcionar, o jeito é aumentar a fiscalização e punir com rigor os motoristas que forem pegos consumindo bebidas alcoólicas ou cometendo infrações de graves.

Mas tem que ser punição grave, com a apreensão da carteira de motorista e a retenção do veículo, única maneira de evitar que assassinos em potencial travestidos de motoristas continuem espalhando sangue pelas estradas.

Feriadão chegando, resta clamar que os motoristas peguem leve e entendam de uma vez por todas que beber e dirigir não desce redondo nem quadrado.

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Durante o feriadão a Polícia Rodoviária vai realizar a Operação Nossa Senhora Aparecida.

Que a santa padroeira do Brasil nos proteja!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Fitinha do Senhor do Bonfim, mãozinha do Senhor Luiz


Depois de participar uma celebração evangélica em agradecimento por ter vencido aquela que certamente foi a mais dura de suas batalhas, a luta contra o câncer, a ministra da Casa Civil e pré-candidata a presidência da República pelo PT, Dilma Roussef, encerra a semana em Salvador, uma das cidades de maior religiosidade de Brasil, onde, diz a lenda, se todos os pedidos aos santos e todos os despachos fossem atendidos, o Campeonato Baiano terminaria empatado. E as eleições também.

Dilma, ex-guerrilheira e vítima de lancinantes torturas cometidas nos porões da ditadura militar brasileira, vai à tradicional Igreja do Bonfim, onde participa de uma Missa de Ação de Graças. De lá, deve sair com a fitinha que ilustra o pulso de dez entre dez personalidades que visitam a Bahia e item obrigatório no kit de qualquer turista que se preze.

A fitinha de Dilma deve ser vermelha, per supuesto.

A visita à Igreja do Senhor do Bonfim, respeitado o fervor religioso e a gratidão pela cura, tem um olho no santo e outro no eleitor.

Superada a incerteza da doença, a drástica redução de suas atividades na Casa Civil e o afastamento compulsório das visitas a obras do PAC em todo o Brasil, Dilma Roussef busca voltar à cena política e se consolidar como uma alternativa viável para derrotar o tucano José Serra, que aparece como favorito na disputa presidencial.

Esse posto, que até pouco tempo atrás era exclusivo de Dilma, atualmente é dividido com Ciro Gomes, do PSB. Menos mal que Serra empacou no patamar em que estava e até oscilou um pouco para baixo, o que por sinal também ocorreu com a ministra.

Daí que, além a dar um alô para o Senhor do Bonfim e comparecer até em festa de aniversário, no caso, o presidente da Agência Nacional do Petróleo, o comunista (ainda existe isso?) Haroldo Lima; Dilma Roussef acompanha o governador Jaques Wagner numa visita as obras do Hospital da Criança, em Feira de Santana, e na solenidade de autorização da concessão das rodovias federais na Bahia.

Tem mais: sempre ao lado do governador, candidatíssimo à reeleição e às voltas com atritos com o aliado nacional e ex-aliado estadual PMDB, embarca na Caravana de Erradicação do Trabalho Infantil na cidade Cipó. Deve haver espaço ainda para outro aniversário (vida de candidato não é mole!), desta vez o do presidente da Petrobrás, o baiano José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras. Para fechar o périplo baiano, uma inspeção às obras do PAC em Salvador.

É, enfim, agenda de quem quer voltar à luta.

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A ajuda dos céus é bem vinda (e é bem vinda em qualquer situação), mas a ministra Dilma Roussef vai contar mesmo com outra ajuda, que não tem nada de divina, mas que anda fazendo verdadeiros milagres.

E que atende pelo prosaico nome de Luiz Inácio Lula da Silva.

Duvidar, quem há de?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A bala perdida encontrou Maria Eduarda

Na mesma semana em que um infarto fulminante impediu Ferreirinha de chegar aos 100 anos, uma bala perdida impediu a pequena Maria Eduarda Ribeiro Dias de ultrapassar seu primeiro ano de vida.

O quase um século de Ferreirinha, morto no domingo; e o apenas um aninho de Maria Eduarda, assassinada com um tiro no peito na segunda-feira, formam o contraste de uma cidade capaz de garantir a longevidade de uns, mas incapaz de impedir a morte mais do que precoce de outros.

O fazendeiro Ferreirinha, morava na Zildolândia, um bairro classe média de Itabuna. Viveu o suficiente para, aos 85 anos, casar-se com a estudante Iolanda, então com 16 anos, uma paixão arrebatadora e ao mesmo tempo inusitada, que lhe rendeu fama internacional e o título de “Garanhão de Itabuna”, que ostentava com indisfarçável orgulho.

Ao morrer, após lutar bravamente contra uma seqüência de enfermidades, Ferreirinha já tinha seu nome inscrito na história de Itabuna. Seu sepultamento reuniu centenas de pessoas, entre familiares, amigos ou simples curiosos, que o conheciam apenas por conta da fama.

Maria Eduarda morava no bairro São Pedro, um dos mais carentes de Itabuna, onde a violência impõe a lei e o medo aos moradores, gente trabalhadora e decente. Não viveu nem o suficiente para dar os primeiros passos, nessa caminhada incerta rumo a um futuro que para ela agora é apenas uma interrogação ou uma abstração.

Ao morrer de forma abrupta e violenta, ganhou o noticiário policial das rádios, televisões e jornais. Seu sepultamento reuniu apenas gente simples do bairro, que cobrou Justiça, mas sabe dos riscos que é abrir a boca para protestar contra a impunidade dos marginais.

Maria Eduarda, sem fama nem fortuna, está fadada a virar apenas estatística, um número a mais no elevadíssimo número assassinatos em Itabuna.

Maria Eduarda foi vítima de uma dessas balas perdidas que por uma dessas coisas inexplicáveis só encontram gente inocente.

Baleada dentro de casa numa rua chamada, suprema ironia, Liberdade.

Liberdade é justamente o que falta para os moradores do São Pedro e de outros tantos bairros da periferia de Itabuna, prisioneiros em suas próprias casas.

De Ferreirinha se pode dizer que teve a sorte de, a despeito de duas guerras mundiais, ter nascido num tempo em que a violência cotidiana não produzia tantas vítimas fatais. Viu o mundo dar um salto tecnológico, o homem pisar na Lua e virou não apenas o século, mas também o milênio. ´

Amou e foi amado, teve filhos, netos, bisnetos e ainda viveu uma bela paixão outonal.

De Maria Eduarda se pode dizer que não teve sorte alguma, mas o azar de ter nascido num tempo em que nem um bebê inocente está seguro dentro de casa, quando essa casa está localizada numa área de guerra urbana, onde sobreviver é quase um milagre.

O intervalo de apenas um dia separou as mortes de Ferreirinha e Maria Eduarda.

Quase um século separou as vidas de Ferreirinha e Maria Eduarda.

Personagens diferentes, vidas diferentes, que talvez nem coubessem na mesma história.

Mas que se encaixam perfeitamente quando inseridos na história de uma cidade que celebra Ferreirinha mesmo na morte e chora a Maria Eduarda sem vida.

Uma cidade que num intervalo de 24 horas alçou Ferreirinha a condição de mito e empurrou Maria Eduarda à condição de anjo caído.

Balas perdidas, vidas perdidas.

Até quando?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

FERREIRINHA, VIAGRA E SUCO DE CACAU


Faleceu na manhã do último domingo (4), aos 99 anos, o produtor rural José Ferreira Vieira, o Ferreirinha. Em meados da década de 1990, então com 85 anos de idade, ele ganhou fama ao se casar com a estudante Iolanda Rodrigues, de 16 anos, com quem logo em seguida teve uma filha, Carol. O romance ganhou repercussão nacional e internacional e Ferreirinha foi convidado a dar uma entrevista ao programa Jô Soares, no SBT. O programa fez tanto sucesso que foi repetido durante a reapresentação das melhores entrevistas do ano.

Diante de um Jô Soares surpreso com tanta desenvoltura e de uma platéia encantada com aquele senhor com jeito de menino sapeca, Ferreirinha falou de seu romance com Iolanda e de seu aparentemente insaciável apetite sexual. A ser questionado por Jô Soares sobre o segredo de tamanha vitalidade, Ferreirinha seguiu à risca aquilo que fora combinado com Manuel Leal, diretor do jornal A Região, na véspera da viagem a São Paulo e respondeu que tomava muito suco de cacau.

Foi o suficiente para Jô Soares pedir: “atenção meus amigos do Sul da Bahia, me mandem vários pacotes de suco de cacau!”. A platéia veio abaixo e Ferreirinha ficou conhecido como “O Garanhão de Itabuna”, título do qual se orgulhava e procurava manter, sempre se vangloriando de seus “dotes garanhísticos”.




Aos 90 anos, questionado sobre o que achava do surgimento do Viagra, respondeu com ironia: “eu nem sei o que é isso, moço, comigo é ao natural mesmo e é todo dia”. Iolanda, a companheira que permaneceu com ele até o ultimo suspiro, numa comovente demonstração de afeto (ela que no início foi acusada de se casar por interesse, o que posteriormente se revelou uma terrível injustiça), apenas sorria diante a tagarelice de Ferreirinha.

Ferreirinha é também autor de outra frase impagável, ao justificar porque fazia tanta questão de divulgar sua paixão por Iolanda. “Na minha idade, casar com uma moça linda dessas e ninguém ficar sabendo, que graça tem?”. Nos últimos meses, Ferreirinha lutava contra os problemas de saúde e ainda assim fazia planos para comemorar seus 100 anos, no dia 8 de janeiro de 2010. “Não vejo a hora de sair do hospital, ficar em casa com Iolanda (ô, apetite!) e receber meus amigos”, dizia.

Não deu tempo. Um infarto fulminante transferiu a festa dos 100 anos para o céu ou outra dimensão, onde ele certamente está espalhando a luz e a alegria de quem passou pela vida terrena e deixou saudades. As anjinhas que tratem de bater suas asinhas para bem longe, por que o espírito do eterno menino Ferreirinha está nas nuvens!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

LUIZ INÁCIO DO BRASIL


Na década de 50 do século passado, o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues cunhou uma expressão para explicar porque, a despeito do talento de nossos jogadores, o futebol brasileiro sempre fracassava em Copas do Mundo, sucumbindo diante dos fortes mas duros de cintura europeus e até mesmo dos apenas raçudos uruguaios.
Nelson Rodrigues dizia que o brasileiro sofria de “complexo de vira-latas”, algo similar a uma incurável sensação de inferioridade.
Na Copa de 58, na Suécia, Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos e Cia. trataram de mostrar que vira-latas que late, também morde. Daí em diante, o Brasil se tornou o maior vencedor de Mundiais, com cinco conquistas.
Vencemos o nosso complexo de vira-latas?
Que nada!
Pelo menos para parte de nossas “cabeças pensantes”, continuamos sendo um povinho pé de chinelo, a abanar o rabo para as chamadas nações desenvolvidas.
O último exemplo dessa lógica ilógica, típica dos que acham que quanto pior melhor, foi a disputa pela indicação da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
A se depreender do que se lia e se ouvia em grande parte da mídia, que chance teriam o Rio de Janeiro terceiro-mundista diante da norte-americana Chicago, da européia Madri e da japonesa Tóquio, todas as capitais de primeiro mundo?
Nenhuma.
A comitiva brasileira na Dinamarca, onde se decidiu a escolha da cidade-sede, comandada pelo presidente Lula e que tinha entre seus integrantes um mito planetário chamado Pelé, quase foi comparada uma trupe de circo mambembe.
Quem era aquele ex-retirante, operário metalúrgico, que a perseverança e o destino transformaram em presidente do Brasil, para enfrentar Barak Obama, o presidente da maior potência do mundo, que foi à Dinamarca fazer lobby em prol de Chicago?
Pois foi esse presidente dono de uma biografia única quem se transformou numa espécie de porta-bandeira da auto-estima brasileira.
Lula, na contramão do complexo de vira-latas, se notabilizou em enaltecer a grandeza do Brasil e dos brasileiros. Um país fadado a ser um dos grandes do mundo, habitado por um povo criativo, empreendedor, capaz de superar (ou seria driblar?) todas as dificuldades.
Um presidente que quando o mundo mergulhou numa das piores crises econômicas de sua história (e quando muitos previram o apocalipse), disse que o Brasil iria atravessar a tormenta e sair ainda mais forte dela.
Saiu.
Um presidente vindo da pobreza e que como nenhum outro tirou tantos brasileiros da pobreza; um presidente com pouca escolaridade, mas que como nenhum outro colocou tanta gente na escola e abriu as portas da universidade para os estudantes carentes.
Um presidente que se parece com cada um de nós, porque essencialmente é isso mesmo: um de nós.
O Brasil, que vai sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 após 54 anos e que traz pela primeira vez uma Olimpíada para um país da América do Sul, caminha para ser a quinta potência econômica do planeta, mas acima de tudo é o pais que descobriu a sua auto-estima.
Evidente que não é o paraíso na terra e há muito que avançar em termos de educação, saúde, segurança pública, infra-estrutura e combate às desigualdades sociais.
Mas também não a casinha de cachorro do mundo.
Aos que ainda tentam nos impingir o complexo de vira-latas recomenda-se colocar o rabo entre as pernas.
Vão continuar latindo, enquanto a caravana passa e o Brasil de Luiz Inácio e de milhões se brasileiros que não desistem nunca seguem em frente.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"TIA, ME DÁ O LÁPIS AÍ"



Lá pelos idos de 1995, durante uma viagem à Cuba, país que nas décadas de 60 e 70 do século passado alimentou a fantasia revolucionária e socialista de uma geração oprimida pela ditadura militar brasileira, deparei-me com vários estudantes que, em vez de pedir dinheiro, apontavam para o bolso da camisa e pediam lápis e canetas.

Isso mesmo, lápis e canetas!

À época, com a derrocada da União Soviética e do esfacelamento do bloco socialista na Europa, Cuba vivia o chamado “período especial”, com racionamento de alimentos, energia elétrica e de combustíveis. Produtos banais como sabonetes, absorventes, pasta de dentes, lápis, canetas e cadernos se transformaram em “artigos de luxo” para os cubanos.

Era de cortar o coração observar meninos e meninas que, graças ao eficiente e gratuito sistema educacional cubano, já falavam dois ou três idiomas e que seriam futuros médicos, engenheiros, arquitetos, físicos, etc., abordarem os turistas para pedir material escolar.

De volta ao Brasil, consegui com a Petrobrás dezenas de caixas de cadernos, lápis, canetas e borrachas, que enviei a uma associação de amizade e solidariedade entre os povos latino-americanos, para serem entregues a estudantes de Havana.

Não salvei o mundo e nem resolvi o problema da falta de material escolar de Cuba, mas fiz a minha parte, pingo d´água naquele oceano de escassez e dificuldade, enfrentados com uma dignidade e altivez que raramente vi neste pais de dimensões e desigualdades continentais chamado Brasil.

As lembranças daquele ano de 1995 em Havana vieram à tona, diante de um depoimento enviado pela professora Sandra Abreu, da Universidade Estadual de Santa Cruz, que coordena um projeto de educação e multiculturalismo.

A professora conta que participava de uma apresentação teatral, reunindo estudantes de três escolas de Itabuna. Ali estavam estudantes com idade entre 7 e 14 anos.

Deixemos o relato para a própria professora:

- Após a apresentação da peça teatral, solicitamos aos alunos que apresentassem, em forma de texto, desenho ou frase, o que aprenderam sobre a peça... É claro, distribuímos lápis grafite para os alunos e em seguida eles deveriam devolver para que utilizássemos com os outros cidadãos e cidadãs das escolas que aderiram ao Projeto de Extensão em parceria com a UESC...

E aí entra a parte que resume as contradições do sistema educacional brasileiro e, porque não?, do próprio Brasil. Voltemos ao depoimento da professora:

- Observei um menino, com olhar ávido e ao final ele mantinha o lápis na mão! Ele veio me falar: "Me dê este lápis"! Segurava o lápis com as duas mãos... E eu disse: e os outros meninos e meninas que virão à tarde? Ele respondeu: “você tem muitos lápis e eu não tenho nenhum, tenho um pequeninho lá na escola e é da professora, todos os dias eu devolvo e em casa eu quero escrever e não tenho lápis”.

Conclui a educadora:

-Meu Deus, eu quase morri. Na escola há computadores e na casa do menino, em pleno século XXI, não há lápis para que um menino registre e dissemine o mundo por meio das letras, palavras e frases. A desigualdade está aí, viva, pulsante.

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Em Ilhéus, numa escola da rede municipal, sem material escolar, sem água, sem merenda e sem energia elétrica, a direção foi obrigada a recorrer a uma ligação clandestina, o popular “gato”, para que os estudantes não ficassem no escuro.

Um sistema de ensino onde faltam lápis, merenda, água e energia elétrica é, literalmente, a treva