sexta-feira, 31 de julho de 2009

SODOMA, GOMORRA E CAMORRA


O Congresso Nacional brasileiro a cada dia se parece mais com Sodoma e Gomorra, as célebres cidades bíblicas em que todas as perversões e todas as depravações eram permitidas.

Até que Deus se cansou e, num dia especialmente mau humorado, despejou sua santa ira sobre os pecadores inveterados, reduzindo a todos a pó e a sal.

Como uma versão moderna e ampliada de Sodoma e Gomorra, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, são palcos dos mais diversos pecados, que vão do nepotismo ao desvio de recursos públicos, passando pela contratação de empresas fantasmas, farra com passagens aéreas, empréstimos camaradas, recebimento de verbas ilegais e uma ´fila de etcéteras´.

No momento, o presidente do Senado, José Sarney, se apresenta como uma espécie de compêndio de desvios de conduta, capazes de transformar os moradores de Sodoma e Gomorra não em pacotes ou saches de sal, mas em anjos querubins, puros e castos.

Sarney, é bom que se diga, não é uma ´avis rara´ na fauna política. Há muitos outros de sua estirpe, alguns expostos momentaneamente aos holofotes, outros agindo na penumbra.

E quase todos desfrutando da sacrossanta impunidade.

É nessa imensa Sodoma e Gomorra que surge a versão brasileira da Camorra, o que pode até ser uma rima, mas nem de longe é uma solução.

A Camorra e as demais máfias brotadas na Itália e espalhadas mundo afora, tem alguns códigos de honra que as tornam temidas e perigosas a quem ousa enfrentá-la.

O seu nada ortodoxo ´modus operandi´ inclui a chantagem e a intimidação, tanto para suas operações quando para a proteção de seus membros. Romper a Omertà equivale a assinar um estado de óbito.

E é justamente esse espírito digno da Máfia que impera no Senado, por conta da agonia de José Sarney na presidência da Casa (da Mãe Joana?), a cada dia a alvejado por uma nova denuncia. A execração de Sarney coincide com a entrada em cena da tropa de choque de seu partido, o PMDB, antigo bastião de resistência à Ditadura Militar, mas que com a redemocratização do Brasil tornou um ícone do fisiologismo e do apego aos cargos públicos e suas vantagens.

Com a maior desenvoltura, a tropa de choque comandada por esse baluarte que atende pelo nome de Renan Calheiros, vem distribuindo ameaças a todos os que ousam pedir a cabeça de José Sarney, no melhor estilo ´se ele cair, cai um monte de gente junto”, com a mensagem subliminar: “a gente sabe os podres de todo mundo”.

Salvo um ou outro imune os pecadilhos e ao espírito de corpo, a tática vem funcionando. Quase sempre funciona nesse, perdão, surubão da indecência em que se transformou a atividade política.

Fato é que, neste misto de Sodoma e Gomorra com pitadas de Camorra, caso Deus tivesse um novo acesso de divina fúria e despejasse castigo idêntico ao Congresso Nacional, a produção brasileira de sal seria quintuplicada.

O produto em questão, como a piada, seria de má qualidade, reconhecemos.

Em sendo assim, melhor que esperar pelo improvável castigo divino e por uma ainda mais improvável punição para os maus políticos, é usar uma arma menos letal, porém eficiente: o voto.

A não renovação do mandato, essa sim, é o verdadeiro inferno para quem se acostumou aos céus da mordomia e do vale tudo.

Alguns iriam preferir virar sal.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

BEBER, CAIR E LEVANTAR

Aconteceu na abertura de um concurso de Miss:




Olhaí ZéSarney. Isso é que é cair com classe.

JOGO DE GOLFE


Moisés, Jesus e um velhinho estavam jogando golfe.

Moisés deu sua tacada e a bolinha caiu no lago. Ele foi lá, separou as águas e deu outra tacada. A bolinha caiu a 10 centímetros do buraco.

Jesus deu a tacada. A bolinha caiu no lago. Ele foi lá, andou sobre as águas e deu outra tacada. A bolinha caiu a 5 centímetros do buraco.

Foi a vez do velhinho dar a tacada. A bolinha caiu no lago. Um peixe soprou a bolinha que foi parar no bico de um passarinho que voava sobre o lago. Veio uma águia e bicou o passarinho que soltou a bolinha, que caiu na grama. Aí veio um coelho que rolou com a bolinha e ela foi cair justamente dentro do buraco.

Aí, Moisés não se conteve:

-Pô, Jesus, jogar golfe com o seu Pai é fogo!!!!!!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

ESCOLINHA DO PROFESSOR SARNEY

DEU NA COLUNA DO ZÉ SIMÃO

Piada verídica que corre na internet! Um cara tava passando em frente ao Senado e ouviu os gritos: "Bandido, salafrário, vigarista, traficante, preguiçoso, vagabundo!". É briga? Não, estão fazendo a chamada! O mentiroso e o vendido faltaram!?

TEMPOS MODERNOS DE ANTIGAMENTE



A foto tirada por Duda Lessa no paupérrimo bairro da Bananeira em Itabuna é daquelas que falam por mil palavras.

Não apenas falam, mas gritam!

terça-feira, 28 de julho de 2009

DOR NA ´PRÓSTA´



Se tem uma coisa de que político não consegue se livrar é pedinte. Com mandato ou sem mandato, sempre tem aquele grupinho manjado que pede quando precisa e também quando não precisa.

E haja criatividade na hora de descolar algum!

Certa feita, acompanhando o então prefeito de Itabuna e hoje deputado federal Geraldo Simões numa visita ao bairro Maria Pinheiro, pude presenciar uma cena inusitada.

Uma senhora, nos seus sofridos cinqüenta e poucos anos, encostou em Geraldo e pediu, na maior seriedade.

-Ô seu prefeito, me dê uma ajuda pra comprar um remédio, que eu não tô me agüentando de dor na ´prósta´...

Foi isso mesmo que você entendeu: dor na próstata!

Refeito do susto, Geraldo sacou 20 reais do bolso, entregou à mulher e ainda disse:

-Depois me diga se a senhora melhorou, para eu não ficar preocupado...

Da ´prósta´ ela deve ter melhorado, porque a nova abordagem, poucos dias depois, foi menos prosaica. Dessa vez, a ajuda era para comprar um botijão de gás, pagar a conta de luz ou algo assim.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

OBINA É MELHOR QUE...OBINA!


Obina pode não ser melhor do que Eto´o, mas é está mostrando que é melhor do que...Obina!

Isso mesmo. No futebol paulista, jogando pelo Palmeiras, o atacante revelado pelo Vitória está deixando de ser uma piada carioca, uma caricatura de si mesmo, e se mostrando um atacante eficiente, com ganas de artilheiro.

No domingo, ´matou´ o Corinthians e ofuscou Ronaldo, que é bom dizer, é melhor que um caminhão lotado de Obinas e Eto´os.

Piada mesmo é o futebol jogado por alguns times do Rio...

ITABUNA


No princípio era um rio, às vezes caudaloso, às vezes sereno, em seu caminho inexorável rumo ao mar; rasgando a natureza exuberante e cortando a mata que já recebia um fruto que durante décadas muitos acreditaram ser de ouro.

E tinham motivos de sobra para isso.

Às margens desse rio, que em alguns de seus trechos mais parecia uma cachoeira, surgiu um amontoado de casas modestas.

Que se transformaram num povoado, depois numa vila, depois numa cidade, depois numa metrópole...

Itabuna!

99 anos de história a partir de sua emancipação de Ilhéus.

Uma historia que começou antes mesmo da emancipação, com os desbravadores, que com coragem, sacrifício e espírito empreendedor construíram as bases de uma cidade única em sua capacidade de superar crises, de se redescobrir.

Se Itabuna pudesse escolher a marca que a caracterizasse, essa marca seria indubitavelmente o empreendedorismo.

Geração após geração, Itabuna produz pessoas com dinamismo suficiente para mantê-la como uma das principais cidades da Bahia e do Nordeste, um pólo econômico em que gravita no seu entorno quase uma centena de municípios.

A Itabuna que um dia foi a Capital do Cacau, abateu-se com a decadência do fruto que perdeu o brilho, mas se reinventou como pólo comercial e prestador de serviços e se firmou como referencial na saúde, no ensino superior.

Itabuna que pulsa, que vibra.

Cidade aberta, que trata com o mesmo carinho seus filhos e os filhos que se deixaram adotar por ela.

Cidade de gente que celebra a vida, nos bares lotados, na conversa despretensiosa, nas madrugadas boêmias.

Cidade do shopping, que lhe deu ares cosmopolitas; dos prédios que avançam aos céus, como que mostrando a sua capacidade de romper limites, de sonhar sempre, de ousar.

Itabuna de tantos nomes, que misturaram suas histórias de vida com a História de uma cidade viva.

Itabuna, dos problemas que não podem ser ignorados, com sua periferia pobre e desassistida, dos milhares de excluídos sociais, dos governantes sem compromisso com a cidade.

Mas, uma Itabuna infinitamente maior do que seus equívocos e seus problemas.

Uma Itabuna que nos orgulha, cidade-menina entrando na contagem regressiva de seu primeiro centenário.

Feito o rio que lhe viu nascer, ainda frágil e insegura, uma cidade que segue seu rumo inexorável rumo ao futuro que construímos a cada dia.

A nossa cidade.

Itabuna!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

ATÉ QUE LULA NÃO OS SEPARE


Há cerca de duas semanas, as relações entre o PT e o PMDB na Bahia haviam atingido um nível tal de pressão que o rompimento parecia inevitável.

Fustigado pelo PMDB desde o início de seu governo, com a insistência de Geddel Vieira Lima em se lançar candidato a governador, Jaques Wagner rompeu o silêncio com que recebia as provocações e num rompante atípico para seu estilo conciliador, disse entre outras coisas que alianças existem enquanto são benéficas para todos e não apenas para uma das partes. Disse também que era ele, e não o PMDB, quem decidiria até onde iria a convivência entre os dois principais partidos da base aliada.

Foi uma clara alusão aos cargos ocupados pelo PMDB no governo estadual, dos secretariados aos escalões menores.

A resposta de Wagner, aliada à convicção com que Geddel defendia a candidatura própria do PMDB ao Governo do Estado (no caso, a própria candidatura) fez com que muita gente imaginasse que a separação era uma questão de horas.

Passaram-se as horas, os dias, as semanas e a crise de relacionamento discutida abertamente e ameaçando descambar para a troca de insultos, arrefeceu.

Desavenças, e elas permanecem, estão sendo discutidas intramuros ou sob os lençóis, longe dos holofotes e do falatório.

Nesse interregno, houve um elogio explícito do presidente Lula a Geddel Vieira Lima, durante um encontro com prefeitos de todo o País. O presidente, do alto de sua estratosférica popularidade e com a costumeira grandiloqüência, citou Geddel como um dos melhores ministros que já ocuparam a pasta da Integração Regional.

O elogio, que poderia fazer Geddel inflar e sair alardeando sua candidatura e ao mesmo tempo fazer Wagner trilhar os dentes de raiva, teve efeito contrário.

Nem Geddel fez foguetório, nem Wagner estrilou.

O que se viu dali em diante foi uma calmaria, alimentada por um ou outro comentário, do “eles vão acabar se entendendo” ao “não tem jeito, Dilma terá dois palanques na Bahia”. Mas, nada sem muita bconvicção.

Fica patente, embora em política o que se escreve hoje pode ter o mesmo valor de uma nota de três reais amanhã, é que Lula conseguiu serenar os ânimos entre petistas e peemedebistas na Bahia, que estão se dando mais uma chance (talvez a verdadeira) de discutir a relação e manter um casamento que será bom - e conveniente- para ambos.

Com o PMDB na base aliada, a reeleição de Wagner se torna uma tarefa menos árdua.

Eleitos Wagner governador e Geddel senador, o sonho do peemedebista de ocupar o Palácio de Ondina não será sepultado, apenas adiado. E será ainda mais possível do que caso ocorra um eventual retorno do carlismo ao poder.

Os casamentos na política, que costumam unir o improvável e mesmo o impossível, dispensam veleidades como amor e afeto. Exigem um certo nível de respeito e companheirismo, sem os quais descambam para a troca de sopapos.

É mais ou menos na base do “foi bom pra você também?”

Tendo o velho “Lulinha paz e amor” (ou “Lulinha por Dilma eu chamo até Collor e Sarney de meu bem”) como alcoviteiro, não se duvide que, entre tapas e beijos, prevaleçam os beijos.

Pelo menos até que uma outra eleição os separe...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PAÍS DO FUTURO

NO MUNDO DA LUA



O mundo celebra esta semana os quarenta anos de sua maior epopéia em todos os tempos, aquela em que, numa frase de efeito perpetrada para ficar gravada na memória, Neil Armstrong definiu como “um pequeno passo para o homem, um grande passo para a Humanidade”.

Há quatro décadas, quando a Apolo 11 realizou com êxito uma missão cercada de riscos e incertezas, o homem punha pela primeira vez os pés na Lua.

O que pouco se divulga é que a chegada do homem à Lua foi fruto menos do interesse científico e mais de uma disputa pela hegemonia do planeta, em plena Guerra Fria envolvendo Estados Unidos e União Soviética. A corrida espacial, espécie de Fórmula 1 do Cosmo, era a jóia da coroa dessa competição entre as duas super-potencias.

Capitalismo x Comunismo.

Os soviéticos haviam colocado o primeiro satélite, o Sputinik; o primeiro cão, a cadela Laika; e o primeiro homem, Yuri Gagarin, no espaço sideral.

Feito aquelas disputas entre Ilhéus x Itabuna, em que se a primeira tinha um aeroporto a segunda também deveria ter (e só não tem porto porque um candidato que prometeu uma praia -e consequentemente um mar- para Itabuna não foi eleito); os americanos acharam que só havia um jeito de dar uma lição nos “tovariks”: mandar um homem à Lua.

Promessa cumprida em julho de 1969, embora muita gente (menos os soviéticos, por incrível que pareça) acredite até hoje que tudo não passou de uma farsa. Para esses, a Lua continua sendo uma imensa bola de queijo ou a casa de São Jorge, em sua eterna luta contra um dragão soltando imensas labaredas de fogo.

O capitalismo derrotou o comunismo, modelo baseado na igualdade e justiça social, que por obra e graça de um ditador sanguinário chamado Josef Stalian transformou-se num regime totalitário e opressor; e os norte-americanos fizeram mais alguns passeios à Lua, mas o salto ficou reduzido ao primeiro passo.

O que naquele final dos conturbados anos 60 parecia um caminho natural, chegar a outros planetas do Sistema Solar, avançar pela Via Láctea e atingir a outras galáxias em naves tripuladas, não passou da categoria sonho.

A tecnologia atual torna arriscadas para o homem até viagens a planetas vizinhos como Venus e Marte. Uma viagem a Júpiter, o maior dos planetas, levaria dez anos.
Chegar à estrela mais próxima fora do Sistema Solar, Centauri, duraria 73 mil anos.

Não seria o caso, portanto, de se olhar menos para o alto e um pouco mais para os lados?

Afinal, o mesmo homem que conseguiu chegar à Lua, não consegue reduzir a astronômica desigualdade entre seus iguais, nem evitar a devastação desenfreada do planeta que é e ainda será por muito tempo sua única casa habitável.

O grande salto para a humanidade talvez seja tornar o planeta Terra mais habitável e reduzir a distância que separa os poucos ricos dos muitos pobres.

Parece sonho de quem vive no mundo da Lua, mas será real se todos fizerem a sua parte.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

DANIEL DO CAIXÃO

Nos Estados Unidos, um deputado convocou a imprensa, admitiu que era corrupto e, diante das câmeras de televisão, se matou com um tiro na boca.

Se a moda pega no Brasil, deixo de lado essa bobagem de jornalismo e abro uma funerária em Brasília. Dá mais dinheiro do que ganhar sozinho na megasena.

DESCULPE, FOI ENGANO


Entre assaltos, arrombamentos, roubos de veículos e assassinatos aos montes, faltava uma chacina para inserir definitivamente e de forma trágica Itabuna como uma das cidades mais violentas do país, nivelando-se as grandes metrópoles naquilo que elas tem de pior e de mais desumano.

Não falta mais.

No ultimo final de semana a paupérrima Baixa Fria, no igualmente paupérrimo bairro Maria Pinheiro, foi palco de uma chacina que provocou três mortes e ainda deixou uma pessoa ferida.

Anderson de Jesus, 17 anos; Danilo Silva, 20 anos; e Valdeir Oliveira, 25 anos, foram assassinados friamente em meio a um tiroteio infernal, após a invasão do barraco onde moravam por dois homens que nem se deram ao trabalho de esconder os rostos.

Cleidiane Rocha Silva, de 20 anos, sobreviveu para contar a história.

E adicionou um toque de ironia a essa história, como se pudesse haver alguma ironia numa chacina em que três pessoas são barbaramente assassinadas.

Anderson, Danilo e Valdeir, que não tinha passagens pela polícia, foram mortos por engano. A casa em que moravam era, até uma semana atrás, ocupada por traficantes, que entregaram o imóvel e de mudaram para outro lugar, onde certamente continuam a exercer sua rentável -e quase sempre impune- atividade.

Os assassinos, que certamente tinham o traficante como alvo, não foram avisados da mudança de endereço. Como de praxe, chegaram atirando e acabaram matando três pessoas.

Por engano!

Por engano ou sem engano, outras três pessoas foram assassinadas em Itabuna em mais um daqueles finais de semana sangrentos, que estão se tornando rotineiros em Itabuna.
Luzimário da Silva Nascimento foi morto no bairro de Ferradas, Genivaldo Lima dos Santos no Pedro Jerônimo e Nailton Guilherme Filho na Bananeira.

Seis mortes num final de semana, a chacina aí incluída.

Em Ilhéus, que se rivaliza com Itabuna até nessa insuportável escalada de violência, foram três homicídios.

É muita gente morrendo nesse mar de sangue e dor em que as duas maiores cidades do Sul da Bahia se transformou.

Enquanto isso, fazem-se pactos pela paz, proferem-se discursos anti-violência, prega-se a união de esforços para reduzir a criminalidade.

Tudo muito bonito, bem intencionado.

Mas absolutamente ineficaz enquanto não se passar da intenção à ação.

E ação é justamente o que está faltando, nessa guerra em que não dá para enfrentar o “ra-tá-tá” dos tiros com o “blá-blá-blá” dos discursos inúteis e repetitivos.

Por que, a violência, repetitiva e cada vez maior, já passou de todos os limites.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

GARRINCHA TOCA PARA ROMARIO


Garrincha, o anjo torto de pernas tortas e alma de passarinho, foi um gênio com a bola nas pés e um desastre na vida fora dos gramados.

Em campo, entortava adversários, dava passes espetaculares que transformavam atacantes apenas esforçados em artilheiros mortíferos e reinava absoluto na ponte direita.

Garrincha, com Pelé machucado e fora de combate, ganhou sozinho a Copa do Mundo de 62, disputada no Chile, onde além de dribles desconcertantes e passes precisos, fez improváveis gols de falta e de cabeça.

Cabeça era justamente o que faltava a Garrincha fora dos gramados. Colecionou mulheres e filhos que dariam para encher um harém e uma creche e tinha uma paixão compulsiva pela cachaça. Era clinicamente um alcoólatra, situação que se agravou depois que sua magia se esvaiu, as pernas não obedeciam aos desejos do cérebro e ele virou uma sombra de si mesmo, despertando compaixão quando tentava ser Garrincha e era apenas um Mané.

No auge dessa via crucis rumo ao abismo, Garrincha chegou a jogar, ou simular qualquer coisa remotamente parecida com isso, em Itabuna, quando fazia uma série de exibições por times mambembes pelo Norte/Nordeste. Estava financeiramente quebrado e consumido pelo álcool.

O anjo dos gramados havia se transformado num fantasma.
Garrincha driblou Deus e o mundo nos gramados, mas não driblou o destino de sua vida.
Morreu numa noite solitária, os órgãos vitais dilacerados por hectolitros de bebida, na mais absoluta miséria.



Romário, baixinho, favelado e rebelde, driblou a pobreza que o destino lhe reservava, com gols, muitos gols.

Senhor absoluto da pequena área, faro infalível para balançar as redes, foi astro inquestionável no Vasco da Gama, no Barcelona, no Flamengo e de novo no Vasco da Gama. Beirando os 40 anos, conseguiu ser a proeza de ser artilheiro do Campeonato Brasileiro e, incluindo até partidas de pebolim, pelas suas contas chegou aos mil gols,

Estatísticas mais sérias, apontam que ele passou dos 950 gols, o que de qualquer maneira é muita coisa.

Romário, jogando numa Seleção Brasileira retrancada e sem nenhum fora de série, além dele próprio, ganhou praticamente sozinho a Copa do Mundo de 94, disputada nos Estados Unidos. Seus gols, incluindo um improvável de cabeça nas semifinais, contra a Suécia, foram decisivos para a conquista do tetra.

Cabeça parece ser o que anda faltando a Romário. Como Garrincha ele é pródigo em colecionar mulheres e gerar filhos. A diferença é que não bebe uma gota de álcool. Mas, como seu colega de pernas tortas, é um desastre em administrar o dinheiro que o talento com a bola gerou.

Situação que culminou, semana passada, com uma prisão por conta do não pagamento da pensão relativa aos dois filhos de seu primeiro casamento e de uma lamentável exposição na mídia, coroada por uma constrangedora reportagem de quase 10 minutos no Fantástico, programa dominical da Rede Globo, emissora que tantas vezes o bajulou e que forçou, sem sucesso, sua convocação para a Copa de 2002.

Para os amantes do futebol, é triste ver ídolos como Garrincha e Romário serem lembrados não pela magia e genialidade, mas pela decadência, como anjos caídos e não como deuses da bola, eternos pela magia que produziram, elevando em arte essa paixão planetária que é o futebol.


PRORROGAÇÃO





Aos que ainda não leram, este blogueiro recomenda o livro “Estrela Solitária”, biografia de Garrincha escrita de forma brilhante por Ruy Castro.

O livro, que chegou a ser proibido a pedido da família do ex-jogador , mostra um Garrincha que poucos conhecem e que, como poucos, subiu ao mais alto dos cumes, chamado Fortuna, e desceu ao mais profundo dos vales, chamado Miséria.

Um Garrincha humano demasiadamente humano, como diria Nietzsche, que ao contrário do que alguns podem imaginar, não era nenhum ponta alemão descadeirado pelos dribles do maior ponta direita que o mundo já viu jogar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

ENFIM, JUNTO DE DEUS!



Dom Paulo Lopes de Faria, o bispo dos humildes, o pastor dos pobres, o ser humano especial que teve participação ativa em todos os movimentos sociais de Itabuna durante mais de uma década; enfim encontrou o seu lugar no mundo.

Melhor, o seu lugar na eternidade.

De Dom Paulo pode se escrever, sem parecer piegas, que cumpriu sua missão terrena e agora está ao lado de Deus, lugar destinado às pessoas de bem.

E junto de Deus, certamente Dom Paulo continuará zelando pelos mais humildes, que foram a sua razão de viver.

Em Itabuna, a presença de Dom Paulo coincidiu com a eclosão de uma das piores crises, senão a pior, já enfrentadas pela Região Cacaueira.

Uma crise que jogou centenas de milhares de pessoas na mais absoluta miséria e que formou um imenso bolsão de miséria na periferia de Itabuna.

Foi essa gente humilde, desassistida e à mercê de administradores mais preocupados com obras faraônicas do que com investimentos em infra-estrutura e investimentos em programas sociais, que Dom Paulo defendeu, conciliando sua missão de pastor de almas com uma presença marcante nos movimentos sociais.

Dom Paulo não teve medo de enfrentar os poderosos e nem se curvou às inúmeras pressões (vindas de fora e também de dentro da Igreja) para limitar sua atuação à função religiosa.

Foi um religioso do seu tempo, num tempo em que à Igreja não cabia apenas oferecer o reino dos céus e o conforto espiritual, mas também o apoio a uma vida digna aqui mesmo na terra.

Não é apenas coincidência o fato de que seu período de bispado em Itabuna se dado no momento em que houve um sopro de renovação na política e o fortalecimento dos movimentos sociais.

Não é sua culpa que esse processo tenha se arrefecido. O bom pastor pode até ensinar o caminho, mas não pode evitar que se desvie dele.

Dom Paulo, obviamente, está longe de ser uma unanimidade em Itabuna. Nem isso seria possível para alguém com seu perfil.

Mas é, sem sombra de dúvidas, uma das mais fascinantes personalidades de uma cidade que, prestes a completar seu primeiro centenário, está por lhe devotar um merecido tributo.

A celebração do primeiro centenário de Itabuna vem a calhar para essa homenagem mais do que justa à alguém que tanto lutou por justiça social.

O ENCASTELADO E O FAMOSO

Acabou em nada o processo contra o deputado Edmar Moreira, acusado de uso indevido da verba indenizatória. Por nove votos a três, os integrantes do Conselho de (falta de) Ética salvou o mandato de Edmar e escreveu mais uma página vergonhosa no volumoso livro de impunidade, best seller inquestionável do Congresso Nacional.

Edmar Moreira é o célebre deputado do castelo avaliado em 25 milhões de reais, não declarado à Receita Federal, cujo processo de salvação (e não de cassação), passou por três relatores, sendo o último deles o deputado baiano Sérgio Brito. Para justificar a absolvição, o parlamentar perpetrou uma aberração, alegando que o uso de verba indenizatória para o pagamento de serviços prestados por empresas da própria família só foi proibido a partir de sete de abril deste ano, data posterior ao pecadilho de Edmar..

Em sendo assim, Brito considerou que até a publicação da portaria, o procedimento não era considerado infração. Era prática comum.

Note-se que a portaria só foi publicada após uma série de denuncias publicadas pela mídia dando conta do uso indevido das tais verbas indenizatórias. Não fosse isso e a farra teria continuado pelos séculos e séculos amém.

Poupado pelo espírito de corpo e de auto-preservação que impera no Congresso Nacional -e também nas Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais por esse Brasil afora- Edmar Moreira continuará encastelado em Brasília, com o mandato preservado, e poderá desfrutar de seu castelo mineiro, visto que essa casta só costuma bater ponta na Capital Federal de terça a quinta feira.

Antes de fechar as cortinas do espetáculo circense em torno do processo que salvou Edmar Moreira, não poderia deixar de entrar em cena o deputado gaucho Sérgio Moraes, aquele que estava se lixando para a opinião pública, depois afirmou que Moreira poderia continuar andando de cabeça erguida e que tinha certeza de sua reeleição em 2010.

E Moraes entrou em cena, em seu melhor estilo.

Comemorou a mais do que previsível absolvição de Moreira e ainda ironizou, afirmando que depois dessa exposição toda na mídia ficou famoso. "Essa polêmica me deu muitos pontos. Nunca recebi tantos convites na vida, ganhei espaço", gracejou.

Se é o esse tipo de fama que ele e seus colegas buscam, temos então a versão do Big Brother Brasília, em que a ética é chutada para escanteio e o que importa mesmo é se dar bem. Ficar famoso.

E ainda por cima embolsar um milhão, vários milhões, sabe-se lá o que mais, porque apesar de um ou outro trambique descoberto, essa não é nem de longe a casa mais vigiada do Brasil.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

“Sou bandido e tenho uma corda chamada Teresa”


Que beleza!

A Teresa em questão não é a nega imortalizada na música de Jorge Benjor, que além de ter uma nega supimpa chamada Teresa, tem um time chamado Flamengo, aí sim um gosto discutível.

A Teresa em questão é o apelido dado a uma corda feita com lençóis, que os bandidos usam em suas fugas.

Quando se é bandido e se tem uma corda chamada Teresa, parece que as fugas se tornam mais fáceis.

E elas se tornam ainda mais fáceis quando, além de ser bandido e ter uma corda Teresa, em vez de ter um time chamado Flamengo, tem-se a primazia de estar hospedado (esse é o termo que mais se encaixa aqui) numa cadeia do Sul da Bahia.

Por que beira o inacreditável a facilidade com que se foge das cadeias, sejam elas de grandes cidades como Itabuna e Ilhéus ou dos pequenos e médios municípios.

A Casa de Detenção de Itabuna, de triste memória, ficou celebrizada por fugas constantes, como se os bandidos dispusessem se uma espécie de passe livre para sair na hora em que bem entendessem.

O presídio itabunense que não conseguia manter. os detentos detidos (sim, isso existiu) ficou célebre quando uma inofensiva vaquinha que pastava do lado de fora da cadeia se assustou com o barulho provocado durante uma tentativa de fuga e mugiu tanto que chamou a atenção dos policiais militares.

A ação foi abortada, mas dada a impossibilidade de nomear a vaca agente de presídio (dos mais atentos, diga-se), ela provavelmente virou churrasco. E as fugas continuaram.

Ou melhor, elas continuam.

A mais recente fuga em massa aconteceu na Cadeia Pública de Coaraci, onde 22 presos fizeram um buraco na laje do teto, pegaram a corda chamada Teresa e saltaram rumo à liberdade.

Não estamos falando da fuga de dois ou três presos, mas de vinte e dois presos. Dois times completos de futebol. Com um pouco de espírito esportivo, ainda daria tempo de um joguinho de futebol na área externa da cadeia, antes que cada qual tomasse o seu rumo.

Assassinos x Arrombadores.

Ou Assaltantes x Traficantes.

O humor é despropositado diante de uma situação tão grave, reconhecemos. Mas, piada mesmo é chamar de segurança um sistema prisional em que vinte e dois presos conseguem abrir um buraco no teto da cela, pegar uma corda e fugir sem que ninguém perceba.

Ou será que alguém percebe e se faz de cego, surdo e mudo, o que é ainda pior?

O fato é que a combinação perversa de deficiência da estrutura com a conivência de alguns maus policiais, acaba fazendo com que essas fugas se tornem uma prática comum, permitindo que bandidos perigosos ganhem a liberdade para voltar a matar, assaltar, traficar drogas...

Nem é preciso ser Flamengo, basta ter uma corda chamada Teresa.

Que beleza, que nada.

Que vergonha, isso sim!

terça-feira, 14 de julho de 2009

TAPE O NARIZ ANTES DE ENTRAR


Não demora muito e a Caixa Econômica Federal vai acabar instalando um medidor de ar no interior de suas agências

Se não o fez ainda, certamente foi porque não conseguiu encontrar um meio de calcular e cobrar uma taxa pelo ar respirado pelos clientes.

Por que, no mais, o tal “banco social” está taxando tudo, até o saque em caixa eletrônico, coisa que nem os bancos privados se atrevem a fazer.

Vem (ser explorado) pela Caixa, você também!

NEM SÓ JESUS SALVA


Dessa vez Salomé ficou com a bandeja na mão e João Batista manteve sua preciosa cabeça colada ao corpo.

Mas que foi por pouco, foi,,,

E mais não digo.

Nem escrevo!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

PUTA QUE PARIU!

Deu na BBC Brasil

Falar palavrão pode aliviar dor física, diz estudo

Falar palavrões pode ajudar a diminuir a sensação de dor física, segundo um estudo da Escola de Psicologia da Universidade de Keele, na Inglaterra, publicado pela revista especializada NeuroReport.

No estudo, liderado pelo psicólogo Richard Stephens, 64 voluntários colocaram suas mãos em baldes de água cheios de gelo, enquanto falavam um palavrão escolhido por eles.

Em seguida, os mesmos voluntários deveriam repetir a experiência, mas em vez de dizer palavrões, deveriam escolher uma palavra normalmente usada para descrever uma mesa.

Enquanto falavam palavrões, os voluntários suportaram a dor por 40 segundos a mais, em média. Seu relato também demonstrou que eles sentiram menos dor enquanto falavam palavrões.


O que está claro é que falar palavrões provoca não apenas uma resposta emocional, mas também uma resposta física, o que pode explicar por que a prática de falar palavrões existe há séculos e persiste até hoje, afirma o estudo.

sábado, 11 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

TERRAS DAS MORTES SEM FIM


-Seu babaca, você não sabe nem atirar...

-Vou te mostrar que eu sei...



“Bum”!

Um tiro só.

E Débora Pereira de Jesus, de 27 anos, moradora do bairro Santa Catarina, em Itabuna, descobriu de forma trágica que Luiz Gonzaga Lima, de 18 anos, sabia atirar.

O disparo feito por Luiz foi tão certeiro e fatal que Débora morreu antes mesmo de ser levada ao hospital.
Contando assim, parece uma inocente crônica do cotidiano numa região marcada pela violência.

É sim, uma crônica do cotidiano, mas não tem nada de inocente, muito pelo contrario.

A polícia de Itabuna registra cerca de 2.500 ocorrências por ano, entre elas quase mais de uma centena de assassinatos. Ilhéus tem números idênticos e observem que está se falando aqui apenas das ocorrências registradas, visto que centenas, talvez milhares de ocorrências menores, deixam de ser registradas, já que as vítimas nem se dão ao trabalho de ir à delegacia.

Os homicídios representam 6,4% das ocorrências superando o roubo de veículos com 5,5% e do tráfico de drogas e dos assaltos a ônibus, com 3,9. Se bem que, vale lembrar, o tráfico de drogas está associado a vários outros tipos de ocorrências, daí que esse percentual deve ser relativizado.

Os números, divulgados durante o lançamento do mais do que necessário Pacto Municipal Contra a Violência em Itabuna, servem como retrato de uma situação calamitosa, que já passou de todos os limites suportáveis. Mas, tornam-se até dispensáveis, tão visível é a violência, escancarada em assassinatos, roubos, arrombamentos e agressões.

Assassinatos por motivos banais, como o que vitimou Débora Pereira de Jesus, tornaram-se corriqueiros. Mata-se por qualquer motivo ou mesmo sem nenhum motivo.

A violência é um misto de ausência de perspectivas, desequilíbrio pessoal, serviços públicos precários e um sistema de segurança pública que não consegue proteger o cidadão. É fato que boa parte das ocorrências, incluindo-se aí os assassinatos, poderia ser evitada caso houvesse uma polícia mais atuante e em condições de trabalhar de forma satisfatória.

A implantação de um Pacto Municipal Contra a Violência, envolvendo as policias Civil e Militar, o Poder Judiciário, o Ministério Público, o Governo Municipal e entidades representativas da sociedade civil organizada; é uma boa intenção, mas tem que sair do campo do discurso e passar à ação e articulação no sentido de melhorar a segurança pública.

É preciso dar um basta à violência numa região celebrizada por Jorge Amado em romances de antologia como “Terras do Sem Fim” e que hoje se transformou na “Terra das Mortes Sem Fim”.

DE CABEÇA ERGUIDA


Esqueçam o deputado baiano José Carlos Araujo e seus alegados quilinhos a mais durante os excessos juninos. Isso é coisa menor, ínfima, diante do mais recente e deprimente espetáculo proporcionado pelo Congresso Nacional.

Como era previsível, o deputado Edmar Moreira, aquele do castelo avaliado em 25 milhões de reais não declarado à Receita Federal, que já havia escapado da cassação do mandato, escapou também de qualquer tipo de punição, já que até a sua suspensão temporária foi rejeitada pelo Conselho de Ética (sic).

Na prática, o processo contra ele acabou.
O resultado foi a impunidade.

O encastelado Edmar é acusado de usar a verba de mordomia, perdão verba de representação, de forma irregular, emitindo notas frias para embolsar o dinheiro.

A absolvição de Edmar Moreira não chega a ser uma novidade e nem causa surpresa. O corporativismo costuma ser prática corrente no Congresso Nacional e as cassações só ocorrem em momentos extremos, quando não dá para esconder a sujeira debaixo do colossal tapete onde tantas sujeiras são depositadas.

Moreira escapou da cassação, mas não escapamos de mais um espetáculo de cara de pau, de escárnio e desrespeito, transmitido pelas principais redes de radio e de televisão do país.

Não satisfeito com mais esse conchavo entre compadres que se protegem o deputado Sérgio Moraes, aquele que disse que estava se lixando para a opinião pública, resolveu esculachar.

Disse, em alto e bom som, que o colega Edmar deveria “andar de cabeça erguida” pelo Congresso Nacional e em qualquer lugar que fosse, porque não devia nada para ninguém.

E ainda tripudiou:
-No ano que vem, a gente se reelege e estará de volta em 2011...

Teve mais:
-Eu tenho certeza de que vou me reeleger.

Alguém ai se lembra o que é voto de cabresto?

O que o nobre deputado Sérgio Moraes disse durante o circo da absolvição de Edmar Moreira pode ser traduzido da seguinte maneira: danem-se (a expressão é outra, mas esse é um espaço pudico) a imprensa e a opinião pública, porque na hora da eleição tem um monte de otários que votam na gente e isso é o que importa.

O pior é que Sérgio Moraes está coberto de razão,

Eles podem desviar recursos públicos, embolsar verbas de forma irregular, legislar em causa própria, serem financiados por empreiteiros, industriais, banqueiros, etc., para depois defenderem interesses escusos; e continuarão de cabeça erguida.

Sabem que, além gozarem na plena impunidade, eles sempre voltam.

E voltam porque são eleitos, reeleitos, re-reeleitos

Voltam porque - é forçoso dizer e continuar repetindo porque o tema é recorrente- é o povo (ou seja, nós!) quem os mantêm lá.

É mais ou menos assim: a gente vota de cabeça baixa e eles voltam de cabeça erguida.

Sempre.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

OS GORDOS E OS MAGROS



É claro que o deputado federal baiano José Carlos Araujo, que vem a ser presidente do Conselho de Ética, estava fazendo um gracejo quase inocente quando comentou que os trabalhos no Congresso Nacional teriam que ser mais amenos por conta da ressaca dos festejos juninos. “Acho que até engordei uns quilinhos”, brincou o parlamentar, se referindo à profusão de comidas e bebidas típicas que marcam essa festa genuinamente nordestina.

Daí, parece despropositada a reação do jornalista Ricardo Boechat, que durante a programação da Band News, referindo-se ao comentário feito por Araujo, perpetrou ao microfone que os deputados brasileiros são um “bando de cafajestes que se reúnem para fazer cafajestadas”. Fez mais: ao mesmo tempo em que disse que não se referia especificamente contra o Congresso Nacional, comparou de maneira enviesada aquela nobre Casa de Leis (às vezes não tão nobre assim) a uma penitenciária e um prostíbulo.

É de se supor que Boechat tenha visto na afirmação do parlamentar uma espécie de escárnio e reagiu com uma espécie de ira santa, traduzindo um sentimento de indignação que toma conta dos brasileiros, não necessariamente pela barriguinha proeminente do deputado que queria uma afrouxada na agenda parlamentar. Certamente, foi uma reação contra a extrema gula com que políticos de todos os matizes e seus protegidos avançam sobre os cofres públicos e com a voracidade com que assumem cargos apenas pelo parentesco e/ou influência, recebendo salários astronômicos, muitas vezes sem comparecer ao local de trabalho (sic), enquanto a patuléia se equilibra no salário mínimo para pagar as contas.

Quando consegue pagá-las.

Os quilinhos a mais que o deputado ganhou nos festejos juninos, uma comemoração incompreensível para as regiões Sul/Sudoeste/Centro Oeste do Brasil, onde a data não tem nenhum significado especial, são uma coisa menor diante do tamanho e da quantidade de escândalos que brotam diariamente, sempre tendo como atores principais os políticos, essa espécie surgida desde os primórdios da civilização para defender os interesses do povo, mas que, depois de eleita, parece ter uma predileção incontrolável para defender os próprios interesses.

Por conta dessa gula, eles ficam cada vez mais gordinhos, no sentido figurado da palavra, enquanto que milhões e milhões de brasileiros, permanecem magrinhos, no sentido literal da expressão, vitimas que são da fome e da exclusão social.

Afinal, o “Bolsa Saque aos Cofres Públicos” sempre dá um jeito de tirar um naco substancial do “Bolsa Família”, produzindo a elite política gordinha e a plebe magricela.

É a chamada relação de causa e efeito.

Não é bom para a democracia quando começa a imperar o senso comum de que nossos políticos são “bando de cafajestes que se reúnem para fazer cafajestadas”.

Mas é o risco que se corre quando muitos sofrem de barriga vazia e uns poucos reclamam de barriga cheia.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

MICHAEL JACKSON VISITA


Depois do show do velório de Michael Jackson, agora começa o circo das teorias conspiratórias.

Primeiro apareceu um “fantasma” de Jackson durante uma transmissão ao vivo da CNN em Neverland, a mansão onde o astro brincava de Peter Pan.

E já tem gente que jura ter visto Michael Jackson vivo, mesmo depois de sua morte.

Ou seja, ele não morreu, é tudo uma armação para vender mais CDs e DVDs e alavancar a carreira em curva descendente.

Então tá!

Este blog revela em absoluta primeira mão que nos próximos dias, Michael Jackson vai se encontrar com outras pessoas que também não morreram: Elvis Presley, John Lennon, Marilyn Monroe, Airton Sena e Ernesto Che Guevara, este último multibilionário depois que trocou aquela coisa arriscada de fazer revoluções para se aventurar no promissor negócio de venda de camisetas.

O local do encontro a gente não revela, para evitar o assédio da mídia.

E, principalmente, dos lunáticos.

SAI O MOSQUITO, ENTRA O PORCO


Depois de alastrar-se por todo o estado, transformar-se em epidemia e fazer de Itabuna a nada honrosa campeã nacional de casos de dengue, a doença finalmente dá sinais de que entra em curva descendente na Bahia.

Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que na ultima semana de junho ocorreram 320 notificações da doença, contra uma média semanal superior a 5 mil casos em abril.

Em Itabuna, a inflexão na epidemia de dengue pode ser sentida na prática. Hospitais e unidades de pronto atendimento que até o mês de maio viviam superlotados, hoje recebem poucos pacientes com sintomas da doença.

No caso específico de Itabuna, a explosão da dengue ocorreu pela completa ausência de prevenção em anos anteriores, o que criou o campo fértil para a proliferação do mosquito transmissor da doença, que fez mais de uma dezena de vítimas fatais, incluindo crianças.

Uma completa irresponsabilidade, embora muito provavelmente (ou melhor, com certeza) ninguém vá pagar por isso. Nem pelos milhares de casos e nem pelas mortes que poderiam ter sido evitadas.

Na ausência de prevenção, o Governo do Estado, com a valiosa colaboração da Prefeitura de Itabuna, teve que realizar um trabalho que priorizou o atendimento aos pacientes. Para isso, foram liberados recursos e equipamentos, além da reabertura do Hospital São Lucas, especialmente para tratar dos casos de dengue.

Uma verdadeira operação de guerra, numa batalha sem tréguas contra uma doença traiçoeira.

Venceu-se uma batalha importante, o número de casos reduziu-se drasticamente e não tivemos mais vítimas fatais.

Mas, essa é uma guerra a ser travada sem tréguas. É preciso que o poder público mantenha e intensifique as ações de prevenção e que a população faça a sua parte, evitando manter em suas residências, empresas e estabelecimentos comerciais produtos e/ou espaços que permitam a formação de focos do aedes aegypt.

Tudo isso vai permitir que em 2010 não sejam despendidos tantos esforços e recursos no tratamento, quando o foco deve ser sempre na prevenção.

Controlado o mosquito, eis que agora nos deparamos com o porco, embora ao contrário do mosquito, o porco propriamente dito nada tenha a ver com isso.

A Bahia, como era de se esperar, entrou na rota da chamada gripe suína, a Influenza A H1N1. O Ministério da Saúde confirmou oito casos da doença, um deles em Porto Seguro, segundo maior pólo turístico do Estado e que atrai milhares de estrangeiros, entre eles um imenso fluxo da Argentina, país onde o numero de casos pode ser contado aos milhares.

No caso da gripe suína, onde nem a vacina foi criada ainda, a única maneira é a prevenção e, se há um consolo, embora o número de casos não pare de aumentar, seu efeito devastador vem perdendo impacto.

O número de mortes provocadas pela gripe surgida no México e que se espalhou pelo planeta são idênticos à gripe tradicional.
Assim como o verão amplia o risco de dengue, o inverno aumenta a incidência de gripe, a suína incluída.

Como se dizia antigamente, prevenção e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

No caso da dengue e da gripe, bem mais a prevenção do que o caldo de galinha, já que esse é um ditado dos tempos em que a galinácea não tomava conta do galinheiro.

Nem os ratos tomavam conta de outras coisas.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O BISPO DOS POBRES


É impossível escrever a história dos movimentos sociais no Sul da Bahia e também da ascensão de lideranças políticas progressistas sem destacar o papel central de Dom Paulo Lopes de Faria nesse processo.

Bispo da diocese de Itabuna entre 1983 e 1995, Dom Paulo enfrentou os poderosos com o mesmo destemor com que defendeu os excluídos.

Uma das cenas marcantes de Dom Paulo em Itabuna ocorreu no início da década de 90, quando a polícia tentou impedir uma manifestação de sem-terras com a violência costumeira.

Fugindo dos cassetetes e do gás lacrimogêneo, muitos sem-terra encontraram abrigo no único lugar em que a polícia não se atreveria a entrar: a Catedral de São José, cujas portas foram providencialmente abertas por Dom Paulo.

Dom Paulo Lopes de Faria, o bispo dos pobres e dos oprimidos, sem que isso signifique incorrer no lugar comum, visto tratar-se de um ser humano incomum.

Indonésia: isenção de imposto aos pequenos produtores de cacau

Do site Cacau TH Consultoria:

O governo da Indonésia prepara um projeto de lei a
ser apresentado ao Congresso, isentando os pequenos
produtores que tiverem receita anual até o equivalente a
116 mil reais do pagamento do
ICMS sobre suas vendas ao mercado interno.

A medida visa permitir que os pequenos produtores
vendam seu cacau no mercado interno às indústrias
processadoras, em vez de encaminhá-lo para a exportação
que já é isenta do imposto, mas supostamente paga preços menos remunerativos.

Os produtores maiores continuarão estar sujeitos à
tributação. A proposta parece contar com a concordância
dos deputados e deverá ser aprovada.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

GORILAS, BANANAS, JAULA ABERTA


Durante pelo menos sete décadas do século passado, países da América Central como Honduras, Nicarágua, El Salvador, Panamá e Guatemala eram uma espécie de fazenda multinacional da célebre United Fruit Company.

Foi daí que surgiu a expressão “República de Bananas”. Pejorativa ela classificava os países que tinham governantes fantoches, patrocinados e defensores dos interesses da companhia ianque produtora de frutas. Quando se elegia um presidente com visão socialista e disposto a combater a exploração dos trabalhadores, eram perpetrados golpes de estado, com dinheiro dos americanos e o proverbial apoio logístico da CIA.

Foi assim em praticamente todos os países na América Central, em que governos democraticamente eleitos eram derrubados por golpes militares e passavam a ser controlados com mão de ferro pelos chamados gorilas, expressão igualmente pejorativa para designar o estilo truculento dos fardados.

Os gorilas cuidavam das repúblicas bananeiras, com as bênçãos dos EUA, especialmente no auge da Guerra Fria, quando a ameaça do comunismo foi convenientemente superdimensionada. A instalação de um governo socialista em Cuba, com sucessivas (e fracassadas) tentativas de golpes engendrados pela CIA com o objetivo de eliminar Fidel Castro; fortaleceu a presença dos gorilas na América Central.

Diga-se de passagem, que o “gorilismo” não se restringiu às repúblicas bananeiras da América Central. O golpismo bancado e financiado pelos EUA se espalhou feito praga pela América do Sul: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Paraguai...

O regime dos gorilas, especialmente no Brasil, Argentina e Chile produziu milhares de assassinatos nos porões da ditadura e a tortura foi institucionalizada. Foram anos de chumbo, terror e a supressão das liberdades democráticas, transformando “nuestra América” numa imensa republiqueta bananeira.

O muro de Berlim desabou, a ameaça do comunismo desapareceu, a Guerra Fria perdeu o sentido e, à custa de lutas e sacrifícios, os ventos da redemocratização varreram o continente, unindo os extremos, do Rio Grande no México ao Rio Prata na Argentina. A maior parte dos gorilas foi mandada de volta aos quartéis e, desse frescor democrático, foram eleitos presidentes forjados na luta incansável contra a ditadura.

Exemplo maior dessa tendência foi a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-retirante nordestino e ex-operário metalúrgico, que apesar de mal ter concluído o ensino médio, está promovendo uma revolução social (não necessariamente socialista) no Brasil, permitindo que milhões de pessoas rompam a barreira da exclusão social.

Mas, quando se pensa que os gorilas caíram em desuso ou viraram peça de museu, nos deparamos com esse absurdo e inaceitável golpe militar que derrubou o presidente de Honduras, Manuel Zelaya.

Um verdadeiro atentado à democracia, tirando pela força das armas um presidente eleito pelo voto popular.

Em nível mundial, a importância de Honduras é praticamente nula, um país pobre, perdido em meio a uma América Central exaurida após séculos de exploração de suas riquezas naturais.

É preciso, entretanto, que o mundo não feche os olhos para o que está acontecendo por lá e faça valer todos os meios disponíveis para garantir a volta de Manuel Zelaya e a restauração da democracia.

Não é nada, não é nada, mas de jaula que sai um gorila, sai a macacada toda.

E esse filme não vale a pena ver (nem viver) de novo.

ROUBO DE CACAU

O roubo de cacau voltou a se tornar rotina nas fazendas do Sul da Bahia. A última vítima foi o produtor João Amorim, dono de uma fazenda localizada entre Ilhéus e Itabuna.

Oito bandidos entraram na fazenda na noite do último dia 2, dando tiros para assustar os trabalhadores e levaram dez sacas de cacau, com 40 arrobas.

Além da falta de segurança, os produtores se queixam da facilidade com que o cacau roubado é comercializado.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

XICO VAI ÀS URNAS


Além de pintar melhor que muitos artistas plásticos e representar melhor do que muitos atores, o macaco Xico, da novela Caras & Bocas, da Rede Globo, está revelando outros dotes insuspeitos.

Entre um quadro e outro, Xico se especializou em furtar sem que as pessoas percebam. Começou com coxinhas e empadinhas, passou para roupas e perfumes e nos próximos capítulos vai furtar as jóias de Dafne, a heroína sofredora da trama.

Nessa balada, assim que acabar a novela, Xico pode conseguir não apenas bicos como pintor ou ator, como tem grandes possibilidades de fazer carreira política.

Se bem que em alguns quesitos furtatórios, roubatórios e desviatórios (tsc, tsc), Xico vai ter que comer muita banana pra se ombrear a determinados senadores, deputados e prefeitos...

Mas está no bom (perdão, no mau) caminho.

MILHARAL



Nos tempos de antigamente, a cidade de Aurelino Leal, no Sul da Bahia, tinha um prefeito chamado Antonio Freitas.

Certa vez, ele teve um projeto seu rejeitadao por oito votos a zero em primeira votação pela Câmara Municipal.

Procurou um advogado pra saber se poderia entrar na Justiça contra o resultado.

O advogado disse que iria demorar e além disso aquilo era um indicativo de que se os vereadores quisessem, lhe cassariam o mandato. O jeito, portanto, era conversar com os nobres edis.

Na votação seguinte, 8x0.

Só que dessa vez, todos os votos a favor do projeto do prefeito.

Quando perguntou a Antonio Freitas a razão daquele “milagre”, o advogado ouviu a resposta desconcertante:

-Enchi o embornal de milho e saciei a fome daquele galinheiro todo.

Milho, milhão, tudo a ver!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

PEDRO E EMANUEL


Brasil. Ano de 2029.

Pedro e Emanuel lideram uma banda que faz sucesso em todo o país e começa a conquistar a Europa e os Estados Unidos. Seus shows a bordo de “discos-voadores elétricos”, versão moderna dos antigos trios elétricos, atraem multidões, com canções que resgatam o melhor da musica baiana, numa releitura dos imortais Caetano Veloso, Gilberto Gil e Dorival Caymmi, passando longe do axé-music, sucesso instantâneo do final do século XX e início do século XXI.

Pedro e Emanuel não esquecem a infância humilde em Itabuna, cidade do Sul da Bahia onde nasceram e despontaram para a música. Sempre que podem, colaboram com campanhas educativas e participam de shows beneficentes no município..

Ou melhor, Pedro e Emanuel formam a dupla de atacantes mais letal e famosa do futebol brasileiro, atuando pelo São Paulo, disparado o melhor time do país, doze vezes campeão nacional e oito vezes campeão da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes da FIFA. São nomes certos para a Seleção Brasileira, que em 2030 vai disputar a Copa do Mundo, no centenário da competição. Pedro é cerebral, dono de visão de jogo espetacular e passes precisos. Emanuel é explosão e força, inalcançável pelos zagueiros quando parte em direção ao gol. Ambos, goleadores natos.

Pedro e Emanuel não esquecem a infância humilde em Itabuna, onde despontaram para o futebol jogando em gramados surrados na periferia da cidade. Comemoraram o último título do São Paulo exibindo uma faixa homenageando a cidade. A cena foi mostrada para o mundo todo pela televisão e exibida com orgulho nas edições do Diário da Bahia. Agora e A Região, veteranos órgãos da imprensa grapiúna. Sempre que podem, Pedro e Emanuel vem a Itabuna disputar jogos beneficentes e fazer palestras para crianças e adolescentes.

Melhor ainda, Pedro é médico e Emanuel é advogado. O Dr. Pedro, considerado um dos melhores profissionais de sua área, comanda uma equipe de médicos de vários países, que acaba de descobrir um remédio eficaz na eterna luta contra o câncer. O Dr. Emanuel é um advogado respeitado, defensor dos Direitos Humanos, que alia seu notório saber jurídico a uma postura ética irrepreensível, e deve assumir o Ministério da Justiça.

O Dr. Pedro e o Dr. Emanuel não esquecem a infância humilde em Itabuna, onde estudaram em escolas públicas e subiram na vida à custa de muito esforço. Sempre que podem, vem a Itabuna, onde realizam atendimento gratuito para pessoas carentes e mostram que a perseverança e o talento levam ao êxito profissional.

Ou, digamos que Pedro é prefeito de Itabuna e Emanuel deputado. Pedro realiza uma administração modelo, com os recursos públicos investidos prioritariamente em saúde, educação, saneamento básico e geração de emprego e renda. Sua gestão transformou a periferia, hoje urbanizada e com equipamentos para que crianças, adolescentes e jovens pratiquem atividades que os afastem dos riscos das drogas e da marginalidade. Emanuel tem um mandato pautado na busca de recursos que ajudam Pedro em sua gestão na prefeitura. É de sua autoria o projeto de lei que faz com que as empresas invistam parte de seus lucros em programas sociais e educacionais nas cidades onde estão instaladas.

Pedro e Emanuel não esquecem a infância humilde em Itabuna e fazem da política a ferramenta que está mudando pra melhor a cidade que um dia foi tão maltratada e espoliada. Lideram uma nova geração de políticos e estão cotados para disputarem, juntos, o Governo da Bahia.

Itabuna. Ano de 2009.

Pedro e Emanuel, nos primeiros meses de vida, já lutam pela sobrevivência. Estão alojados num orfanato num bairro paupérrimo da periferia da cidade.

Ambos foram abandonados por suas mães. Pedro, deixado numa caixa de sapatos; Emanuel envolto em páginas amassadas de jornal.

Pra escrever o hipotético e -infelizmente- improvável futuro cheio de possibilidades de Pedro e Emanuel será preciso reescrever o presente de mães, que por absoluta falta de condições de criá-los ou pela desestruturação familiar, são obrigadas a abandonar seus filhos â própria sorte.

Ou, pior, ao próprio azar!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

SAÚDE, FERREIRINHA!

Acabo de retornar do Hospital Calixto Midlej, em Itabuna, onde fui visitar José Ferreira Vieira, o Ferreirinha.

Aos 99 anos, ele se recupera bem após um problema pulmonar que lhe valeu alguns dias na CTI e, segundo repete toda hora, não vê a hora de voltar para casa.

No início da década de 90, então no vigor dos seus 80 anos, Ferreirinha ficou mundialmente conhecido após se casar com a estudante Iolanda, então com 15 anos. Foi tema de reportagens em jornais de todo o planeta e concedeu uma entrevista antológica no programa Jô Onze e Meia, no SBT, onde foi triunfalmente apresentado por Jô Soares como o “Garanhão de Itabuna”.


No hospital, Ferreirinha está recebendo a atenção dos parentes e tem o carinho permanente da esposa Iolanda, prova provada de que até os amores improváveis são duradouros quando, perdão pela redundância, permanece acesa a chama do amor.

Saúde, Ferreirinha, que este blogueiro não quer perder a sua festa dos 100 anos, a serem completados, com a graça de Deus, no dia 8 de janeiro de 2010.