terça-feira, 30 de junho de 2009

Bandido bom é bandido morto?

Para quem já teve o carro roubado, a casa arrombada, o celular levado de assalto, um filho ameaçado por traficantes ou, pior, um parente ou amigo brutalmente assassinado a resposta para a pergunta acima, que deve causar ojeriza aos defensores dos direitos humanos, é: sim!

Não é de se estranhar, portanto, que em meio ao foguetório junino e às comemorações da suada vitória do Brasil sobre os EUA pela Copa das Confederações, em alguns bairros da periferia de Itabuna a pirotecnia somou-se a euforia pela eliminação de alguns bandidos que aterrorizavam moradores, mortos em confronto com a polícia.

Deve ser mesmo um alívio para quem convive com a violência, respeitando a “lei do silêncio”, submetidos a um mal disfarçado toque de recolher e reclusos em suas residências enquanto os bandidos transitam e barbarizam livremente; saber que marginais foram eliminados pela polícia ou mesmo tombaram na guerra sangrenta entre eles próprios.

A periferia de Itabuna vive uma guerra sangrenta, potencializada pelo tráfico e consumo de drogas (uma coisa está atrelada a outra) e ampliada pela ausência dos serviços públicos, que faz da criminalidade o único caminho para dezenas, centenas de jovens.

Uma violência que, até pela necessidade de expansão, rompe os limites periféricos e chega ao centro da cidade, na forma de assaltos, arrombamentos e roubos de veículos. A cadeia produtiva do crime, que é se que pode chamar assim, não obedece a limites sociais ou geográficos.

Está em todas as partes. Aterroriza a todos, sem distinção.
A morte em série de marginais, como ocorreu neste final de semana em Itabuna, com cinco homicídios ligados aparentemente ao mundo do crime, passa a sensação de que a polícia está agindo com o necessário rigor e que tem que ser assim mesmo. Reforça-se aqui a tese do “bandido bom é bandido morto”.

Quando a violência excede todos os níveis do suportável, não se pode esperar mesmo que a policia trate com afagos e salamaleques bandidos que não hesitam em matar.

Mas, a questão não é tão simplória assim, como se matando em larga escala resolvesse o problema da violência. Está mais do que provado que não resolve. Violência gera violência, que gera mais violência, que gera ainda mais violência, num moto continuo banhando em sangue e dor.

Melhor seria se tivéssemos um sistema de segurança pública que efetivamente garantisse a segurança da população, com prevenção no lugar de repressão.

Melhor ainda seria se crianças, adolescentes e jovens tivessem acesso à educação, esporte e trabalho, oferecendo outra oportunidade de vida.

Em suma, matar a violência no gene, para depois não ter que matar gente.

Ninguém nasce bandido. E, é forçoso dizer, que muitos descambam para a criminalidade por conta de bandidos de alto calibre, que saqueiam os cofres públicos e desviam recursos que seriam destinados a quem precisa.

A resposta (ou a ausência dela) para a pergunta que abre esse texto talvez esteja na foto abaixo, de autoria de Oziel Aragão, publicada no Diário da Bahia.



A dor de um pai que chora diante da morte inevitável do filho, algoz e vitima dessa violência insana, fala mais do que mil palavras.

É a dor de todos aqueles que ainda acreditam (ou sonham?) com uma cidade menos violenta e onde não seja necessário chorar tantas e tantas mortes, sejam as vítimas anjos ou demônios.

Gol de placa de Ronaldinho Gaucho



Mesmo sem entrar em campo para disputar uma partida de futebol, Ronaldinho Gaucho marcou um gol de placa no último final de semana no Estádio Pituaçu em Salvador.

O instituto mantido pelo jogador para desenvolver programas de inclusão social através do esporte e da capacitação profissional, assinou um convênio com o Governo da Bahia, que vai atender cerca de duas mil crianças e adolescentes com idade entre 10 e 17 anos.

Trata-se de uma ação importante, que benefcia pessoas em situação de risco social, baixa escolaridade e dificuldades de acesso ao mercado de trabalho.

Ronaldinho Gaucho é o típico brasileiro que conseguiu romper a barreira da exclusão social e fez fama e fortuna graças ao seu talento com a bola.Titular absoluto da Seleção Brasileira durante vários anos, campeão Mundial em 2002, encantou os espanhóis do Barcelona e foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA.

O diferencial em relação a outros craques é que Ronaldinho jamais renegou ou esqueceu seu passado de dificuldades na periferia pobre de Porto Alegre.

E, tornando rico graças ao futebol, voltou suas atenções para crianças e adolescentes carentes, a espera de uma oportunidade para levar uma vida digna, longe das drogas e da marginalidade. Essa é a missão do Instituto Ronaldinho Gaucho, que tem na Bahia sua primeira experiência fora do Rio Grande do Sul.

Mais do que revelar talentos para o futebol, até porque esse não é o objetivo primordial, o convênio vai proporcionar a quase duas centenas de jovens o acesso à educação, prática esportiva e oportunidades de acesso a um mercado de trabalho cada vez mais disputado e exigente.

Os participantes do projeto, que já tinham Ronaldinho Gaucho como um ídolo no futebol, passam agora a apreciar um verdadeiro craque na solidariedade, que os ajudará a dar um drible no destino ingrato e descortinar uma nova vida.

Golaço!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

CAMPEÃO, MAS SEM BRILHO


Na contramão do oba oba em torno do titulo da Seleção Brasileira na Copa das Confederações, é bom que se diga que o time de Dunga não jogou esse futebol todo que andam apregoando.

A rigor, o Brasil teve um jogo tranqüilo na primeira fase contra os EUA, um bom primeiro tempo contra a Itália e um bom segundo tempo na decisão contra os EUA. Só.

Brilhar de forma inquestionável e ponto desequilibrar nenhum jogador brilhou, nem mesmo Kaká , eleito o melhor do torneio quase que por exclusão.

Portanto, é bom baixar a bola e evitar o salto alto na Copa do Mundo de 2010, que é realmente o que conta.

Esse negócio de chegar ao Mundial como favorito nunca dá certo, a exemplo do que ocorreu nas Copas de 1998 na França e 2006 na Alemanha.

O título da Copa das Confederações foi conquistado à duras penas em cima dos Estados Unidos, vale lembrar.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O teatro do absurdo e os bobos da corte


Do deputado Fernando Gabeira, luminar da ética, descobriu-se que contratou a namorada para prestar serviços a seu gabinete.
Resposta: contratou-a quando era apenas namorada, depois que passou a ter uma relação estável (eufemismo dos tempos modernos para “viver juntos”), nunca mais utilizou os serviços, profissionais é claro, da moça.

Do senador Cristovam Buarque, outro luminar da ética, soube-se que a sua mulher foi colocada à disposição do gabinete de um senador amigo
Resposta: ele não sabia disso, mas garantiu que se houver irregularidade, aceita ser punido, desde que todos os envolvidos em irregularidades também sejam punidos.

Do senador César Borges, apurou-se que seu nome aparece entre os inúmeros atos secretos do Senado.
Resposta: exige que alguém explique como seu nome foi parar lá, certamente deixando entendido que se por um ato secreto ele foi beneficiado, isso se deu sem o seu conhecimento.

De um dos netos do senador José Sarney, não aquele estudante universitário que recebia cerca de 8 mil reais por mês do Senado e que, flagrado, passou o cargo à mãe; mas outro, enfronhado nos meandros bancários, revelou-se que montou uma empresa para intermediar empréstimos consignados entre um grande banco e...o Senado!
Resposta: o neto disse que estava vencendo na vida pelos méritos próprios e não por apadrinhamento (não seria “avôdrinhamento”, neologismo que está muito em voga?) e o avô, envolvido em tantas acusações que vão de netos e filhos a mordomos e viúvas de amigos beneficiados, se disse vítima de uma campanha difamatória da mídia.

Do ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor de Mello, que está mais para treva do que luminar, sabe-se agora que a alimentação de seus seguranças na Casa da Dinda (a célebre moradia dos tempos de PC Farias e quetais) é paga com dinheiro do Senado.
Resposta: Collor nem se dignou a responder, provavelmente por imaginar que, pelo passado que tem, onde as cifras ultrapassavam facilmente a casa do milhão, é bobagem perder tempo com irrisórios (para ele) 4.830 reais com marmitas adquiridas num restaurante chamado, ora vejam, Boka Loca.

De um punhado de senadores, vestais, bestiais e outras rimas mais, apurou-se que 21 deles tem as contas telefônicas residenciais (contas particulares, portanto) pagas com dinheiro do Senado (dinheiro público, portanto). Encabeça a lista de beneficiadas com mais essa mordomia, a ex-senadora e ora governadora do Maranhão, Roseana Sarney, como se já não bastasse a mordomia do mordomo pago pelo Senado.
Resposta: ninguém, até o momento, se dignou a responder, talvez com receio de que, descoberta mais essa mamata, a partir de agora tenham que pagar as ligações telefônicas com dinheiro do próprio bolso e não do nosso bolso.

Qual serão os próximos atos desse verdadeiro teatro do absurdo, onde atores-canastrões se revezam numa sucessão de papéis de vilões com pose de mocinhos, enquanto a platéia (ou a patuléia) assiste sem poder interferir no roteiro?

Ou melhor, pode sim, aproveitando essa fantástica arma chamada voto para mudar os atores e, quem sabe, o roteiro.

Enquanto isso não ocorrer, poderemos até eventualmente entrar em cena nesse teatro, mas apenas e tão somente no papel de palhaços.

Ou de bobos da corte, o que dá no mesmo.

SELOS PRA COMER


Os Correios da França lançaram selos com aroma de chocolate.

Mais do que atrair o interesse de filatelistas, a iniciativa visa conter a queda no
volume de cartas em virtude da popularização do e-mail e de outros meios de
comunicação na Internet, além de estimular o consumo de chocolate.

O carnê de 10 selos com aroma de chocolate é vendido nas agências dos correios
ao custo de 5,60 euros (cerca de R$ 15), a mesma tarifa do carnê de selos
comuns na França.

A coleção traz dez imagens, que contam a história do
chocolate a partir das amêndoas de cacau originárias da Amazônia, passando pela introdução do chocolate na corte do rei Charles V, no século XVI, onde era muito apreciado, inclusive por seus sucessores, mas durante muito tempo era consumido apenas pelas pessoas ricas, só se tornando popular no século XIX com o surgimento da indústria de chocolate.

A idéia podia muito bem ser copiada aqui no Sul da Bahia, como forma de agregar valor e gerar receitas a partir do nosso principal produto.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

SHOW DE HORROR E 1X0


O Brasil acaba de ganhar da África do Sul por 1x0, gol de Daniel Alves cobrando falta aos 43 minutos do segundo tempo.

Em vez do esperado show de bola, um show de horror.

Mas a Seleção Brasileira segue em busca de mais um título, porque os EUA não vão fazer o raio cair duas vezes no mesmo lugar.

Ou vão?

TABELINHA WAGNER-RONALDINHO


Dentro de campo, o futebol não tem a mesma genialidade de três anos atrás, quando era indiscutivelmente o melhor do mundo. Hoje, tenta recuperar o brilho no Mlian.

Mas fora das quatro linhas, Ronaldinho Gaucho continua batendo um bolão. O Instituto Ronaldinho Gaucho, criado pelo jogador, desenvolve projetos tecnologias e ações voltadas ao desenvolvimento humano e inclusão de jovens, adultos e famílias, através do esporte, saúde, educação, cultura, lazer e ecologia.

A partir deste sábado, o instituto inicia atividades na Bahia, através de uma parceria com o Governo do Estado, e vai beneficiar crianças e adolescentes de comunidades carentes, que além de práticas esportivas nas modalidades de futebol de campo, futebol de salão, voleibol e basquete, também participam de cursos de qualificação profissional na área de tecnologia da informação .

O convênio será assinado no Estádio de Pituaçu pelo governador Jaques Wagner e o jogador Ronaldinho Gaucho.

A tabelinha é um gol de placa contra a exclusão social.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

EL TORO ERA UNA VACA...


Se aquilo que a limitadíssima Seleção dos Estados Unidos derrotou com certa facilidade por 2x0 era a oitava maravilha do mundo do futebol, então o mundo do futebol está de cabeça pra baixo.

A Espanha, pintada em prosa e verso como um touro arrasador se mostrou uma vaquinha mimosa diante dos EUA.

De qualquer forma, que bom que os norte-americanos fizeram o serviço.

Ficamos livres da patriotada de Galvão Bueno, se esgoelando diante uma agora só hipotética vitória do time de Dunga sobre os “invencíveis” espanhóis.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A culpa é do mordomo (ou: PAC da Peroba)


Entre os vários comentários emitidos por conta da sugestão, feita neste espaço, no sentido de que, dada a profusão de caras de pau no mundo político, Brasília deveria sediar um ainda hipotético Festival Nacional do Óleo de Peroba, destaco a opinião do empresário Helenilson Chaves, cuja história familiar de empreendedorismo se confunde com a própria história de Itabuna.

Escreveu Helenilson:

“Não seria uma boa atividade plantar peroba? A demanda é extremamente forte. A continuar o relego com a educação, é negar qualquer chance do exercício da cidadania, teremos sempre como representantes consumidores em potencial para tão famoso óleo”.

O empresário está coberto de razão.

Deixemos de lado o PAC do Cacau e vamos partir para o PAC da Peroba.
Em vez de insistir com esse negócio de cacau, inundemos nossas fazendas com pés de peroba.

E, já que não aprendemos mesmo a industrializar o nosso principal produto, limitando-nos a meros fornecedores de matéria-prima para que os outros ganhem dinheiro com a produção de chocolate, que aprendamos a produzir óleo de peroba, aproveitando esse mercado em franca expansão e, pelo que tem se visto ao longo dos séculos, de consumo infinito e ilimitado.

Se alguém ainda tem dúvidas de que o mercado é promissor, vamos ao mais recente exemplo, que não será obviamente o último.

Os jornais de final de semana divulgaram que Amaury de Jesus Machado, que trabalha como mordomo da casa da ex-senadora e atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney, guindada ao cargo por conta da cassação de Jackson Lago; é funcionário do Senado.

Pronto. Tinha que aparecer um mordomo na história e ainda por cima com um salário de 12 mil reais. Isso mesmo: mordomo com salário de 12 mil reais por mês.

E a gente ainda fica insistindo com nossos filhos que eles precisam estudar, fazer um curso superior, pós-graduação, mestrado, doutorado, etc.

Voltando ao festival de cara de pau que assola o pais (versão atual do Febeapá, do imortal Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo que consagrou Sérgio Porto), Rosena não se deu por vencida. Eis o que ela afirmou:

“Ele é meu afilhado. Fui eu que o trouxe do Maranhão. Ele vai à casa quando preciso, uma duas ou três vezes por semana. É motorista noturno e é do Senado. E lá até ganha bem."

O “e lá até ganha bem...”, que no contexto pode ser traduzido por tem um salariozinho razoável merece hectolitros de peroba. Se é que ainda se encontra o produto nas prateleiras das melhores casas do ramo em Brasília.

Digamos que, imensamente grato por receber um salário de 12 mil reais por mês, o tal mordomo decidiu prestar serviço voluntário na casa de Roseana Sarney..

Como se sabe, esses nossos políticos fazem um sacrifício danado para sobreviver e o mordomo, solidário com a situação, exerceu um ato de benemerência, concedendo à agora governadora maranhense uma pequena mordomia.

Que não se inclua entre essas mordomias, entretanto, deixar os móveis brilhantes e lustrosos.

Por que o óleo de peroba mal dá para suprir a legião de caras de pau!

sábado, 20 de junho de 2009

Pulando a fogueira. E a cachaça também


A partir deste final de semana, a Bahia e o Nordeste entram em clima de São João, festa que por aqui tem uma dimensão diferente de outras regiões do Brasil.
O São João é, arrisco dizer, um evento das mesmas proporções do Carnaval, sem tanta permissividade.

O diferencial é que, ao contrário dos festejos carnavalescos, as festas juninas são realizadas principalmente nas pequenas e medias cidades.
Com isso, dá-se o fluxo das capitais e grandes cidades para acolhedoras cidadezinhas do interior.

É assim no Sul da Bahia, onde as principais festas de São João acontecerão em Itororó, Ibicuí, Itagibá, Almadina e Uruçuca.
Isso significa que milhares de pessoas estarão pegando as estradas para passar o São João fora do eixo Ilhéus-Itabuna.

É aí que mora o perigo.

Apesar do nome dos santos, o São João e também o São Pedro, se transformaram em mega-eventos, com shows musicais e o inevitável consumo de bebidas alcoólicas, do tradicional licor à inevitável cerveja. Bebe-se e bebe-se muito durante esses shows, que costumam reunir milhares de pessoas.

Como as pequenas cidades não oferecem estrutura para abrigar tanta gente, muitos resolvem retornar para casa, ou procurar uma cidade maior nas proximidades, após o encerramento da festa. Isso depois de ter dançado, brincado e bebido a noite toda.

Daí que é preciso, mais uma vez, apelar para o bom senso. Quem for dirigir, ou fica na cidade onde está e só volta no dia seguinte, ou pula a fogueira e também pula a cachaça.

As estatísticas apontam que o número de acidentes cresce nos períodos de festa e de feriados prolongados. O São João é uma festa e o feriado, mesmo não sendo prolongado, será esticado do mesmo jeito.

Não basta a Polícia Rodoviária intensificar a fiscalização e usar o bafômetro se as pessoas que forem dirigir não tiverem a consciência de que bebida e direção não combinem, por mais que os fatos demonstrem isso de forma trágica.

Opções para aproveitar o São João, com atrações para todos os gostos (e a maioria delas de graça, o que é melhor) não faltam.

É escolher a cidade, reunir a família e os amigos e aproveitar essa festa que tem a cara do Nordeste.

E lembrar sempre que o carro e a bebida devem ficar sempre longe um do outro.

É um casamento que Santo Antonio não aprova.

Nem São João, nem São Pedro.

Santo nenhum!

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SANTA INSEGURANÇA

Quem também adora cidade vazia e festa em que boa parte das pessoas viaja é o famoso “amigo do alheio”, popularmente conhecido como ladrão.

Se não for demais, vamos pedir aos santos festejados que, além da festa, arranjem um
tempinho para velar por nós e por nossas casas.

Amém.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

NÚMEROS SÓ NÚMEROS SÃO?

Cada um lê pesquisa de intenção de votos da maneira que lhe é conveniente. E pesquisa realizada mais de um ano antes da eleição, só serve mesmo como indicativo de uma tendência que pode se confirmar ou não. No mais, faz muita espuma, rende comentários e alimenta o noticiário por alguns dias.

Os números da recente pesquisa realizada pelo Instituto Campus em 52 municípios baianos e com 2.593 pessoas entrevistas não embutem nenhuma novidade. O atual governador Jaques Wagner lidera com cerca de 12 pontos percentuais à frente de Paulo Souto (43,1% a 31,9%) e Geddel Vieira Lima vem em terceiro com 13,3%.

Tudo dentro do script. Com a união DEM/PSDB, Souto deve absorver os votos do carlismo e de uma parte dos tucanos, que em eleições passadas se aliaram (mesmo em informalmente) ao PT. Wagner tem um percentual seguro, ainda que não confortável e Geddel, se não demonstra musculatura suficiente para entrar no páreo, se configura como o fiel (ou infiel) da balança, a depender do lado que apóie caso não seja ele próprio o candidato.

Esses números devem impulsionar as movimentações de bastidores. Wagner, à custa de engolir seguidas provocações, buscará uma composição com Geddel, fazendo ouvidos moucos para as diatribes de alguns peemedebistas. E os carlistas vão cobrir o ministro de mesuras, mesmo que sem atraí-lo para suas hostes, sabendo que a manutenção de sua pré-candidatura é um entrave apenas e tão somente para o governador.

Talvez o dado mais expressivo da pesquisa da Campus seja justamente aquele que esteja recebendo menos atenção: o de que a administração do governador Jaques Wagner é aprovada por 60,8% dos baianos e reprovada por 26,1% deles (o restante se manteve indiferente).

Trata-se de um índice de aprovação significativo, em processo ascendente, o que demonstra que aos poucos o trabalho de Wagner começa a ser reconhecido pela população.

Observe-se ainda que a aprovação do governador é bem superior à sua intenção de votos, o que indica que ainda há margem para crescer, na medida em que as pessoas associem mais diretamente o governo à figura do governador.

Os números que por enquanto são só números, sinalizam que esse é o caminho, embora com 2010 à espreita seja preciso caminhar mais rápido, mostrar mais as ações do governo e definir quem serão efetivamente os aliados e os adversários nessa nova e feroz disputa que se avizinha.

Ficará bem menos difícil, porque eleição fácil não existe, sem ter que ficar atento às caneladas dos adversários e também de alguns “aliados”.

QUE PASA, COMPAÑERO?

Precisava Lula fazer aquele inacreditável afago público em Sarney, misturando o regime militar e a democracia numa comparação totalmente fora de contexto?

O que ameaça a democracia e as instituições não é uma imprensa vigilante, que comete lá seus pecadilhos, mas essa gente que faz da vida pública o exercício pleno não da cidadania, mas da picaretagem.

Precisar não precisava, mas...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

FESTIVAL NACIONAL DO ÓLEO DE PEROBA


Estados de várias regiões do Brasil realizam anualmente festas ou festivais para divulgar seus principais produtos.

Assim sendo, o Rio Grande do Sul tem a Festa da Uva e o Festival do Chimarrão, Santa Catarina a Festa da Maça e a Oktoberfest, o Paraná a Festa do Pinhão, o Mato Grosso a Festa da Soja, Goiás o Festival do Gado, Minas a Festa do Queijo e o Festival da Cachaça.

Pernambuco tem a Festa do Vaqueiro, Goiás tem o Festival Sertanejo e São Paulo tem o Festival do Figo, a Festa do Peão de Boiadeiro e até um Festival do Vinho (se é que se pode chamar de vinho aquela coisa produzida na simpática São Roque).

A Bahia acaba de ganhar o Festival Nacional do Chocolate, evento que veio em boa hora e que, espera-se, tenha continuidade.

Enfim, são festas e festivais em todos os Estados e aqui foram citadas apenas algumas, entre as dezenas, talvez centenas, que são realizados Brasil afora.

Mas, onde fica a nossa gloriosa Brasília, a Capital Federal?

Não teria a cidade projetada para celebrar o País do Futuro (há quantas décadas a gente ouve isso, sem que o tal futuro finalmente chegue?) um produto ou marca que a destaque?

A julgar pelos últimos acontecimentos envolvendo o Senado, precedidos é bom que se diga de casos igualmente escandalosos envolvendo a Câmara dos Deputados e o Executivo, Brasília está apta para realizar (não se pode dizer aqui, em hipótese alguma, comemorar) o Festival Nacional do Óleo de Peroba.

Senadores que possuíam nababescas mansões em Brasília, entre eles o presidente do Senado, José Sarney, recebiam auxílio moradia, cerca de quatro mil reais por mês. Descoberta a mordomia indevida, Sarney saiu com uma frase de antologia:

-Eu nem percebi esse dinheiro na minha conta...

Óleo de peroba nele!

Como a lista de auxílios indevidos era extensa, optou-se pela saída que é outro primor. Os senadores admitiram o equivoco, alguns devolveram o dinheiro (é quase certo que só o fizeram porque a mamata foi denunciada na imprensa) e ficou estabelecido que tudo não passou de um “erro administrativo”.

Mais óleo de peroba, por favor!

Recentemente, revelou-se a existência dos chamados atos secretos, em que senadores nomeavam parentes e obtinham inúmeros outros benefícios. Tudo sem publicação no Diário Oficial, como determina a lei e manda a transparência.

Entre os beneficiados pelos tais atos secretos estava -ora vejam- um neto de José Sarney, que mesmo sem terminar a faculdade, ocupava o cargo de assessor com um ´salariozinho´ de 7.200 reais. Faltou pouco para o vovô generoso se mostrar espantado e perpetrar algo do tipo:

-Nossa como meu netinho cresceu. E já está trabalhando aqui no Senado? Menino talentoso...

Fez pior.

Ocupou a tribuna do Senado para se dizer vítima de perseguição, apelou para seu passado ilibado, sua trajetória de vida e só faltou apelar para o harakiri. O pessoal do Pânico, do CQC ou do Casseta & Planeta teria dificuldade de produzir humor semelhante.

E o que eram atos secretos foram definidos por Sarney como atos isolados. Mais de mil atos isolados.

Renovem o estoque de óleo de peroba, urgente!

Motivos, portanto, não faltam para que Brasília realize o seu Festival Nacional do Óleo de Peroba, que poderia ter como evento paralelo o Encontro Nacional dos Caras de Pau.

O problema, convenhamos, é que talvez falte óleo de peroba, diante da profusão de caras de pau.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

JORNALISTA

Deu na Folha Online:

STF decide que diploma de jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão


Por 8 votos a 1, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram na sessão desta quarta-feira (17) que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão.

Votaram contra a exigência do diploma o relator Gilmar Mendes e os ministros Carmem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello. Marco Aurélio defendeu a necessidade de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão. Os ministros Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não estavam presentes na sessão.

_________________________

32 anos depois, enfim Jornalista. Pelo menos, formalmente, porque na prática ninguém me tira essa condição que, mais do que uma opção profissional, é uma opção de vida.

Comemorarei com um Cohiba Siglo VI e uma cachaça Anísio Santiago, implorando para serem degustados.

SAI A COCA, ENTRA O CACAU

Deu no site da CacauTH Consultoria:

Cacau substitui coca na Colômbia

Um projeto pioneiro entre campesinos, de alto mérito,
foi lançado há 15 anos por um padre católico no
sul da Colômbia, com o lema “Não à droga e sim ao
cacau”, que convenceu 115 lavouras familiares,
20% das quais chefiadas por mulheres, a desistir do
plantio da coca em favor do cacau.

Uma fábrica artesanal de chocolate transforma o
cacau produzido por essas famílias em chocolate,
que é vendido nas redondezas e vem sendo comprado
pelos próprios narcotraficantes. Graças à intervenção
da ONU, a cadeia de supermercados
CARREFOUR também já comercializa o produto.

DÊ UM ALÔ PRA OI

Em vez de ficar apenas reclamando dos péssimos serviços da OI (que mais uma vez deixou os itabunenses na mão, no celular e no fixo) este blogueiro resolveu fazer valer seus direitos de cidadão.

Entrei com uma ação no Juizado de Pequenas Causas e mostrei os prejuízos e os constrangimentos sofridos por conta dos constantes apagões da Tchau, perdão OI.

A causa foi decidida, a meu favor, em menos de um mês, logo na primeira audiência.

Fiquei mil reais mais rico, perdão, menos pobre, e ainda consegui em cinco minutos o que tentava há cerca de três meses: cancelar dois planos, daqueles que você pensa que vai economizar e paga mais caro ainda.

Dizem que se conselho fosse bom a gente vendia, mas esse é de graça mesmo; pra quem se sente lesado, o melhor caminho é a Justiça.

Que pelo menos nesse caso é ágil mesmo!

CURINTIA!!!!

Acaba de ser lançado em São Paulo o documentário "23 anos em sete segundos", que tem como tema o jogo entre Corinthians e Ponte Preta que, em outubro de 1977, decretou o fim do jejum de títulos corintiano.

É um filme pra corintiano, mas também para todos os amantes do futebol, porque retrata a paixão de uma torcida por um time que ficou 23 anos sem ganhar um título.

Este blogueiro, então com 18 anos, estava no Morumbi naquela noite que entraria para a História.

Como bom sãopaulino, torci para a Ponte Preta, mas foi o Corinthians campeão quem
me proporciou a manchete no jornal A Região, de Osasco, onde comecei como revisor e levei um ano para assinar a primeira matéria, justamente a do título corintiano.

Naquele tempo a gente demorava um tempão pra "sentar na janelinha", como diz o Romario.


terça-feira, 16 de junho de 2009

MARES BRASILIENSES



Quem disse que Brasília não tem mar?

Pelo visto, o que não falta por aquelas bandas (podres) é mar.

De lama, claro!

MIM TARZAN, IÚ JANE


DEU NO “PIMENTA NA MUQUECA”:

"Um casal de estrangeiros com empreendimento na zona norte (Parque do Conduru) é o financiador de um site que se posiciona contra a construção do Complexo Intermodal Porto Sul em Ilhéus. O portal se apresenta como “independente”, mas possui ligações com entidades contrárias ao empreendimento de mais de R$ 4 bilhões no sul da Bahia.
Agora, a principal razão para Valerie e Daniel Krattinger investirem no portal: na área onde os governos do estado e federal pretendem construir o porto, o casal cobra entre R$ 160,00 e R$ 300,00 por passeios ecológicos. O site www.portosulnao.com.br está em nome de Daniel Krattinger. Ele afirma que é naturalizado brasileiro. Valerie vive há mais de 10 anos no sul da Bahia. Os dois são contra o porto, claro. Além de Ilhéus, eles também possuem empreendimentos em Itacaré, que está na área de influência do megaprojeto
"

$$$$$$$$$$$$$$$

Então ficamos assim: os caras destroem as florestas e as reservas naturais deles e aqui no Sul da Bahia querem manter tudo intocável, atacando um empreendimento que pode até provocar algum impacto ambiental, mas que inquestionavelmente vai gerar um novo ciclo de desenvolvimento.

E ainda cobram para que a gente possa fazer passeio ecológico nas “nossas” terras.

Querem brincar de Tarzan e Jane, tudo bem. Mas a gente não aceita o papel de Chita.

Ou aceita?

Tribunal de (faz de) Contas

O Tribunal de Contas do Estado da Bahia se reúne nesta semana para aquele que promete ser um encontro histórico. Os conselheiros vão julgar o parecer do colega Pedro Lino, que votou pela rejeição das contas do Governo Wagner, referentes ao exercício de 2008.

Lino, como se sabe, fez de seu parecer um foguetório que o alçou às manchetes e aos tais 15 minutos de fama celebrizados por Andy Warol.

Pela primeira vez, desde a criação do Tribunal, um governador teve suas contas com pedido de rejeição, embora a decisão ainda passe pelo crivo dos demais conselheiros e também da Assembléia Legislativa da Bahia.

É plenamente possível que as contas sejam aprovadas, até porque Pedro Lino se apegou a questiúnculas técnicas para optar pela rejeição

Mas, produziu-se o estrago (desejado?) já que nas últimas semanas, a rejeição das contas, com críticas e elogios à postura do conselheiro, ocupou as manchetes dos veículos de comunicação.

De repente, um governador que abriu as contas públicas e que tem na transparência uma das virtudes de sua administração, teve sua conduta questionada justamente por um órgão que sempre se especializou em fechar os olhos para eventuais irregularidades cometidas pelos governadores baianos nas últimas duas décadas, todos eles pertencentes a um mesmo grupo político e comandados com mão de ferro por um único líder, ACM, quando não era ele mesmo quem estava no poder.

Nunca se viu, em tempo algum, um mísero questionamento aos carlistas, apesar da inacreditável simbiose que se produziu entre o público e o privado, gerando impérios econômicos enquanto a imensa esmagadora dos baianos sofriam com os piores indicadores sociais do Brasil nas áreas de saúde, educação, saneamento básico, etc.

As contas, todas elas, eram aprovadas sem a menor restrição. Com louvor, até, num festival de salamaleques que beirava a subserviência explícita e bajulatória.

Na mesma linha, quase como um apêndice, o Tribunal de Contas dos Municípios punia com rigor desproporcional, prefeitos de partidos de oposição e faziam vistas grossas (ou vistas cegas mesmo!) aos aliados. Tanto é verdade que vários prefeitos eleitos pela oposição se bandeavam para o carlismo, primeiro para não verem seus municípios sem receber uma mísera obra do governo estadual e depois, como contrapeso, em caso de necessidade, contarem com o beneplácito dos tribunais.

Quando se diz que o TCE está prestes a perpetrar um momento histórico, isso se dá no sentido de ter que escolher entre dois caminhos.

Aprovar o relatório que pede a rejeição significa manter o caráter político que norteou o Tribunal nas últimas décadas, desta vez condenando um governador notadamente zeloso dos recursos públicos. E sabendo que essa rejeição será usada, à exaustão, nas eleições de 2010.

O outro caminho é matar no nascedouro o factóide produzido por Pedro Lino, aprovar as contas a estabelecer ao tribunal um caráter fiscalizador, independentemente do matiz partidário do fiscalizado.

Levar Jaques Wagner a ser o primeiro governador l baiano a ter contas rejeitadas, pode muito bem servir de munição para adversários políticos e mesmo aos falsos aliados (sim, eles existem aos montes e estão aí à espreita).

Mas não é o melhor caminho, a menos que os conselheiros queiram continuar integrando um tribunal de faz de contas.

Façam suas contas, o melhor, suas apostas...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

DOIS FILMES PARA SEREM LIDOS



Sou daqueles para quem um bom livro dá de goleada num filme, por melhor que ele seja.

Mas existem filmes que dão gosto de ver, ainda mais quando têm livros como temas que interligam o roteiro.

Em assim sendo, dois filmes que assisti recentemente merecem recomendação deste leitor compulsivo e cinéfilo eventual.

Um é “O pequeno traidor”, ambientado na Palestina dos momentos que antecederam a criação do Estado de Israel. O holocausto nazista atrai judeus de toda a Europa à terra que eles julgam prometida por Deus (num acreditável lapso divino, Deus parece ter prometido a mesma terra aos palestinos, mas isso é outra história).

Ainda sob domínio inglês, o território é um autêntico barril de pólvora, com toque de recolher e prisões arbitrárias.

É nesse terreno em combustão que nasce a amizade improvável entre um menino judeu e um oficial inglês. Uma relação de conflito que reproduz no microcosmo a relação macro entre dominador e dominado, tão presente na história da humanidade.

É, também, uma celebração da amizade que começa e se solidifica através da leitura. As atuações de Ido Port, que interpreta o menino, e de Alfred Molina, que faz o oficial inglês são magistrais.

O outro filme é “O Leitor”, que abre e não consegue fechar as cicatrizes provocadas pela carnificina nazista. Tenta e propositadamente deixa sem explicar como um dos povos mais cultos do mundo se curvou à loucura sanguinária de um ditador de opereta.



O pano de fundo é uma história de paixão e sexo entre uma bilheteira de bonde, Hanna Schmidth, em atuação esplendorosa que valeu um Oscar a Kate Winslet, e Michael Berg, um adolescente de família conservadora.

Em meio à iniciação do garoto e a volúpia sexual de ambos, a bilheteira pede que o estudante leia livros para ela. E ele lê muito (e também trepa muito, mas as cenas de sexo passam longe da apelação), de Homero a Kant, passando pela literatura popular.

O tempo passa, a bilheteira some sem dar notícias, o estudante vira um jovem advogado e participa, como estagiário, de um julgamento por crimes de guerra. Entre as cinco mulheres acusadas de levar centenas de judeus à morte, está Hanna. Em meio à revelação dos horrores dos campos de concentração, surge a oportunidade de livrar Hanna de uma pena maior, justamente por conta da leitura, que se transforma no fio que une -também separa- Hanna e Michael.

Não vou contar o enredo todo, que tem duas horas e meia de duração e a gente nem percebe, porque perde a graça. Mas o filme, com uma fotografia de sonho na Alemanha do pós-guerra, é simplesmente imperdível.

“O pequeno traidor” e “O leitor” estão disponíveis nas melhores locadoras.

Algum maldoso ai achou que eu iria sugerir versão pirata?

Achou errado, camaradas, visto que sou um zeloso defensor da lei e da ordem. Mas, como Zé Sarney, às vezes eu minto um pouquinho...

JORNALISMO: COM OU SEM DIPLOMA?


“Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem decidir nesta semana sobre a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. O julgamento que deveria ter acontecido na semana passada foi adiado. Eles vão julgar recurso interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal contra a obrigatoriedade do diploma. O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes. Em novembro de 2006, o STF decidiu liminarmente pela garantia do exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área”. (Folha de São Paulo)

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Bebi desta cachaça chamada jornalismo lá pelos idos de 1997 e nunca mais larguei. Não sou formado em Jornalismo, embora seja mais do que escolado em Jornalismo, se é que me entendem.

Nesse período, convivi e trabalhei com pessoas com e sem diploma.

Deu pra concluir com segurança que diploma não transforma ninguém em jornalista. Escrever é essencialmente talento, vocação.

Por outro lado, o curso superior fornece um embasamento teórico que, aliado à prática, contribui para o exercício da profissão.

Mas, descendo do muro: sou contra a exigência do diploma.

Não serão quatro anos de faculdade que farão alguém aprender a escrever com a clareza e a objetividade que o jornalismo exige.

No mais, como tudo na vida, essa é uma profissão que necessita acima de tudo de compromisso com a ética, visto qua a tal da imparcialidade é aleivosia.

E ética, infelizmente, não tem faculdade que ensine. Ou se tem, ou não tem.

Quando aos sindicatos (e escrevo aqui como quem foi durante anos membro da diretoria do Sindicato dos Jornalistas da Bahia), até entendo que eles defendam a exigência do diploma, mas fariam igualmente bem -ou melhor- caso se mobilizassem para que os cursos de graduação ofereçam condições concretas para uma formação adequada.

E essas condições inexistem na maioria das faculdades, inclusive as públicas.

sábado, 13 de junho de 2009

quinta-feira, 11 de junho de 2009

VIAGEM AO FUNDO DO MAR

Dez dias depois do acidente com o Airbus 330 da Air France, que caiu no mar levando junto mais de duas centenas de vidas, ainda permanece uma interrogação sobre a verdadeira causa da tragédia.

Nem os maiores especialistas em aviação conseguem explicar o que levou uma aeronave nova, conduzida por um piloto experiente e voando em condições aparentemente seguras, a sofrer uma série de panes até se transformar numa incontrolável máquina de 200 toneladas, mergulhada num vôo cego e irreversível.

As estatísticas, sempre elas, apontam que o avião é um dos meios de transporte mais seguros do mundo. Corre-se menos risco de sofrer um acidente aéreo, do que, por exemplo, de morrer nas rodovias, ferrovias e nos mares. As mesmas estatísticas baseadas sabe-se lá em que, revelam que é mais arriscado andar a pé do que de avião.

Pois as estatísticas perdem o sentido diante da dimensão humana de tragédias como o do vôo da Air France, que deveria terminar na Paris que tantos sonhos românticos embala e que terminou num ponto ainda não identificado nas profundezas do Oceano Atlântico.

É possível que diante da tecnologia disponível (a mesma tecnologia que não evita acidentes aparentemente impossíveis nem o surgimento de doenças de séculos passados, é bom que se diga) seja revelado com exatidão o que levou à queda do avião que não deveria cair.

Mas, essa é uma tragédia que vai além da frieza das estatísticas ou do avanço tecnológico.

Ela envolve histórias humanas e é nisso que reside a sua trágica grandiosidade.

Acidentes dessa envergadura, em meio à dor e a incredulidade de parentes e amigos, costumam revelar histórias pessoais que projetavam o futuro e foram interrompidas em questão de minutos ou de segundos.

Do casal que iria passar a segunda lua de mel nas Ilhas Gregas, às três funcionárias de Justiça que iriam curtir planejadas e ansiadas férias em Paris, passando pelos italianos que vieram ao Brasil especialmente para fazer uma doação em dinheiro às vítimas das enchentes em Santa Catarina, pelo grupo de franceses que ganhou como prêmio num concurso uma viagem ao Brasil e pela funcionaria da Petrobrás que adiou o vôo por conta de um conflito nos confins da Ásia; todos tinham histórias de vida.

Que se transformaram numa história coletiva de morte.

Havia até um príncipe, que a morte prematura impediu de encontrar sua princesa e escrever uma história de contas de fadas, tão necessária num mundo altamente competitivo e globalizado, em que as poucos se perde até a capacidade de sonhar.

Naquela noite chuvosa e especialmente turbulenta nos céus sobre o Oceano Atlântico, rota de tantos e tantos vôos que partem e chegam ao destino, a máquina criada pelo brasileiro Santos Dumont (que fez seu primeiro vôo na mesma Paris que era o destino do Airbus A330), e que evoluiu na mesmo proporção em que a tecnologia avançou, curvou-se diante do imponderável, feito um pássaro que repentinamente perde a capacidade de voar e mergulha como se asas não tivesse.

O final infeliz de todos os passageiros do desafortunado vôo da Air France, impedidos de escreverem o final feliz de cada um, nos leva a refletir sobre o sentido da vida, sua brevidade e imponderabilidade.

Sobre o próprio sentido da vida.

Navegar é preciso, voar é preciso. Mas, ao contrario do que dizem os versos do poeta Fernando Pessoa, viver é preciso.

Enquanto vida há para ser vivida.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

DO “FORA FMI!!!”, AO “TOMA FMI”


Sou do tempo do “Fora FMI!!!”, bradado com vigor pela militância petista.

Naquela época, o Fundo Monetário Internacional era visto como uma espécie de tubarão a espoliar e devorar os países pobres. A sigla soava quase como um palavrão.

O mundo gira, a Lusitana roda e eis que os petistas, ora no poder, anunciam que estão emprestando 10 bilhões de reais ao... FMI.

A dinheirama será emprestada ao Fundo e a países em desenvolvimento que sofrem com escassez de recursos por conta da crise mundial.

O Brasil, que outrora dependia da ajuda do FMI para manter suas contas em dia, agora alimenta o tubarão desnutrido.

SENHOR SECRETÁRIO


Quem sou eu para meter o bedelho em nomeações de secretários municipais, ainda mais em Itabuna?

Mas, não há como deixar de destacar a nomeação de Walmir Rosário como secretário de Governo e de Comunicação Social da Prefeitura de Itabuna.

Walmir, com quem compartilhei, juntamente com Luiz Conceição, a editoria do jornal A Região nos idos de 1990/1993, naquele que considero o melhor período da brava folha (e bota brava nisso!) manuelina, além de competente, é um cara legal..

E ser um cara legal não é pouca num meio onde um simples abraço pode trazer junto a facada nas costas.

Walmir pode até ser um pouco intransigente nas suas posições, mas em alguns casos, isso é virtude não defeito.

É bem melhor do que pular de galho em galho, que isso é coisa de macaco.

E de oportunista, per supoesto.

BANCO COMPLETO



DEU NO SITE RADAR ON LINE, DE EUNÁPOLIS

“Familiares do bancário Walton Ribeiro Cardoso, 49 anos, vivem momentos de apreensão. O gerente do Bradesco de Medeiros Neto, vítima de acidente automobilístico no último domingo, continua internado no Hospital das Clínicas de Eunápolis, em coma.

O problema, segundo eles, é que os médicos não dão um diagnóstico preciso sobre o estado de saúde da vítima, que está em UTI.

Com traumatismo craniano e com um pulmão perfurado, ele está apenas entubado, aguardando transferência para um hospital de Salvador.

Correndo contra o tempo, a família vive outro drama. O plano de saúde de Walton, a Bradesco Saúde, não estaria autorizando a sua remoção em uma UTI aérea”.

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Esse não é o tal banco completo? Seus funcionários que o digam...

DESCAMINHOS DOS ÍNDIOS

No início da década de 90 do século passado, a destruição avassaladora provocada pela vassoura-de-bruxa nas lavouras de cacau do Sul da Bahia, coincidiu com a expansão dos movimentos dos trabalhadores sem terra.

Propriedades rurais abandonadas por produtores descapitalizados e/ou desesperançados, que surgiam às dezenas diante da rapidez com que a ´vassoura´ jogou a colheita a níveis abissais, eram o alvo fácil para invasões/ocupações (neste caso, mera questão de semântica) que não raro resultavam em desapropriações e implantação de assentamentos.

Alguns produtores viam até com bons olhos a desapropriação de suas terras, extremamente desvalorizadas e sem compradores à vista. Daí que, ao contrário do que ocorre em vários pontos do Brasil, salvo um ou outro entrevero, a expansão dos assentamentos no Sul da Bahia se deu sem explosões de violência. Hoje eles somam quase 200 propriedades, numa convivência sem sobressaltos com os agricultores que permaneceram em suas terras.

Algumas cidades, como Arataca, só não sumiram do mapa por conta da presença dos sem-terra, que com a produção de cacau e outras culturas e os recursos recebidos do Governo Federal, movimentavam uma economia em frangalhos.

Naquela época, a fartura de terras a serem ocupadas era tanta que, embora ninguém admita abertamente, pessoas eram recrutadas nas periferias de Itabuna, Ilhéus e até das médias e pequenas cidades sulbaianas para engrossar os acampamentos à beira das rodovias, primeiro passo para a ocupação e posterior posse das fazendas.

Muitos, embora tecnicamente sem terra (na verdade, sem tudo, visto que viviam na mais absoluta exclusão social) não tinham qualquer experiência na vida rural. Recebiam seus terrenos e logo depois os passavam adiante, para retornarem à vida miserável de sempre.

O fato é que o movimento teve mais acertos do que equívocos, floresceu e hoje não há como negar sua importância sócio-econômica na região.

Ao recordar o caso dos sem terra, não há como deixar de fazer uma analogia com o que está por ocorrer nessa disputa por 47 mil hectares que compreendem pedaços significativos de Ilhéus, Una e Buerarema.

De comum, a luta de povos excluídos por uma vida mais digna. Por que, nisso não se pode negar o os direitos dos indígenas, sejam eles tupinambás ou tupiniquins. E a ainda discreta abordagem de alguns moradores de áreas rurais para que reivindiquem a condição de índios, para se beneficiar de uma eventual demarcação.

As semelhanças, entretanto, terminam aí. A área apontada pela FUNAI como propriedade dos tupinambás é composta por micro e pequenas propriedades, ocupadas há pelo menos um século por famílias que praticam a cultura de subsistência e do comércio da produção excedente, localizadas nas zonas rurais dos três municípios involuntariamente envolvidos no imbróglio.

Há ainda a questão de Olivença, um pólo turístico onde imperam pequenos e médios empreendimentos, que igualmente passariam a integrar a reserva indígena.

Trata-se, portanto, de uma questão complexa, que terá um longo debate pela frente, agravada pelo clima de tensão, já que alguns supostos indígenas entenderam o que é uma simples proposta da Funai como uma espécie de salvo-conduto para invadir fazendas e aterrorizar pequenos produtores.

Não é esse o caminho. Há que se respeitar, é sempre bom repetir, os direitos nas nações indígenas, espoliadas ao longo de séculos. Mas há que se respeitar também as famílias que tem o direito legítimo sobre as terras em que moram e produzem seu ganha pão.

Do jeito que as coisas caminham, vem aí um confronto de conseqüências previsíveis.

E isso não é bom para ninguém.

terça-feira, 9 de junho de 2009

NOTÍCIAS DA NOSSA GUERRA DE CADA DIA

Dados divulgados pela 6ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Corpin), revelam que no ano passado aconteceram 128 assassinatos em Itabuna e nas quase vinte cidades em seu entorno, Ilhéus excluída, por se tratar de outra coordenadoria,.

São números alarmantes que colocam Itabuna, proporcionalmente, como uma das cidades mais violentas do país, igualando-a as grandes metrópoles, naquilo que elas tem de pior e mais desumano.

O mais estarrecedor é que desses 128 homicídios, é que 118 (a esmagadora maioria deles, portanto) estão ligados diretamente ao tráfico de drogas.

Os números apenas reforçam aquilo que se percebe no dia a dia, notadamente dos bairros da periferia paupérrima, onde o tráfico se impõe diante da completa ausência do poder público.

Nessa nossa guerra de cada dia, com números que nos igualam à carnificina de guerras como a do Iraque, a droga é a força que impulsiona a violência sem limites. Uma guerra que mistura anjos e demônios, que tem entre suas vítimas, bandidos e gente inocente.

E que tem, entre os ditos bandidos, um subproduto cruel: pessoas, entre elas centenas de crianças e adolescentes, que são arrastadas para o tráfico por absoluta falta de oportunidades.

Na falta de acesso à escola, esporte e mesmo ao mercado de trabalho, esses meninos e meninas se transformam em “soldadinhos do tráfico”, plenamente descartáveis, que vêem na droga a oportunidade de ganho fácil, sem saber, ou mesmo sabendo, que dificilmente chegarão à idade adulta, visto que morrem em confronto com a polícia ou mesmo nas disputadas sangrentas pelos pontos de venda de tóxicos.

Há muito que o tráfico deixou de ser um problema localizado, restrito aos morros cariocas e favelas das grandes capitais do Sul/Sudeste do Brasil, e se espalhou para todas as cidades, de todos os tamanhos, especialmente a partir a escalada avassaladora desta verdadeira praga que é o crack.

O mundo do tráfico forma uma cadeia perversa que inclui roubos de veículos, assaltos, aquisição de armas através do contrabando. E assassinatos, muitos assassinatos, contados às dezenas, centenas.

É triste imaginar que muitas das 118 mortes relacionadas ao tráfico de drogas poderiam ter sido evitadas, fosse dada às crianças e jovens que tombaram nessa guerra insana, uma oportunidade que fosse de seguir outro caminho.

Por que, ao contrário do que pregam os defensores da violência pela violência, na ótica de que um traficante morto é um marginal a menos, ninguém nasce bandido.
Muitos se tornam bandidos pela força as circunstâncias, num circulo vicioso que não para de crescer.

Quando a marginalidade passa a ser o único caminho (e quase sempre um caminho sem volta) é a sociedade quem empurra, pela completa omissão, essas crianças e jovens para o mundo do crime.

E para a morte!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

RICOS E CARECAS


Lula está cada vez mais Lula, com suas metáforas que fazem dele um comunicador por excelência. Em Caravelas, no Extremo Sul da Bahia, onde assinou decreto de criação de reservas extrativistas, Lula voltou a atacar os países ricos, dizendo que eles estão "carecas", pois já desmataram a ponto de não ter mais árvores.

Lula disse que ainda que, depois de desmatar todas as suas florestas, os países ricos têm de começar a pagar, para que outros países, como o Brasil, preservem suas matas.

Ou seja, Lula garante a peruca, mas vai cobrar caro dos carecas.

sábado, 6 de junho de 2009

SEGUUUUUUUUUURA O TCHAN!

Vocês se lembram dos áureos tempos do axé-music?

Era um tal de “segura o tchan”, “amarra o tchan”, “balança o tchan” e aquele bolodório todo sem sentido, tocado num volume ensurdecedor.

Como tudo o que é ruim dura muito, mas felizmente acaba (ou pelo menos reflui) o tal axé-music perdeu espaço para outros gêneros, que também não são lá essa “Anísio Santiago” toda. (Anísio Santiago, pra quem não sabe, é a antiga Havana, uma cachaça pra se beber de joelhos).

Mas, com o ocaso do axé-music, por onde andarão aqueles “talentos abundantes”, que rebolavam enquanto os vocalistas perpetravam canções com a profundidade de um pires?

Esse vídeo pode ser uma boa resposta...

O tchan já não abunda mais. Ou abunda?

O SENHOR DAS MATAS



Pode ser coincidência, mas não deve ser obra do acaso, que o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) seja comemorado em data tão próxima ao Dia Internacional do Cacau (7 de junho).

Se o Sul da Bahia preserva uma das poucas áreas remanescentes de Mata Atlântica no Brasil, espetacular paraíso da biodiversidade, isso se deve ao cacau.

O cacaueiro necessita de sombra para produzir o fruto que tantas riquezas gerou para a Região e as árvores da Mata Atlântica permitiram, ao longo de décadas, esse casamento que resultou na produção de cacau e na conservação do meio-ambiente. Um modelo de produção que é conhecido como cacau cabruca.

A chegada da vassoura-de-bruxa provocou uma espécie de crise nesse casamento, já que, descapitalizados, muitos produtores deixaram o cacau de lado e derrubaram a mata, seja para vender a madeira, seja para transformá-la em pasto, substituindo a lavoura pela pecuária.

Em função disso, nos últimos vinte anos, acentuou-se a devastação da Mata Atlântica, mas ainda assim, o que se conseguiu preservar compõe um patrimônio ambiental importante.

Daí a necessidade de conter o desmatamento.



Algumas iniciativas contribuíram para despertar no produtor de cacau, a despeito de todas as dificuldades enfrentadas por causa da falta de recursos, a importância de manter o modelo preservacionista. Um bom é exemplo é o Instituto Cabruca, com seu trabalho incansável, que começa a gerar resultados.

O instituto foi criado para desenvolver projetos que agreguem valor ao cacau e incentivem a utilização sustentável de espécies nativas.

Conscientizar é importante, mas não resolve, já que muitas vezes a necessidade sobrepõe-se à vontade.

É preciso que os produtores recebam algum tipo de incentivo, financeiro principalmente, para produzir cacau e ao mesmo tempo preservar a Mata Atlântica.

Nesse sentido, é mais do que oportuno o Projeto de Lei 4995 de 2009, de autoria do deputado federal Geraldo Simões (PT/BA), que aponta o sistema Cabruca como alternativa rentável à preservação do bioma da Mata Atlântica, através do desenvolvimento sustentável, em que a atividade econômica está atrelada à conservação ambiental. O projeto oferece vantagens para quem cultiva cacau em áreas de Mata Atlântica.

A esse projeto, some-se a decisão do Banco do Nordeste, após gestões feitas pelo governador Jaques Wagner e pelo secretário de Agricultura Roberto Muniz, com o aval dos segmentos da lavoura, de incluir o cacau no FNE Verde.

Além de melhorar as condições para a renegociação das dívidas dos produtores, o FNE Verde tem como foco justamente a produção através da sustentabilidade. No caso do cacau, vai premiar quem conserva a Mata Atlântica.

Com ações concretas, poderemos retornar a força desse “casamento” Cacau-Mata Atlântica, legando para as gerações futuras uma região que se orgulhe não apenas de conservar o meio-ambiente, mas também se oferecer qualidade de vida para a sua população.

Talvez esteja aí o verdadeiro significado da expressão “fruto de ouro”.

Não no sentido de riqueza desmedida, desperdício perdulário e desigualdade social entre os poucos muito ricos e os muitos muito pobres.

Mas no sentido de prosperidade compartilhada, conservação ambiental e atividade econômica diversificada e calcada em bases sólidas.

Pode parecer sonho.

Mas nada que seja impossível numa região que, com trabalho e espírito empreendedor, fez brotar uma civilização capaz de suportar todas as crises e sempre dar a volta por cima.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

REGIÃO CACAUEIRA. DO PARÁ?


De acordo com relatório publicado pela CACAUTH (TH Consultoria), enquanto a produção de cacau permanece estagnada na Bahia, aumenta em outros estados, como Pará e Espírito Santo.

Os números da CACAUTH apontam que a produção baiana oscila entre 100-143 mil toneladas/ano, o que representa apenas 30% de sua produção anterior à incidência da vassoura-de-bruxa. Enquanto isso, no Espírito Santo a produção cresceu 15% e no Pará expressivos 78% nos últimos 10 anos.

Ainda vão acabar nos tirando o título de Região Cacaueira.

A VOZ NADA ROUCA DAS RUAS


O deputado federal Geraldo Simões (PT) foi um dos baianos que assinaram a PEC do 3º. Mandato, reapresentada pelo deputado Jackson Barreto, agora com mais de 180 assinaturas. A proposta, se aprovada, permitirá a Lula disputar a re-reeleição.

Aos que apontam a PEC como uma canelada na Constituição, Simões responde que o Legislativo é em essência a Casa do Povo. E o povo já sinalizou que deseja um novo mandato para Lula.

Daí que,,,

FANTASMINHA CAMARADA


Está nos blogs e jornais da Bahia e deve ganhar o Brasil: descobriu-se que quase metade do financiamento eleitoral da prefeita de Candeias, Maria Maia (PMDB), veio de uma pessoa morta há cinco anos. Almerinda Monteiro dos Santos tem registro de ambulante na Secretaria da Fazenda do Estado e aparece como doadora de R$ 266 mil, ou 44% dos R$ 604 mil oficialmente arrecadados. Uma certidão de óbito emitida pelo Estado da Geórgia (EUA), onde mora a filha de Almerinda, confirma sua morte em 6 de junho de 2004.

Cá para nosotros, qual o motivo do espanto?

Nessas coisas de prestação de contas de campanha eleitoral acontecem coisas do outro mundo.

Com o devido respeito à memória de dona Almerinda, eis o que se pode chamar de fantasminha camarada.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

BATALHA CAMPAL



Um morto, dezenas de feridos, um ônibus incendiado e varias armas apreendidas.

Ao contrário do que pode parecer, não se trata do saldo de mais uma batalha nos confins do Oriente Médio, em que ódios tribais e disputas religiosas explodem em atos de violência cotidiana.

Nem é resultado de mais uma guerra envolvendo disputa pelos pontos de drogas, nas favelas das grandes metrópoles brasileiras, onde os traficantes ditam a lei e impõe o terror.

A morte de uma pessoa, os feridos e o incêndio do ônibus, em São Paulo são frutos de uma briga entre torcidas do Corinthians e do Vasco da Gama, após o jogo que classificou o time paulista para a decisão da Copa do Brasil.

A briga foi uma sequencia do que já havia acontecido no primeiro jogo entre as duas equipes, no Rio de Janeiro, quando um menino de 12 anos morreu de tanto levar pancadas.

Era, portanto, o troco e ele veio com mais ferocidade ainda.

Torcedores do Corinthians e do Vasco do Gama (seriam mesmo torcedores, ou marginais?) reproduziram uma prática que se tornou comum não apenas no Brasil, mas também dos campos da Europa dita civilizada. Lá, ingleses, espanhóis e italianos especialmente, transformaram o futebol num triste espetáculo de sangue, que se estende das arquibancadas para as ruas.

O que se vê e se ouve nos estádios brasileiros são gritos que, em vez de incentivar o time do coração, se tornam uma apologia da violência.

Das palavras à ação, é um tapa, um soco, um tiro. Literalmente.

As chamadas torcidas organizadas mais parecem gangues, para quem o adversário de clube é o inimigo a ser dizimado. Isso quando eles não brigam entre si, já que qualquer coisa é pretexto para a violência.

Há muito tempo que o futebol, essa paixão nacional, deixou de ser um programa familiar.Quem é louco de levar a esposa, os filhos ou a namorada a um jogo entre Flamengo x Vasco, Corinthians x Santos, São Paulo x Palmeiras, Cruzeiro x Atlético ou Bahia x Vitória?

Os estádios se tornaram válvula de escape para descarregar todo tipo de frustração e/ou ressentimento. Sempre em grupo, o que os torna ainda mais ferozes e difíceis de serem identificados, esses marginais estão fazendo com que os verdadeiros torcedores só possam acompanhar o futebol de longe, pela televisão.

Até sair na rua ostentando orgulhosamente a camisa do time do coração se tornou arriscado. Um torcedor foi morto em São Paulo num dia em que nem havia jogo de futebol. Morreu porque estava com a camisa de seu time e deu o azar de cruzar com adversários de time.

A explosão de violência entre corintianos e vascaínos levou à promotoria pública a exigir que a partir de agora os jogos em São Paulo sejam com torcida única. A medida que pode ser estendida a outros estados.

Isso mesmo: São Paulo x Corinthians, no Morumbi, só com torcedores tricolores. No Pacaembu, só corintianos. E por aí vai.

Pode ser um paliativo, mas ao menos se faz alguma coisa para conter essa brutalidade.

Mata um pouco a graça do futebol, mas é melhor matar a graça, do que morrer tanta gente por causa do futebol.

Mas, o que resolve mesmo é punir com rigor esses bandidos, no mínimo impedindo que cheguem perto de um estádio.

Para quem agride e mata, a solução é cadeia mesmo, porque esse é o lugar de marginal. E não no estádio, que deveria ser, mas não é mais, lugar de torcedor,

CEM ANOS DE QUE???

Deu no blog Alerta Geral:

"Três assaltantes foram presos em flagrante quando roubavam um banco no centro de Ilhéus na tarde de terça-feira (2). Segundo a polícia, os bandidos se dividiram dentro da agência bancária no momento do assalto.
Enquanto Ricardo Prates dos Santos fazia clientes reféns com uma pistola sem munição, os comparsas Leandro dos Reis Nascimento, 18 anos, e Rodrigo Ferreira Silva, 19 anos, retiravam dinheiro dos caixas.
Ricardo dos Santos acabou atingido por dois tiros ao reagir à abordagem feita por um policial civil que estava na agência. Ele foi levado para o Hospital Regional de Ilhéus, onde está internado em estado grave.
Já Leandro e Rodrigo tentaram se esconder no banheiro do banco, mas foram descobertos pelo mesmo policial. Eles foram presos e encaminhados para a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Ilhéus"

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Vai ver que foi a fila que inviabilizou o assalto,,,

ADEUS, LULINHA

Lulinha está indo embora.

Calma, tucanos e demos!

O Lulinha em questão é o do Corinthians. Pintou como grande promessa, não vingou e vai tentar a vida no futebol português.

Já o Lulão...

Esse só sai em 2010.

Sai mesmo?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

PASSA O CELULAR, PORRA!

Em Itabuna, 19 horas. Esquina da avenida Juracy Magalhães com a rua Marechal Floriano Peixoto, centro da cidade.

Uma estudante universitária está quase chegando em casa, quando decide fazer uma ligação pelo telefone celular.

A ligação não dura nem um minuto. Mal ela acaba de colocar o aparelho na bolsa, é abordada por um sujeito armado, com o capacete na cabeça providencialmente escondendo o rosto, que decreta, rispidamente:
-Passa o celular, porra!

A jovem se assusta, tenta pegar o celular, mas o assaltante está impaciente. Ainda com a arma apontada para a cabeça dela, arranca a bolsa e sai, mandando que ela não se mexa.

Poucos metros depois, um motoqueiro, que igualmente protegido pelo capacete, aguarda o colega de crime, liga a moto e sai tranquilamente pela avenida, no sentido centro-bairro.

Estava consumado mais um assalto cometido pela horda de motobandidos que nos últimos anos assola e assusta os itabunenses.

A cena é tão banal que nem deveria mais chamar a atenção.

Ao contrário: justamente por ser tão banal é que deve chamar a atenção.

Não é possível que esses marginais a bordo de motos e protegidos por capacetes continuem agindo com tanta freqüência sem que a polícia tome providências para, ao menos, reduzir o número de assaltos.

Esses motobandidos assaltam transeuntes, lojas, lotéricas e outros estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços com uma facilidade que espanta.

Agem na mais completa impunidade e criam uma sensação de pânico tal que, de carro ou à pé, quando cruzamos com duas pessoas a bordo de uma moto, já ficamos com medo de sermos assaltados.

A minoria que usa as motos para cometer assaltos acaba nos levando a achar que todos os motociclistas são bandidos em potencial. E, obviamente, não são.

A Assembléia Legislativa da Bahia aprovou e o governador Jaques Wagner sancionou uma lei que regulamenta o transporte complementar no Estado. A medida inclui vans, kombis, ônibus e micro-ônibus, mas não contempla as motos.

Não seria o caso, já que não é possível por enquanto regulamentar, a menos disciplinar a atividade através de associações e com a devida identificação dos trabalhadores?

Sim, trabalhadores que lutam para sustentar suas famílias e que não podem nem devem ser confundidos com esses bandidos, que usam as motos como ferramentas para o crime.

À identificação dos motoboys, deve seguir uma fiscalização rigorosa e não apenas as blitzen esporádicas, que invariavelmente fazem apenas a alegria dos donos de empresas de guinchos.

O que não se pode é ficar de braços cruzados.

Ou, com cada vez mais freqüência, de mãos ao alto.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A COPA DO MUNDO É NOSSA


A escolha de Salvador como uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, que será disputada no Brasil, foi tão previsível quanto o próximo escândalo envolvendo senadores e/ou deputados.

Disputando 12 indicações entre 17 concorrentes, Salvador, principal destino turístico do Norte/Nordeste e uma das principais capitais brasileiras, dificilmente ficaria de fora. E não ficou.

Ainda assim, mesmo sem o ufanismo de praxe, é uma conquista a ser comemorada pelos baianos.

A Copa do Mundo de Futebol é o principal evento esportivo do planeta e atrai as atenções de bilhões de pessoas.

O Brasil, a despeito da fuga cada vez mais precoce de seus talentos para o Exterior, é a terra em que o futebol não é apenas um esporte e sim uma paixão.

A Copa de 2014 será, portanto, a festa do futebol no país que em tempos idos elevou esse esporte inventado pelos ingleses à condição de arte, pelos pés de Pelé, Zizinho, Didi, Garrincha, Rivelino, Zico, Falcão e Cia. Limitada.
Salvador -e a Bahia por extensão- tem muito a ganhar com a Copa do Mundo, mesmo que a chance de sediar algum jogo do Brasil seja reduzidíssima. Isso será privilégio de paulistas e cariocas.

A Copa do Mundo não se limita à prática do “ludopédio”, como se dizia nos tempos de antanho.

Ela envolve obras de infra-estrutura, como a melhoria do sistema viário, modernização da rede hoteleira, sistema de telecomunicações e a construção de um novo Estádio, entre outros investimentos.

A bola para de rolar, mas esses investimentos continuarão sendo desfrutados pela população. Não é pouca coisa: dados do Governo do Estado indicam que os recursos para a Copa em Salvador, dos setores públicos e privados, devem chegar a R$ 2,6 bilhões de reais. Isso sem contar os milhões de dólares que deverão circular na Capital com a presença de turistas/torcedores dos países que disputarão jogos no Estádio da Fonte Nova, que será reconstruído especialmente para a ocasião.

Salvador certamente será uma cidade melhor (ou menos pior, a depender do ponto de vista) para se viver, muito em função das exigências feitas pela FIFA para sediar jogos do Mundial.

A Copa é em si um grande negócio, razão pela qual a Bahia não poderia ficar de fora.
Por falar em grande negócio, nunca é demais chamar a atenção para o lado obscuro de qualquer evento que exige investimentos e a realização grandes obras: as negociatas.

Em se tratando do Brasil o alerta é de bom alvitre, dada a voracidade com que certos empresários e certos políticos, fazendo duplas perfeitas, capazes de transformar Pelé-Coutinho em pernas de pau, conseguem inflar o valor de obras e dar caneladas na transparência e na aplicação correta dos recursos públicos.

Nunca é demais lembrar: a Copa do Mundo e nossa e boa parte dos investimentos previstos também, já que sairão dos impostos que pagamos, também.

No mais, é bola pra frente, tomando o necessário cuidado de tomar bola nas costas.

Por que esse é um jogo em que nem sempre o juiz é que é o ladrão...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

PIRATAS RUSSOS



Aviso aos navegantes: a versão pirata do filme Anjos e Demônios (que peguei emprestado de um amigo, já que sou um sujeito respeitador da lei e da ordem) é a maior roubada.

A cópia foi feita na Rússia e a tradução para o português é pra fazer qualquer analfabeto se sentir um PhD da língua-pátria.

Para quem não leu o livro de Dan Brown que deu origem ao filme, o DVD pirata é um verdadeiro samba do crioulo doido.

Ou do russo mamado de vodka.

Falsificada, claro!

“CAICAU”


Produtores mais realistas estimam que a produção de cacau no Sul da Bahia este ano deve bater no nível mais baixo das últimas décadas, ficando entre 105 mil e 110 mil toneladas.

É quase ¼ do que se colheu no início da década de 80 do século passado, antes do advento de uma bruxa montada numa vassoura.

E dá uma dimensão do tamanho da crise em que mergulhamos e da qual não conseguiremos emergir, enquanto essa fantástica bóia chamada PAC do Cacau não sair da categoria ´boa intenção`.

NOTICIAS DA TRIBO

Cresce a tensão por conta da área reivindicada pelos índios tupinambás nas regiões de Olivença/Una/Canavieiras.

Neste final de semana, um grupo de 30 pessoas invadiu a fazenda Santa Rosa, na Serra do Padeiro e incendiou a sede. Assustados, os trabalhadores rurais se refugiaram na mata.

A fazenda Santa Rosa é a mesma em que, na semana passada, foi encontrado o corpo de um homem, ainda não identificado, assassinado a golpes de facão.

CORRE PRA GALERA


Tão logo foi confirmado o nome de Salvador como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, o governador Jaques Wagner, a bordo de uma reluzente camisa da seleção brasileira, correu pra galera e fez a festa no Pelourinho.

Um olho na bola outro na urna.

Com o trunfo da Bahia no mapa do Mundial, Wagner soma gols, perdão pontos, para 2010, onde a disputa promete ser igualmente renhida e sujeita a caneladas de todos os lados.

Wagner sabe que para não ver a Copa de 2014 pela tevê, terá que passar por 2010.