sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

DE OSASCO PARA NINGUÉM


Rádio Iguatemi, Osasco (SP), 1980. A emissora operava em Ondas Tropicais, podia ser ouvida na Amazônia, nos rincões da América do Sul, mas em Osasco mesmo era captada em aparelhos de rádio especiais. Ou seja, era “falando para o mundo e cochichando para ninguém”.

Ainda assim, eu, Cláudio Cruz (um dos amigos que preservo até hoje, quase 25 anos depois de ter trocado São Paulo pela Bahia) e Chico Motta (que depois se elegeria vereador) fazíamos com galhardia um programa esportivo diário.

Acho que só o operador de áudio ou algum visitante eventual que estivesse no estúdio (ou então algum índio amazônico, um colalero boliviano, um peruano perdido lá pelos altos de Machu Pichu) ouvia aquele programa; mas era como se falássemos para Osasco inteira e para boa parte de Carapicuíba, Barueri, Jandira, Itapevi e outras cidades da Região Oeste da Grande São Paulo.

Para nós não bastava apresentar um programa esportivo na única emissora de rádio de Osasco. O pioneirismo nos convocava, atiçava.

Pois eu, Chico e Cláudio decidimos que seríamos os primeiros a transmitir ao vivo um jogo entre dois times de futebol profissional de Osasco,
“Profissional” é um pouco de exagero. Rochdale e Montenegro disputavam o equivalente à 5ª. Divisão do futebol de São Paulo e teriam certa dificuldade em vencer o Itabuna e o Colo Colo, times do Sul da Bahia cujos jogadores tem sérias dificuldades de relacionamento com uma dama chamada bola de futebol.

“Transmissão ao vivo” também é um pouco de exagero. O que a gente iria fazer era gravar o jogo, com narração, comentários e reportagens e depois correr pra rádio e colocar no ar. Um gravador pré-histórico foi colocado à beira do campo e fizemos o nosso trabalho, cobrindo aquela partida mulambenta como se fosse uma final de Copa do Mundo. Chico se esgoelava na narração, Cláudio caprichava nos comentários e eu fazia as reportagens de campo. Sintonia total e perfeita.

O “clássico” da Cidade-Trabalho (acho que esse era o slogan de Osasco) terminou 2x2 e estávamos prontos para entrar na História. Quando chegamos à rádio e ligamos o gravador, nada. Nem um chiado. Mudo como aquelas ligações que a gente faz para pedir o cancelamento de um cartão de crédito ou reclamar da conta de telefone.

Mexe no gravador, dá umas pancadas nele. Nada, de novo. Mudo estava e mudo ficou. A História parecia nos virar as costas. E nos virou mesmo!

Por uma dessas coisas inacreditáveis, nós que pensamos em tudo, no esquema de transmissão como se fosse ao vivo, no tempo que levaríamos para chegar à emissora e até na chamada anunciando a narração pioneira, nos esquecemos de que, quando não estão ligados a uma tomada (o que não era o caso, pois estávamos à beira do gramado), gravadores necessitam de pilhas para funcionar.

E ninguém se lembrou de colocar pilhas no desgraçado do gravador.

Não houve transmissão nenhuma e o pioneirismo deu lugar a uma imensa frustração, curada com copos e mais copos de rabo de galo (uma mistura bombástica de pinga com groselha, muito popular naquele tempo) no boteco da esquina, onde provavelmente nem o dono nos ouvia. A menos que fizéssemos o programa esportivo berrando lá do estúdio!
O índio amazônico, o cocalero boliviano e o viajante andino nem se deram ao trabalho de escrever pra protestar por serem privados daquele momento ímpar em suas monótonas existências.

Fizemos, enfim, “a primeira transmissão mais anônima da história do rádio osasquense”. Quiçá paulista, quiçá brasileira, quiçá mundial.
A gente perde a pilha, mas não perde a pose.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

MIANDO DE ITABUNA PARA O MUNDO

Itabuna é mesmo uma terra de prodígios e talentos que surgem aos borbotões. Vejam só a figura que apareceu no Domingão do Faustão, na Rede Globo, no dia 25/01.

Edílson Soares dos Santos, que se apresentou como ´tomador de cachaça´ (honrosa profissão!), participou do quadro “Se Vira nos 30”, imitando um casal de gatos em pleno “mia no meu que eu mio na sua”.

Antes de parar no inevitável Youtube, Edilson sobe no telhado deste (ainda) modesto blog.

Itabuna, que revelou Jorge Amado para o mundo, agora orgulhosamente apresenta “Edilson e seus Gatinhos no Cio”.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O RAPAZ DE ILHÉUS E A MOÇA DO POSTO

Primórdios da TV Cabrália, final da década de 80, início da década de 90.



Cena 1
Nestor Amazonas, mentor e então superintendente daquela aventura que era implantar no Sul da Bahia a primeira emissora de televisão do Norte/Nordeste do Brasil, me chama na sala dele e diz:

-Tá vindo aí um rapaz de Ilhéus, muito bem recomendado. Você coloca ele como editor do Jornal do Meio Dia ou do Repórter Regional.

O JMD e o RR eram, então, os principais telejornais da emissora. Mas com Nestor era assim que as coisas funcionavam. “Coloca ele como editor” e não se fala mais nisso.

Ou, se fala. Quando o “rapaz de Ilhéus” entra no departamento de jornalismo, eu vejo que se tratava de um quase menino. Indicado pelo Nestor, mas ainda assim bastante novo para aquilo que eu imaginava para a função de editor. Feitas as apresentações de praxe, resolvi o problema:

-Você não tem cara de editor, você tem cara de repórter. A partir de amanhã, começa a trabalhar com a equipe de externa, fazendo reportagens.

No dia seguinte, com uma reportagem sobre a precariedade da Guarnição do Corpo de Bombeiros em Itabuna, aquele rapazinho que pela minha intuição não servia para editor iniciava uma das mais brilhantes carreiras de um repórter na Bahia, com passagens pela TV Cabrália e TV Santa Cruz, e rompendo as fronteiras regionais até chegar a Angola, na África, onde trabalhou em duas oportunidades. Aventurou-se pelo marketing político e, além de Itabuna, atuou em Salvador, Aracaju, Recife, Curitiba, Macapá e outras praças.

O nome desse rapaz é Maurício Maron, que dispensa apresentações.




Cena 2
Entro no estúdio da TV Cabrália, levando o roteiro do Jornal do Meio Dia. Naquele tempo não havia computador e as falas dos apresentadores eram escritas numa máquina de datilografia especial, com letras grandes, que ficavam ainda maiores quando colocadas num teleprompter, equipamento que permite passar ao telespectador a impressão (falsa) de que o apresentador ou a apresentadora “decoraram” todas aquelas notícias.

Com o papelório nas mãos, tenho a atenção desviada pra uma moça loira, bonita, vestida com um macacão de posto de gasolina, pronta para gravar o sorteio de alguns vales-combustível, uma promoção da TV Cabrália com o Posto Universal.

De novo movido pela intuição, peço para acenderem as luzes do estúdio, ligar o teleprompter, pego aleatoriamente uma das folhas do Jornal do Meio Dia, entrego para a moça e decreto:

-Senta aí na banqueta de apresentadora e leia isso pra mim.

Ninguém entendeu nada, a moça menos ainda. Mas, foi lá e leu, meio sem graça, mas com firmeza.

Nem esperei ela se levantar da banqueta. Sai do estúdio e fui direto para a sala de Ramiro Aquino, já ocupando a superintendência da emissora. Direto e objetivo:

-Ramiro, descobri uma apresentadora da porra!!!

Ramiro, umas das mais duradouras amizades que fiz nesse chão grapiuna, não perguntou nem como nem quem era. Apenas autorizou contratar, sem maiores delongas.

O Posto Universal perdeu uma garota propaganda e a televisão ganhou uma apresentadora de primeira linha, que fez história na Cabrália apresentando o Jornal do Meio Dia e programas especiais (um deles de antologia, o dos 80 anos de Jorge Amado), passou pela TV Santa Cruz, trabalhou na TV Globo do Rio e de São Paulo e depois foi para a Rede Manchete/Rede TV, onde está até hoje, esbanjando talento e simpatia.

A moça do posto de gasolina atende pelo nome de Claudia Barthel, que como o ´velho´ e bom Maron, também dispensa apresentações.

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Nos tempos de hoje, em que a Uesc, FTC e Unime/FacSul despejam jornalistas aos borbotões todos os anos (alguns deles já se achando um Willian Bonner, um Clóvis Rossi, uma Fátima Bernardes ou uma Eliane Cantanhede), histórias como essas parecem lenda, delírios de um quase ex-jornalista.

Mas, como outras que contarei “adelante”, foram reais, numa época em que havia menos formalismo e mais romantismo na profissão.

Se era melhor ou pior, quem sou eu pra dizer?

MUNDO ANIMAL

Deu na Globo:





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Quantas e quantas crianças não são vítimas desse tipo de brutalidade?
Cadeia é pouco pra quem agride uma criança indefesa.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

PEGA LEVE!!!

Pai vende filha por US$ 16 mil e 100 caixas de cerveja

Um homem de Greenfield, Califórnia, foi preso acusado de combinar o casamento de sua filha de 14 anos, vendendo a adolescente por US$ 16 mil (cerca de R$ 37 mil), cem caixas de cerveja, várias caixas de carne e outros objetos.
Segundo o site da polícia de Greenfield, Marcelino de Jesus Martinez, 36 anos, vendeu a filha adolescente para Margarito de Jesus Galindo, de 18 anos.
A adolescente foi morar com Galindo e, quando o pai não recebeu o pagamento, chamou a polícia de Greenfield, para que os policiais trouxessem sua filha de volta uma semana depois de ela ter ido para a casa do marido.

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PS- Pelo jeito, além de não entregar os dólares, o rapaz ainda mandou para o “sogrão” 100 caixas de Nova Schin, em vez de cerveja...

MAIS UMA ESPERANÇA?


Pesquisa aponta nova perspectiva
para o controle da vassoura-de-bruxa


Com o trabalho de pesquisa Fluído apoplástico foliar do cacau – uma nova perspectiva para seleção de plantas resistentes à vassoura-de-bruxa do cacaueiro, a doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Genética e Biologia Molecular da UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz (Ilhéus/BA), Heliana Argôlo Santos Carvalho, tem importante participação na geração de ferramentas tecnológicas que para o controle da principal doença que infesta os cacauais do Sul da Bahia, a vassoura-de-bruxa, com reflexos negativos na economia regional.
O trabalho conquistou o 2º lugar no Concurso Idéias Inovadoras-2008, na Categoria Doutorandos, e está sendo desenvolvido em três níveis, no Centro de Genética e Biologia Molecular da Universidade. O primeiro deles consiste no estabelecimento de dois novos protocolos de extração de proteínas nativas e desnaturadas de folhas e meristemas do cacaueiro. Esses protocolos são considerados de grande utilidade para o desenvolvimento de ações de pesquisa básica e para a identificação de proteínas envolvidas na resistência do cacaueiro ao seu maior patógeno – o Moniliophthora perniciosa – fungo causador da vassoura-de-bruxa.
O segundo nível da pesquisa está relacionado à fixação de um novo protocolo de extração de fluído apoplástico de cacau. “Sabe-se que o apoplasto tem um papel importante nos mecanismos de defesa da planta e responde a estresses bióticos e abióticos, como poluição atmosférica, toxicidade por metais pesados, seca, infecção por patógenos, entre outros. E que a maioria das modificações no fluído apoplástico, induzidas pelo estresse, está relacionada com o aumento da expressão de proteínas de defesa”, explica a pesquisadora.
O terceiro nível de inovação diz respeito à utilização do fluído apoplástico do cacaueiro para identificar e selecionar, precocemente, variedades da planta resistentes à vassoura-de-bruxa. Assim, segundo a pesquisadora, “esse teste precoce poderá ajudar os melhoristas e produtores a selecionar plântulas de cacau resistentes, nas diferentes progêmies em desenvolvimento, tanto nas instituições de pesquisa quanto em nível de propriedade agrícola”.
No seu trabalho de pesquisa, Heliana Carvalho tem a participação de Lívia Santana dos Santos e Thyago Hermylly Santana Cardoso, ambos alunos de graduação em Biologia e bolsistas de Iniciação Científica da UESC.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

KAKÁ E O FUTEBOL-PAIXÃO




No futebol mercenário de hoje, em que beijar o escudo do time na camisa é quase uma heresia, a decisão de Kaká em permanecer no Milan é de se bater palmas de pé.

Kaká abriu mão de uma montanha de dinheiro oferecida pelo Manchester City para continuar jogando no time que gosta e em que pode ganhar títulos e não apenas engordar a conta bancária, o que faltamente ocorreria no milionário, mas inexpressivo time inglês.

Trata-se, definitivamente, de um jogador diferenciado, além de um craque de primeira linha.

GUETO DE GAZA

Cenas do cotidiano na Faixa, ou melhor, no Gueto de Gaza.

Aí estão os "terroristas" palestinos que Israel diz combater.






segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

DESGRAÇA DE UNS, ALEGRIA DE OUTROS

Tradução de artigo do Financial Times, de Londres, de 14/01/2009:

Futuro desanimador para a cacauicultura na Costa do Marfim
By Mathew Green, West Africa correspondent

Published: January 14 2009 18:44

Nos anos dourados, após sua independência da França, em 1960, as plantações de cacau na Costa do Marfim eram uma frutífera máquina de prosperidade. Milhões de migrantes ajudaram a criar o que viria a se transformar no maior setor cacaueiro do mundo. Arranha-céus construídos com seus lucros tornaram Abidjan – a capital comercial – em uma “Manhattan da África Ocidental”. À medida que os frutos surgiam, aumentava também a autoconfiança nacional. Hoje, as perspectivas são inequivocamente sombrias. Os distúrbios políticos que se seguiram à guerra civil de 2002 impediram os investimentos necessários para a renovação de velhas plantações. A cultura do cacau, antes uma fonte de orgulho, perdeu seu prestígio.

A nuvem que paira sobre o setor cacaueiro da Costa do Marfim – que produz 40% do cacau mundial – tem alimentado um impulso desafiador da gravidade nos preços do produto, mesmo quando a desaceleração mundial provoca o colapso em outras commodities. Os preços em Londres saltaram quase 70% no ano passado, atingindo os níveis mais altos dos últimos 23 anos, a £1.820 a tonelada, sustentados pelos temores quanto à oferta, e pela fraqueza da Libra. Os preços em Nova York , denominados em dólares, cresceram mais de 30% no ano passado.

Técnicos informam que, com alguns cuidados, o cinturão cacaueiro do país poderá se recuperar. Mas, se um esforço de recuperação não for organizado em breve, as colheitas deste ano poderão marcar o início de um longo declínio que elevará os preços do cacau durante anos. “Caso o status quo continue, então o setor cacaueiro provavelmente sofrerá uma morte lenta,” declarou Daniel Sellen, principal economista agrícola do Banco Mundial em Abidjan. “Se nada for feito, não se pode descartar um colapso do setor”.

Alguns interpretam as fracas colheitas desta safra como um alerta sobre o que está por vir, para o mercado do cacau. Os recebimentos de cacau até a semana passada foram os menores em muitos anos. Apenas 530 mil toneladas foram recebidas da safra principal, iniciada em outubro, uma queda de mais de 35%, contra as 835 mil toneladas do mesmo período no ano passado. As colheitas terminam em meados de março. Embora as expectativas passadas da ruína do setor e de preços permanentemente altos se provaram prematuras, os produtores hoje se defrontam com uma constelação particularmente tóxica de problemas.

As facções beligerantes do conflito que dividiu o país após 2002 sugaram os recursos do setor, deixando as áreas rurais carentes de investimentos. Estando entre os produtores mundiais mais fortemente taxados do mundo, os agricultores marfinianos não dispõem de recursos ou incentivos para adquirirem fertilizantes ou para replantio. Os produtores recebem apenas cerca de 35-40% dos preços internacionais, comparado com 75-90% dos produtores rivais.

Doenças, inclusive a podridão parda, também assolam as plantações. Com um volume muito alto de cacaueiros no ápice do marco de 25 anos, a partir de onde a produtividade cai, muitos temem que a Costa do Marfim possa estar à beira de uma mudança estrutural de muitos anos de produção declinante, deixando o mercado mais dependente da oferta de Gana, Nigéria, Camarões e Indonésia. Além disso, muitos produtores na Costa do Marfim trocaram o cacau pela borracha, reduzindo ainda mais a produção, em busca de melhores retornos.

O Banco Fortis de investimento informa que sem maiores cuidados e investimentos agrícolas, dificilmente a produção poderá ser sustentada acima de 1 milhão de toneladas anuais, um nível que poderá vir a ser sustentador de preços. François Ruf, pesquisador do Instituto Cirad de Agricultura Tropical, acredita que há um risco evidente de queda constante de produção. “Não ficaria surpreso se, dentro de poucos anos, a Costa do Marfim esteja produzindo apenas 500 – 600 mil toneladas anuais de cacau”.



Neste cenário, os comerciantes de cacau ingleses temem que os preços possam disparar acima de £2000 por tonelada, atingindo níveis não vistos desde o final da década de 70. Em julho de 1977, em termos nominais, os preços atingiram o pico de £3.512. “O setor do cacau está vivendo da mão para a boca, de safra para safra,” declara o Banco Fortis. O processo de liberalização, iniciado na década passada, não assegurou aos produtores uma maior parcela de lucros, necessária para incentivar investimentos, enquanto as taxas de pobreza rural quase que duplicaram nos últimos seis anos.

O legado da guerra civil, advindo em parte de ressentimentos causados por ondas de imigração para as plantações nas últimas décadas, deixou uma herança amarga para os produtores. Um acordo de paz, assinado em 2007, marcou oficialmente o fim do conflito que dividiu o país. Mas, o avanço para o desarmamento de grupos militantes tem sido lento, e as prorrogações repetidas das eleições difundiram um sentimento desanimador. Pressões de grupos de produtores e outros levaram o governo de Laurent Gbagbo a prometer reformas. Autoridades federais acusadas de corrupção foram presas. O governo instalou um conselho interino de gestão para analisar a reestruturação do setor.

Os produtores da Costa do Marfim – como as árvores que cultivam – têm se mostrado extraordinariamente flexíveis. Para os mercados, a questão é se os líderes do país poderão dar o suporte do qual precisam para prosperar, ao invés de simplesmente sobreviverem.

[1]Copyright The Financial Times Limited 2009

DO REPORTERES SEM FRONTEIRAS

VENEZUELA:
POSIBLEMENTE EXISTE UN MÓVIL PROFESIONAL EN EL ASESINATO
DE UN PERIODISTA, COMETIDO POR UNOS SICARIOS

Reporteros sin Fronteras manifiesta la consternación que siente por el asesinato a disparos, el 16 de enero de 2009 en Valencia (Estado de Carabobo, Centro-Norte), de Orel Zambrano, director del semanario político ABC, vicepresidente de la emisora privada Radio América 890AM, editorialista del diario regional Notitarde, y también abogado y profesor en la Universidad de Carabobo. La tragedia se produjo tres días después del atentado que estuvo a punto de costar la vida a Rafael Finol, del diario privado El Regional (leer el comunicado del 15 de enero de 2009).

"Enviamos nuestro más sentido pésame a los familiares y colegas de Orel Zambrano. Esperamos que la investigación permita identificar rápidamente a los autores del crimen cuyo móvil no se ha establecido todavía, lo mismo que el del atentado sufrido por Rafael Finol. Ambos dramas, ocurridos en menos de una semana, inspiran serios temores acerca de la seguridad de los periodistas. Orel Zambrano se ocupó recientemente de un caso de narcotráfico, que podía exponerlo a represalias. Hay que explorar esta hipótesis", ha declarado la organización.

El 16 de enero, hacia las tres de la tarde, Orel Zambrano, de 62 años, acababa de salir de su vehículo y se dirigía a una tienda de alquiler de películas cuando le interceptaron dos personas en una moto. Uno de los hombres efectuó tres disparos a quemarropa contra el periodista, que falleció en el acto a consecuencia de un tiro en la cabeza. Los asesinos se dieron inmediatamente a la fuga.

El asesinato de Orel Zambrano podría tener un móvil profesional. El periodista denunció hace poco unos casos de narcotráfico, en uno de los cuales está implicada la poderosa familia Makled, de empresarios de la región. Los tres hermanos Abdala, Alex y Basel Makled, detenidos el 14 de noviembre de 2008 en posesión de cerca de 400 kilos de cocaína, luego del allanamiento de una propiedad familiar, tienen abierto un procedimiento en curso en la Fiscalía nacional.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A praça Manuel Leal e um
jardim chamado Impunidade




Manhã chuvosa de quarta-feira, 14 de janeiro de 2009.
Daqui a pouco virá a tarde e depois virá a noite. Talvez seja uma noite de luar intenso, com estrelas brilhando no céu.
Uma noite iluminada, como aquela noite de 11 anos atrás, quando o sangue de um guerreiro ofuscou o brilho das estrelas e cobriu de vergonha uma cidade inteira.
Aquela noite!
Os anos passam, a vida segue seu curso natural, o tempo transforma o que era dor em saudade. Porque a dor passa, mas a saudade permanece.
E imensa é a saudade de quem conviveu intensamente com Manuel Leal, figura fascinante, gênio indomável, anjo e demônio, capaz de tudo em sua paixão ensandecida pelo jornal A Região, que foi a sua razão de viver. E de morrer.
Uma noite especialmente iluminada, uma rua tranqüila num bairro discreto da periferia de Itabuna, uma Silverado branca, dois homens dispostos a cumprir as ordens que lhes foram dadas, seis tiros certeiros e fatais, um corpo estendido no chão, a fuga sem nenhum policial para importunar, embora o crime tivesse ocorrido no curto espaço entre o Complexo da Polícia Civil e o Batalhão da Polícia Militar. Parece o “trailer” de filme de ação. Mas foi dolorosamente real, naquela distante noite de 14 de janeiro de 1998.
Manuel Leal, um dos mais brilhantes, combativos e controvertidos jornalistas da história da imprensa grapiúna, era vítima de um assassinato brutal, encomendado por aqueles que ele combatia com um destemor que beirava a insanidade.
Seis tiros. Pá, pá, pá, pá, pá. E pá.
O revólver todo descarregado, ainda que uma única bala fosse suficiente para matá-lo. A uma ação de matador profissional, somou-se um ´modus operandi´ mafioso de seus algozes. Não bastava apenas matar Leal, era preciso reforçar a brutalidade da eliminação física para que, naquele que talvez tenha sido o único e grande equívoco dos mandantes do crime, provocasse o fechamento do jornal. A Região (Deus, Marcel Leal, Flávio Monteiro, Davidson Samuel, Ailton Silva e uma turma de batalhadores sabem lá como) sobreviveu à barbárie que vitimou seu idealizador.
Manuel Leal, dos furos de reportagem, das manchetes de antologia, das malhas grossas e finais impagáveis, quando não irresponsáveis.
Manuel Leal, do humor cortante, da fina ironia.
Manuel Leal, dos amigos que não tinham defeito e dos inimigos momentâneos ou permanentes, que quando não tinham defeito ele os inventava.
Manuel Leal, do coração cambaleante, batendo graças ao milagre da cirurgia cardíaca, mas de uma generosidade gigantesca.
Manuel Leal, dos pecadilhos, que o tempo trata de diluir e dar a dimensão de um nada, diante da imensidão de suas virtudes.
Manuel Leal, que apesar da truculência de seus algozes, que tentam lhe infligir uma morte infinita, virou nome de praça, no local onde plantou a sede do seu jornal e onde passou sem saber (será que não sabia?) os derradeiros momentos de sua vida.
A Praça Manuel Leal.
Que, por um desses absurdos que tornam sua morte ainda mais dolorosa, poderia ter um jardim chamado Impunidade, em que, em vez de flores, se cultivassem espinhos.
11 anos depois, mandantes e assassinos continuam soltos. Uns nem foram incomodados, outros passaram por “júris de mentirinha” e/ou foram beneficiados pelas brechas de leis que parecem existir para punir apenas e tão somente a vítima.
Parou de chover. Um sol tímido brilha no céu.
À noite, ao contemplar o infinito, talvez entre os milhões e milhões de astros e estrelas dê pra ver o brilho e a luz do meu “velho Capo”.
O eterno Manuel Leal!

PAMONHA DE VACA

Deu no jornal Agora




Maconha de bosta de vaca? Então foi por isso que numa praia de Itacaré quando um rapaz perguntou pro outro: “e aí, deu barato?”, a resposta foi:

-Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Lá vem Xoxó no trio elétrico...

O que seria da música popular brasileira se não fosse a Bahia?

Vejam só o primor musical desse que deve ser um dos hits do próximo carnaval baiano.

Quem são Chico Buarque, Pixinguinha, Noel Rosa, Vinicius de Morais e Tom Jobim perto dessa maravilha?



segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

TRÊS EM UM

Não será surpresa se der chapa única na eleição da Associação dos Municípios da Região Cacaueira (Amurc).

Embora de partidos diferentes Lenildo Santana (PT), Moacir Leite (PP) e Jônatas Ventura (PMDB), que postulam a presidência, estão na base aliada do governador Jaques Wagner e do presidente Lula.

Daí que...

MAR E MONTANHA




Até onde vai essa rivalidade entre Ilhéus e Itabuna?

Só porque Ilhéus tem mar, não é que Itabuna cismou de ter montanha, ou melhor montanhas?

Antes que algum turista se aventure a encarar a rodovia Jorge Amado em busca de aventuras, este blog esclarece:

O mar de Ilhéus é legítimo, verdadeira obra da natureza.
Já as montanhas de Itabuna são de lixo, verdadeiras obras do descaso.

É melhor ficar com a rivalidade entre Colo Colo e Itabuna, que de tempos em tempos (não é sempre)jogam alguma coisa parecida com futebol

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

CLAUDIA QUEM?

DEU NO UOL

"Claudia na reta final para a chegada do filho

Na reta final para a chegada do filho, que deve acontecer dentro desses próximos 10 dias, Claudia Leitte curte cada minuto com ansiedade e expectativa..."



Uma notícia dessa magnitude e a gente aqui preocupado com a crise financeira que devasta os mercados do mundo inteiro e o genocídio cometido por Israel contra
os palestinos da Faixa (não seria melhor escrever Gueto?) de Gaza.

Por falar nisso, quem é Claudia Leitte, de quem este blog nunca ouviu falar?

ALHO, ÓLEO E SÓ

Em Salvador descobri (e degustei) uma porção generosa de camarão alho e óleo, que dá pra duas pessoas, a inacreditáveis R$ 9,90 (isso mesmo: nove reais e noventa centavos!).

Por esse preço, numa barraca de praia em Ilhéus você não leva nem o alho e o óleo,
quanto mais o camarão.

Salvador explora o turismo, Ilhéus (salvo as exceções de praxe) explora o turista.

Uma diferença brutal.


PS- O blog tá parecendo coluna de gastronomia barata, reconheço.
São as prerrogativas de um quase ex-jornalista em atividade.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

JABAZINHO GALINÁCEO




Cada vez que vou a Canavieiras, localizada na foz do Rio Pardo, no Sul da Bahia, fico sem entender como uma cidade que concilia mar, rio, mangue, natureza exuberante e um centro histórico bem conservado que nos remete às primeiras décadas do século passado não consegue se firmar como um dos principais pólos turísticos da Bahia.

Mas, deixemos as perorações turístico-filosóficas pra depois e vamos ao que interessa.

Em Canavieiras, descobri um restaurante que mais parece um boteco, no sentido elogioso do termo. Não tem nem nome, mas em compensação serve uma comida primorosa, que pode ser acompanhada de uma cerveja de geladeira que vem implorando pra ser bebida.

A galinha caipira (tão caipira que cacareja “porrrrrta”, “porrrrrque” e “corrrrrta”) é servida em porções generosas, com arroz, feijão tropeiro e pirão, tudo preparado em fogão à lenha.

O restaurante/boteco fica localizado num sítio, em meio a pés de coco, goiaba, mangaba, manga e graviola, que a gente pode “atacar” sem receio de ser mordido por algum cachorro ou de levar tiros de chumbinho.




Quem toca o negócio são os caseiros do sitio, seu Zé e dona Alvaci, duas figuras fantásticas e cativantes, que fazem qualquer cliente se sentir em casa. Dona Ivanice exibe com orgulho fotos em que aparece desfilando na Mangueira (a Escola de Samba propriamente dita, seus maldosos, que ela é uma dama de respeito!) e seu Zé conta piadas impublicáveis até mesmo para um blog que não é dado a recatos.

Pra quem quiser passar momentos agradáveis, que não se resumem à comida de lamber os beiços, o restaurante/boteco fica lá pelos lados da Birindiba, uma vila de pescadores próxima ao aeroporto de Canavieiras. É chegar à Birindiba, achar o sitio, abrir a porteira e adentrar o paraíso.

Em tempo: o preço da refeição é pra lá de camarada, algo que esse quase ex-jornalista, pão duro incorrigível, mas que tem o saudável hábito de pagar a conta dos lugares que frequenta pra poder escrever com isenção, considera um item fundamental.

Tão fundamental como a cachaça de alambique que não tinha, mas que seu Zé ficou de providenciar.

Quem for lá não vai se arrepender, apesar do sacrifício das pobres galináceas.

Faz “parrrrrte”.

MASSACRE EM GAZA





Que "guerra" é essa em que de um lado morrem mais de 500 palestinos (a maioria civis indefesos, entre eles muitas crianças) e as baixas israelenses se contam nos dedos da mão?

Na foto, uma criança chora a morte do irmão, numa expressão de desamparo que a inocência torna aida mais gritante.

A barbárie israelense precisa ser contida, antes que a Faixa de Gaza se transforme
num Mar Vermelho.

Vermelho de sangue, pra ficar bem claro!