quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Paz-2010-Amor


A imagem acima mostra um menino palestino enfrentando um tanque israelense com uma pedra.

Poeticamente, nos remete a um frágil e destemido Davi encarando um poderoso e truculento Golias.

E nos remete também à possibilidade bíblica de que o pequeno Davi derrote o gigante Golias.

Deixemos a poesia e a Bíblia de lado.

No mundo real, Golias sempre massacra Davi. Pela força econômica, pelo poderio bélico, pelo domínio tecnológico.

Com seus canhões de verdade e de simbologia.
Todos eles capazes de provocar destruição e/ou exclusão.

Entra ano, sai ano, as esperanças se renovam, mas os Golias continuam massacrando os Davis.

A imagem captada em 2009 é tudo aquilo que não queremos em 2010.

Parece utopia sonhar com um mundo sem pedras e sem canhões.

Um mundo em que Davis não tenham que enfrentar Golias. Um mundo em que não ajam nem Davis nem Golias.

Um mundo que, ainda nesta primeira década do século XXI ainda parece sonho, mas que precisa se tornar realidade, a partir do momento em que se perceba a inutilidade das guerras, a brutalidade das desigualdades.

Que se descubra e se valorize quão importante é viver em paz, cultivar o amor e a solidariedade.

É pouco provável, quase impossível, que num único ano, ocorra uma transformação que ainda não se deu em milênios.

Mas, na medida em que cada um começar fazer a sua parte nesse processo teremos um mundo pouquinha coisa melhor, até que se chegue, não importa quanto tempo, a um mundo muito melhor.

2010, com certeza, não será o ponto de chegada deste mundo de paz e de amor.
Mas pode ser o ponto de partida.

Depende de cada um de nós

Depende de todos nós.

E quem nunca teve essa vontade de mudar, talvez não o mundo, mas a própria vida e a
vida das pessoas que estão próximas, para melhor, que atire a primeira pedra.

Melhor dizendo, que use a pedra para construir essa nova realidade.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

VIDAS SECAS


Rios que viram riachos. Riachos que viram uma réstia de terra seca.

Centenas de cabeças de gado esquelético, disputando porções de água lamacenta no que restou dos açudes.

Pessoas percorrendo distâncias imensas com latas d´água na cabeça.

Nos céus, nenhuma nuvem.

E quando elas se formam, anunciando o que todos esperam, vem a decepção. Nada cai do céu.

Parece o retrato de uma das muitas regiões do sertão nordestino, onde a seca é um flagelo.

Mas é o retrato do Sul da Bahia, uma região onde tempos atrás a seca era uma coisa distante, abstrata.

A imensidão de Mata Atlântica e a exuberância das florestas garantiam um clima ameno e as chuvas providenciais.

Tempos que ficaram para trás na maior parte das terras que, de tão férteis, geravam duas safras de cacau por ano.

As cenas podem típicas dos rincões sertanejos podem ser observadas bem de perto por quem trafega pela rodovia BR 415, já a partir de Itapé, em áreas onde a lavoura de cacau, após a decadência provocada pela vassoura de bruxa foi progressivamente sendo substituída pela pecuária, uma atividade mais rentável.

A viagem prossegue por Ibicaraí, Floresta Azul, Santa Cruz da Vitória, Firmino Alves, Itororó, sai da BR 415 e entra na direção de Potiraguá. Cenários idênticos, pouco mato, muito pasto.

E, nessa época, muita, muita seca, com seus efeitos devastadores sobre a população que sofre com a falta de chuvas, que pena com a escassez de água.

Não há nada a fazer, senão olhar para o céu e apelar para a providência divina, rezar para que as nuvens, quando surgem, se transformem em chuva abundante.

Que faça encher os rios, renascer os riachos, devolver o verde e brotar a vida do chão seco.

O que ocorre no Sul da Bahia não é algo isolado.

Está inserido num contexto planetário de intermináveis agressões ao meio-ambiente, da destruição das matas e da exploração quase irracional dos recursos naturais.

Uma relação de causa e efeito onde o agressor um dia fatalmente será o agredido.

Não seria o cedo, em vez de esperar pelo imponderável, fazer alguma coisa para reverter esse quadro.

Enquanto ele ainda for reversível...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

É Natal! E daí?



Um menino chamado Jesus passou pelo centro da cidade, entre calçadas, lojas e gente, muita gente.

Olhou vitrines, sonhou com brinquedos que provavelmente nunca terá.

Disputou restos de comida com cachorros em latas de lixo espalhadas pelas esquinas.

Dormiu sob marquises de lojas recém-inauguradas, com o luxo refletindo em seu corpo coberto com pedaços de jornais que anunciam escândalos políticos que não vão dar em nada, violência e mais violência e veleidades nas colunas sociais,

Um menino chamado Jesus pediu esmolas nas sinaleiras, uma camisa velha nas casas de família.

Não pediu, porque já não espera receber, gestos de carinho e atenção.

O menino chamado Jesus se contenta com uma roupa velha, um prato de comida.

Mas, quem é que tem tempo para esse menino chamado Jesus quando o Natal se aproxima?

É tempo de fazer compras, mesmo que comprometendo boa parte do salário no cartão de crédito.

De trocar de carro, escolher a roupa da moda, se programar para as inúmeras festas de reveillon.

De preparar a ceia de Natal, farta, alegre, muitas vezes esbanjadora.

Tempo dos amigos secretos, das festinhas de confraternização, de exibir aquele companheirismo de fachada de apenas um dia, quando a regra é o individualismo de todos os dias do ano.

Não há mesmo tempo para dar atenção a um menino, mesmo que ele se chame Jesus.

Que ele se chamasse João, Paulo, Pedro, José. Pouco importa.

É apenas mais um menino perambulando pelas ruas, sem passado, sem presente.

Provavelmente sem futuro.

É Natal.

Entre tantos compromissos sociais, presentes, projetos que nunca se concretizam para o ano que está chegando, não há tempo nem para um outro Menino, hoje não necessariamente a razão, mas apenas o pretexto para essa festança.

Um menino igualmente chamado Jesus, menos Divino e mais Humano, que viveu e morreu em nome de valores como igualdade, solidariedade, fraternidade, simplicidade.

O Jesus Menino e o menino chamado Jesus estão separados por quase dois milênios.

Ignorar as lições de do Jesus Menino explica a existência do menino chamado Jesus e de tantos e tantos outros meninos e meninas que perambulam pelas ruas.

Meninos e meninas, de todas os nomes, para quem não apenas Papai Noel mas também o Natal é apenas uma abstração em meio à fome e ao abandono.

As luzes de Natal lançam apenas sombras sobre uma realidade que fingimos não ver, cegos que estamos pelo egoísmo.

É Natal.

E daí?

ORA VEJA


Na mesma semana em que uma pesquisa do respeitado Instituto DataFolha apontava um novo recorde de aprovação do presidente Lula e revelava que a ministra Dilma Roussef, pré-candidata do PT à presidência da República diminuía em um terço a diferença para o pré-candidato do PSDB, José Serra; a revista Veja dava (mais) uma demonstração de como abandonou de vez aquilo que se convencionou chamar de jornalismo.

A revista da Editora Abril mostra um favoritismo inabalável de Serra e praticamente determina que o governador mineiro Aécio Neves seja o candidato a vice. Isso, mesmo com Aécio garantindo que não aceitará tal, digamos, intimação. Para Veja, o ano de 2009 termina com um cenário de sonho para Serra e de possível pesadelo para Dilma. As pesquisas? Ora as pesquisas que se danem. Se Veja já decidiu que Serra é o futuro presidente da República, aproveitemos o Carnaval, o São João, a Copa do Mundo e esqueçamos essa bobagem de eleição.

Na mesma “reportagem” (no caso de Veja, “reportagem” tem que ser entra aspas mesmo), a publicação dá o tom de como interpreta certas palavras, como se elas permitissem interpretações. Veja diz que Serra “representa a esperança de alternância de poder no Brasil. É a melhor aposta para romper com a hegemonia alcançada pelo PT na política brasileira nos últimos sete anos”.

Não se tem notícia de que Veja tenha defendido tal alternância em 2002, quando FHC e o PSDB completavam oito anos de hegemonia na política brasileira. Apoiou Serra, no que poderia significar uma hegemonia de 16 anos. Verdade que em 2006, Veja e boa parte da mídia, lastreadas num inofensivo dossiê, tentaram forçar a alternância na marra. O resultado da eleição, Lula reeleito com a maior votação da história, dá bem a dimensão da influência da revista.

Em outra “reportagem” a revista exercita uma das suas diatribes prediletas: desancar o MST, desta feita com base numa pesquisa do Ibope. Verdade que o MST possui alguns destrambelhados que cometem atos de extrema irresponsabilidade, mas não é o caso de, como a revista faz frequentemente, generalizar a ponto de caracterizar o movimento como um antro de bandidos.

O mais recente ataque ao MST produziu uma pérola. A revista afirma que em 1996 o movimento “sacrificou dezenove de seus membros em um confronto com a polícia paraense em Eldorado dos Carajás”. Atenção, historiadores: apaguem o Massacre de Eldorado de Carajás, uma das maiores atrocidades cometidas no final do século passado. O que houve, na verdade, foi um bando de sem-terras dançando na frente das balas disparadas pela polícia. Balas que, por culpa exclusiva do MST, mataram 19 pessoas.

O espírito de Goebbels não deve apenas dar plantão na redação de Veja. Há muito que fixou residência por lá.

Coroando a edição da semana, a pretexto de criticar algumas propostas cerceadoras da liberdade de imprensa durante a Conferência Nacional de Comunicação, no que tem lá suas razões já que é melhor ter publicações tipo Veja circulando do que a supressão do direito à opinião e à informação; a revista comete, pela segunda vez em seis meses, uma grosseria com o jornal Granma, órgão oficial do governo cubano.

Veja reitera a tese de quem um jornal como o Granma só é útil para os cubanos porque diante da escassez de papel higiênico na ilha caribenha, a publicação serve para... bem, o leitor pode muito bem ser privado da conclusão da frase, de tão óbvia ela é.

Pelo que Veja se transformou nos últimos anos, ainda bem que no Brasil não há nenhum risco de escassez de papel higiênico.

O risco de utilizar a revista para os mesmos fins que ela sugere ao Granma seria o de obter efeito contrário ao desejado.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL E O NINHO DO PÁSSARO


Dois meninos decidiram testar o velho sábio.
-Vamos levar um pássaro na mão e perguntar se está vivo ou morto. Se o sábio disser que está vivo, a gente esmaga o pássaro na mão e mata. Se ele disser que está morto, a gente abre a mão e solta o pássaro, vivo.

Foram ao sábio e ao fazer a indagação, este respondeu:

-Ele está do jeito que vocês querem que ele esteja.

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Que 2010 seja do jeito que a gente quer que ele seja.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Do planeta Fome ao planeta Sexo


Com a chegada do verão, que resulta na presença de milhares de turistas no belíssimo litoral sulbaiano, está sendo intensificada a campanha de combate à exploração sexual infanto-juvenil. Uma campanha mais do que necessária, já que é impossível fechar os olhos e é inaceitável permanecer omisso diante de uma prática condenável, mas que está aí, como uma triste realidade.

No posto da Policia Rodoviária, na rodovia Jorge Amado (Ilhéus-Itabuna) voluntários estão distribuindo material informativo para motoristas e passageiros de motos, carros e caminhões e também para as pessoas que viajam de ônibus.

A mobilização envolve organizações não governamentais e entidades como os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, Ministério Público, Polícia Rodoviária, OAB, Associações Comerciais, CDLs, Rotary, Lions, sindicatos, etc.

A questão da exploração sexual de crianças e adolescentes não é nova na Região Sul da Bahia e se amplia nos períodos em que o fluxo de visitantes aumenta, numa relação de causa e efeito.

Não são apenas as cidade turísticas que sofrem com a prostituição infanto-juvenil. Localizada às margens da rodovia BR 101, principal via de ligação entre o Sul/Sudeste e o Norte/Nordeste, Itabuna tem um grande fluxo de caminhoneiros, que se constituem no público potencial desse tipo de atividade.

Nos postos de gasolina, é comum ver crianças se prostituindo por qualquer quantia que lhes permita matar a fome. O mesmo problema ocorre, ainda que de forma mais discreta, nas barracas de praia na faixa litorânea.

São centenas de crianças e adolescentes que desde cedo convivem com o lado perverso e sombrio da vida e que além da exploração sexual não raro sofrem com a violência física e moral.

A campanha deve se concentrar em dois focos: a conscientização e a punição.

É importante conscientizar as pessoas para o crime que é explorar sexualmente crianças e adolescentes.

Mas é importante também punir com rigor os aliciadores e as pessoas que abusam sexualmente desses meninos e meninas.

Com imensas belezas naturais, um belo patrimônio arquitetônico e uma história fascinante, tudo o que o Sul da Bahia não precisa é ver prosperar o turismo sexual, que afasta os turistas que buscam lazer e entretenimento nas cidades litorâneas.

Dizer não e combater a exploração sexual de crianças e adolescentes é um dever de toda a sociedade organizada.

Os meninos e meninas que correm risco de serem vítimas dessa monstruosidade agradecem.


PLANETA FOME

Nunca é demais lembrar que a esmagadora maioria das crianças e adolescentes submetidos à exploração sexual habita o Planeta Fome.

E que a solução do problema passa necessariamente pela inclusão social.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Eterno e infinito. Até que acabe!


Os olhos do planeta Terra, essa bolinha perdida na complexidade do Universo composto de galáxias, constelações e sistemas solares, e em que por obra do acaso ou por ação divina, brotou a vida em forma exuberante; estão voltados para Copenhague, a capital da gelada Dinamarca.

É lá que líderes e negociadores de mais de 190 países estão reunidos para discutir o futuro de um planeta cujos recursos naturais estão sendo sugados à exaustão.

Melhor seria dizer que eles estão decidindo se haverá futuro para a Terra e seus bilhões de habitantes. Um futuro que só será viável caso haja um freio na devastação, na emissão de gases poluentes, na exploração irracional dos recursos naturais e na explosão demográfica.

Especialmente nos últimos dois séculos e acentuadamente após a revolução industrial, os recursos naturais, que embora pareçam eternos e infinitos um dia irão se exaurir, passaram a ser “sugados” num ritmo maior do que poderiam suportar.

O chamado aquecimento global, que muitos insistem em qualificar como lenda ou alarmismo, é um fato concreto e suas conseqüências estão aí, com as mudanças abruptas de clima que resultam em inundações e secas prolongadas e que provocam tragédias de proporções bíblicas.

A oferta de alimentos já é menor do que a demanda. Milhões de pessoas em várias partes do mundo sofrem com a fome e a sede.

Fome e sede que atingem majoritariamente os países mais pobres, que foram os que menos contribuíram para a devastação e o aquecimento global, mas são os que estão pagando a conta.

Os chamados países desenvolvidos e/ou em desenvolvimento, exemplos notórios dos Estados Unidos e da China, simplesmente se recusam a frear o ritmo de exploração, como se o problema não fosse com eles.

É com eles e com todo mundo, porque embora divididos por fronteiras e barreiras, somos todos passageiros de uma mesma nave e sofreremos juntos as conseqüências de sua deterioração. Aliás, já estamos sofrendo.

A devastação do planeta e seus impactos não são algo subjetivo, distante. A gente sente no dia a dia.

No Sul da Bahia, a destruição de extensas áreas de Mata Atlântica provocou mudanças sensíveis no clima. Os períodos de estiagem estão cada vez mais longos, afetando a produção de alimentos e a oferta de água. Itabuna, por exemplo, caminha para mais um verão com racionamento do (cada vez mais) precioso líquido.

Trata-se, portanto, de um problema global, que não pode ser enfrentado apenas com discursos bonitos e propostas mirabolantes, mas com ações concretas e imediatas.

Não é apenas o planeta que pede socorro, mas também a vida.

Não há, pelo menos num futuro próximo, condições de mudar de nave e migrar para outro planeta. Isso, por enquanto, é coisa de ficção.

Se a Terra morrer por exaustão, morremos todos juntos, numa espécie de suicídio em escala planetária.

O mais irônico disso tudo, se é que ainda se pode embutir ironia nessa espécie de tragédia anunciada, é que é o ser humano, em tese a mais perfeita obra da criação da vida na Terra, dotado de Inteligência e livre arbítrio, a maior ameaça à existência do planeta.

Lobo a devorar não apenas a própria casa, mas a própria carne.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

TV CABRÁLIA, 22 ANOS


Na correria, deixei passar batido.

Mas não posso deixar de registrar aqui os 22 anos da TV Cabrália, hoje integrada à Record News e prestes a se tornar cabeça de rede em todo o Nordeste.

A Cabrália entrou no ar no dia 12 de dezembro 1987, fruto do empreendedorismo de Luis Viana Neto e Enrique Marquez e da ousadia de Nestor Amazonas. Foi a primeira emissora regional de televisão do Norte/Nordeste, antecipando-se a uma tendência que se tornaria comum duas décadas depois, valorizando o noticiário local e a integração com a comunidade.

Este blogueiro e quase “ex-jornalista em atividade” se orgulha de, durante 13 anos, ter feito parte dessa história, hoje escrita por profissionais como Tom Ribeiro, Delza Schaun, Carlos Barbosa e tantos outros.

A Cabralia vive uma nova e promissora fase,com um jornalismo dinâmico e ágil, que dá gosto a gente ver.

O primeiro amor a gente nunca esquece. E quando esquece se lembra a tempo de parabenizar e abraçar a nossa família Cabrália/Record News por mais um ano dessa gloriosa existência.

Uma obra pra ser admirada

Boa notícia: o belíssimo painel de Genaro de Carvalho, que retrata a produção de cacau, localizado na esquina da praça Adami com a avenida do Cinqüentenário, em Itabuna, está sendo restaurado.

Cinco técnicos do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) estão chegando à cidade para coordenar a restauração. Durante vários anos, o painel ficou praticamente escondido por uma banca de jornal e pela colocação de cartazes de propaganda.

A iniciativa, elogiável, é da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania.

Eu bebo sim...e vou matando


Espécie de hino informal dos bebuns empedernidos, a música que tem como refrão “eu bebo sim e vou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo”, precisa ser readaptada para “eu bebo sim e vou matando, tem gente que não bebe e está morrendo”.

Pelo menos essa e a versão, trágica, que impera quando o tema é trânsito.

Por mais que se fale, por mais que se oriente, por mais que as televisões intensifiquem as campanhas educativas, algumas pessoas não se conscientizam de uma obviedade ululante: bebida alcoólica e direção não combinam.

Os exemplos estão aí, aos montes.

O mais recente deles ocorreu na tarde de domingo, na rodovia que liga Coaraci a Almadina, no Sul da Bahia. José Renato Rodrigues Cursiano pilotava uma moto Honda e levava como carona Erverson Bonfim de Souza. Com eles, outras quatro motos, numa viagem tranqüila e feita em segurança.

Até que, numa curva, surgiu Valdir Machado de Souza, funcionário de uma construtora, que dirigia um Corsa em alta velocidade. Valdir perdeu o controle do carro, foi para a contramão e colidiu com três das cinco motos.

O impacto foi maior na moto de José Renato, que morreu na hora. Erverson chegou a ser socorrido com vida e levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.

Abordado por policiais, Valdir apresentava visíveis sinais de embriaguez. Foi submetido ao teste do bafômetro e imediatamente encaminhado ao Complexo Policial de Itabuna, onde ficou detido.

Mais duas vidas perdidas para esse misto de insanidade e irresponsabilidade.

Um sujeito que consome bebida alcoólica e depois assume o volante de um veículo, pode não tem consciência disso, mas é um assassino em potencial, porque transforma o carro numa arma.

Um assassino potencial que quase sempre mata gente inocente, como é o caso do acidente na rodovia Coaraci-Almadina. E como é o caso de tantos outros acidentes que tem o consumo de bebida alcoólica como matriz.

Quando as campanhas educativas já não funcionam, a única alternativa é a punição rigorosa do motorista que, bêbado, provoca acidentes com vítimas fatais.

Punição rigorosa que, por sinal, serviria de exemplo para reduzia as atrocidades cometidas nas estradas brasileiras, onde se bebe sem moderação e se dirige sem atenção.

Punição rigorosa que, infelizmente, quase nunca ocorre.

A temporada atrás das grades é curta e invariavelmente esses facínoras travestidos de motorista voltam às ruas. Quem sabe, para provocar novos acidentes.

Uma lei de trânsito rigorosa, com punições pesadas, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos e em países da Europa certamente reduziria a extensa lista de mortes que a cada dia cobrem de sangue e de dor as estradas brasileiras.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O FILHO DO BRASIL E O IMPERADOR


Corintiano fanático, Lula não perdeu a chance de posar com a taça de Campeão Brasileiro conquistada pelo Flamengo.

Ao lado do técnico Andrade e do Imperador Adriano, Lula exibiu o sorriso dos que estão de bem com a vida. Brincou com Adriano e ainda pediu que o atacante, que trocou uma fortuna na Europa para ser feliz jogando no Brasil, seja tratado com carinho.

Passando dos 80 pontos de aprovação, o presidente se transformou num campeão de popularidade. Tem que rir à toa, mesmo.

Foi, portanto um encontro de campeões.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Tá lá (mais um) corpo estendido no chão


Cai a noite no São Judas, bairro de classe média alta em Itabuna, onde as mansões lembram os tempos áureos do cacau.

Cai a noite no São Pedro, bairro da periferia de Itabuna, onde casas simples se misturam aos barracos, lembrando que em tempos de apogeu ou em tempos de crise, sempre há um fosso a separar pobres e ricos.

Separar?

Apenas no sentido metafórico, já que na geografia, os bairros São Judas e o São Pedro, feito os santos que lhes emprestam os nomes, estão juntos, colados um no outubro.

O bairro hipoteticamente rico e o bairro comprovadamente pobre estão ali, lado a lado, a explicitar o abismo da desigualdade social.

Mas, deixemos de lado a desigualdade e vamos direto ao que eles têm de iguais, ao que todos os bairros de Itabuna, os ricos, os de classe média, os pobres e os paupérrimos têm em comum.

Melhor dizendo, o que todos sofrem em comum: a violência.

Na quarta feira, quando caiu a noite naquele trecho que une/separa o São Judas e o São Pedro, moradores puderam ouvir o barulho de estampidos. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez

Poderia ser alguém comemorando, tardiamente, com foguetório a conquista do título brasileiro pelo Flamengo.

Mas na eram fogos, eram tiros.

E a conta não é assim: um, dois, três, quatro, cinco...

Ela é contada na casa da centena: 154, 155, 156, 158...

O número 157 atende pelo nome de Jeferson Pereira Santos, 23 anos.

O número 158 atende pelo nome de Pedro Silva Santos, 24 anos.

Ambos foram assassinados quando estavam conversando, atingidos por uma pessoa não identificada que desferiu 10 tiros.

Jeferson e Pedro são as duas mais recentes -e certamente não as últimas- de uma violência estarrecedora, que atinge principalmente os jovens e que quase sempre tem como pano de fundo o tráfico e o consumo de drogas.

Uma violência que fez de Itabuna a cidade mais perigosa do Brasil para a juventude e que, de forma perversa, parece quer justificar a cada dia esse título desonroso.

Em 2009, e ainda faltam três semanas para virar o ano, foram já foram 158 homicídios em Itabuna.

Um número alarmante, vergonhoso, assustador, mas que não chega a surpreender, em função do absurdo nível de insegurança pública que se abateu sobre a cidade.

Cai a noite, nasce o dia e os assassinatos continuam.

Nos bairros santificados como o São Judas e o São Pedro, nos bairros de nome quase obsceno como o Pau Caído e o Gogó na Ema, nos bairros de nomes genéricos como Pontalzinho e Califórnia; em toda a cidade.

Até quando?

Se nada for feito, a resposta é: até sempre!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Gotas de sabedoria


“O dono de uma loja de calçados mandou um funcionário a uma pequena cidade, para avaliar a possibilidade de abrir uma filial.
No dia seguinte, o funcionário manda um email pro chefe, dizendo:
-Aqui a gente não vai vender nem um par de chinelos. Nessa cidade, todo mundo anda descalço.
Em busca de uma segunda opinião, o chefe manda outro funcionário à mesma cidade.
Um dia depois, recebe o email:
-Chefe, aumente os estoques, a gente vai vender sapatos pra caramba. Nessa cidade só tem gente descalça”.

A historinha acima, bem apropriada aos livros de auto-ajuda, muito em voga atualmente, pode perfeitamente ser adaptada à realidade do Sul da Bahia, região que nas últimas duas décadas vem sofrendo com uma crise sem precedentes, mas que está diante da possibilidade de um novo ciclo desenvolvimento.

Obras importantes como o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste, a Zona de Processamento de Exportações e o Gasoduto da Petrobras, além da recuperação do setor agrícola através do PAC do Cacau, certamente darão um novo impulso à economia regional, criando oportunidades para uma série de negócios, que surgirão não apenas no eixo Ilhéus-Itabuna, mas também nas demais cidades sulbaianas.

Em vez de ficar achando que as obras não sairão do papel e que se saírem não trarão grandes benefícios, os empreendedores da região -e eles são muitos- devem se preparar para suprir uma demanda por serviços como alimentação, lazer, saúde, educação, turismo, fornecimento de insumos industriais e outros.

Em vez de ficar achando que os melhores empregos serão destinados às pessoas de fora, é preciso que se invista em capacitação profissional, em reciclagem, justamente para pode disputar esses empregos, bem remunerados, em situação de igualdade.

Temos uma capacidade empreendedora e de trabalho que precisa ser ampliada e valorizada.

E o tempo de se preparar para esse mar de oportunidades é agora, visto que o Gasoduto está em fase adiantada e o Porto Sul e a Ferrovia Oeste-Leste terão suas obras iniciadas em 2010, bem como a liberação dos recursos do PAC do Cacau, também previstas para o ano que vem, que está aí, batendo à porta.

É escolher entre os dois vendedores de calçados: o que enxerga, mas não vê e o que vê e enxerga longe.

E caminhar para não ficar para trás, porque esse é um processo em que os primeiros serão os primeiros e os últimos serão os últimos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

TRANSMACONHEIRA

O motoqueiro argentino, de passagem pelo Nepal, ficou doidaço com o que viu: milhares de pés de maconha plantados às margens de uma rodovia.

Maradona quer porque quer que a Seleção Argentina faça um amistoso por lá antes
da Copa da África do Sul.


MIS COMPAÑEROS


A eleição da nova diretoria do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região, realizada ontem (9) teve chapa única, a Consciência Bancária da CTB.

A chapa teve 96,63% dos votos. Não fossem os quatro votos em branco e os dez votos nulos, o índice teria chegado a 100%.

Em Cuba, el viejo comandante Fidel deve ter se regozijado.

Chapa única em eleição, seja ela para presidente de sindicato ou síndico de prédio é tudo com o que sonham os camaradas. E, porque não dizer, os companheiros também.

ÁGUA PARA NINGUEM


O verão vem chegando e Itabuna volta a conviver com o risco de um problema crônico: a falta de água.
Nesta semana, o presidente da Emasa, Alfredo Melo, alertou que se não chover com intensidade e regularidade a cidade corre risco de um novo racionamento.
Caso venha o racionamento, devem se repetir as cenas do ultimo verão: no centro da cidade e na periferia, centenas de pessoas com latas de água na cabeça ou carregando baldes mais lembravam as áreas mais secas do sertão nordestino.
Trata-se de uma época em que o consumo aumenta, mas a captação continua a mesma, já que o sistema chegou ao limite. Como não existe mágica na equação captação x consumo, é preciso que se adotem algumas medidas para evitar que a escassez se transforme numa crise de abastecimento.
O combate ao desperdício deve se tornar uma regra. E como se desperdiça água em Itabuna, notadamente nos bairros de pode aquisitivo, onde o líquido é usado para lavar carros e calçadas como se fosse abundante, inesgotável.
Além disso, existem perdas consideráveis na captação, por conta de um sistema obsoleto, que precisa ser modernizado.
O Governo Federal destinou recursos para melhorar a captação e a distribuição, mas o sistema ainda funciona de forma precária, com demanda superior à oferta.
Sendo assim, a única alternativa é economizar água. Isso para quem recebe o produto com regularidade, porque nos bairros mais distantes a escassez é uma rotina que independente da estação do ano. Nesses locais, onde só cai água em intervalos que podem durar até uma semana, os moradores sofrem com a falta de um produto que é básico, imprescindível.
Para essas famílias, só resta esperar que a ampliação do sistema de captação apresente resultados práticos, coisa que não ocorreu até agora.
O jeito, portanto é economizar água.
E rezar para que, em meio a esse calor infernal, São Pedro seja generoso e mande chuva em abundância para Itabuna e região.
Na falta de projetos efetivos para resolver, definitivamente, o crônico problema do abastecimento de água, que ao menos os céus sejam generosos com a sofrida população itabunense.

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PREVISÃO DO TEMPO

Previsões do Climatempo e do Tempo Agora, dois dos mais respeitados institutos de meteorologia do Brasil, apontam que chuvas em Itabuna só na segunda quinzena de dezembro.
Oremos, pois!
E para quem acredita em Papai Noel, chuva é um presente a ser considerado...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

DROGA POR DROGA...


A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (8), o cantor sertanejo Glaucimar Queiroz Machado, de 38 anos, por suspeita de tráfico de drogas. A droga foi encontrada entre os pertences do cantor.

Tradução para esta notícia: pelo tipo de música que eles fazem, deve ser a força do hábito

Desta vez não vai acabar em pizza. (Vai acabar em panetone!)


Tornou-se senso comum no Brasil, e com razão, dizer que escândalos envolvendo políticos e/ou grandes empresários costumam terminar numa imensa pizza, com sabor de impunidade para os envolvidos e com gosto de vergonha para a população.

Tem sido assim nos últimos tempos.

Após mega-operações, com direito a foguetório e todo tipo de pirotecnia, os suspeitos são detidos, exibidos nos jornais, na televisão e na internet, e pouco tempo depois ganham a liberdade.

Há sempre um advogado que conhece as brechas da lei e há sempre um juiz zeloso no cumprimento dessas brechas.

Findo o circo, aos envolvidos, basta confiar na conhecida morosidade da justiça brasileira, respondendo a processos que se arrastam por anos e até décadas.

E tome aumento na produção de pizzas, enquanto o dinheiro público continua sendo sugado vorazmente por essa praga chamada corrupção.

O mais recente escândalo, que tem como ator principal o governador de Brasília José Roberto Arruda, do DEM, e quase uma dezena de coadjuvantes, é certamente um dos mais chocantes que já se viu.

Não porque embuta em si alguma novidade, já que se trata da clássica prática de desvio de dinheiro público para pagamento e propinas, mas porque as cenas de corrupção foram filmadas com a nitidez e o profissionalismo de um premiado diretor de cinema.

Diante das câmeras, circulam com desenvoltura políticos, assessores, empresários e grande elenco, recebendo dinheiro sujo (que eles lavam com uma maestria de dar inveja a mais prendada das donas de casa) e escondendo em sacolas, meias, cuecas, etc.

As imagens, além do desfile de corruptos desavergonhados, captaram ainda uma cena de escárnio, com um grupo se abraçando para agradecer a Deus pela existência do operador do esquema, além de pedir proteção divina ao provedor de suas, digamos, necessidades monetárias.

Enfim, são cenas captadas pelas câmeras com uma nitidez que não deixa dúvidas de quem estava lá e o que estava fazendo.

Num país pouquinha coisa mais séria do que o Brasil no quesito combate à corrupção, essa gente flagrada na gatunagem explicita, além de perder os cargos, passaria uma boa temporada na cadeia.

Por aqui, o mais provável é que um ou outro sofra algum tipo de punição, se é que isso vai acontecer, e que tudo fique como está.

A diferença é que dessa vez não vai terminar em pizza, já que Arruda, na falta de uma desculpa para explicar o que inexplicável, tem dito que o dinheiro recebido numa sacola era para comprar panetone para os pobres.

Vai terminar mesmo é um panetone!

Varia o cardápio, variam os chefs de cozinha, variam os comensais, mas a falta de vergonha e a cara de pau não variam nunca.


RECEITA DE PANETONE BRASILIENSE

-Pegue várias notas de 50 e 100 reais, além de dólares e euros
-Junte alguns políticos e empresários corruptos (não todos, senão vira o maior panetone do mundo)
-Misture bem e coloque, por muito tempo, numa cela de segurança máxima
-Não coma, porque vai dar uma tremenda indigestão

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dois pontos


Qual a distância que separa a glória da tragédia, o êxtase do infortúnio, o momento inesquecível do momento a ser esquecido?

Qual a diferença entre o vencedor e o derrotado?

O recém-encerrado Campeonato Brasileiro de Futebol, vencido pelo Flamengo, demonstrou que essa distância, aparentemente estratosférica, pode ser medida num átimo.

Ou tomada como obra do acaso.

Dois pontos separaram o Flamengo campeão do Internacional vice-campeão e do São Paulo segundo colocado.

Meros dois pontos, que podem perfeitamente serem atribuídos a lances fortuitos.

Dois pontos que o São Paulo deixou de ganhar no empate em 2x2 com o rebaixado Coritiba em pleno Morumbi. Ou no empate em 1x1 com o também rebaixado Santo André. Chances de ouro, daquelas que não se desperdiça, mas que o São Paulo desperdiçou e que no final fizeram a diferença entre o título e a terceira colocação.

Dois pontos que o Inter deixou escapar no empate contra o campeão Flamengo em pleno Beira Rio, ou na derrota para o rebaixado Coritiba.

Dois pontos que o Flamengo ganhou nos dois pênaltis que o goleiro Bruno defendeu contra o Santos ou no pênalti que o mesmo Bruno pegou contra o Botafogo.

Tivesse o Santos convertido um dos dois pênaltis perdidos ou o Botafogo aproveitado a penalidade a seu favor e, a essa hora, estaria a torcida rubro negra, hoje em estado de delírio orgasmático, lamentando aqueles pontos preciosos.

E o que dizer o Palmeiras, o time que mais próximo esteve da glória nesse Brasileirão, líder da competição por 19 rodadas e que chegou a abrir uma vantagem aparentemente inalcançável.

Não fosse a inacreditável derrota para o Santo André, não fosse o gol de Obina equivocadamente anulado pelo juiz Carlos Eugenio Simon contra o Fluminense e os gritos de “Porco, Porco” ainda estariam ecoando pela capital paulista, enquanto o Rio de Janeiro continuaria lindo, mas sem as cores rubro-negras a colorir as ruas.

Como se observa, foram os detalhes, a sorte de um, o azar de outro, o apito infeliz de um arbitro desatento, quem decidiram o destino feliz de um time e o desatino de outros que chegaram a sentir o doce sabor da conquista, tão próximo dela estiveram.

Foi o acaso o fator determinante, mais do que a genialidade outonal de Petkovic e os gols letais de Adriano, a força motriz da glória rubro-negra, já eternizada.

E foi o acaso, o fator determinante para a quase-glória do Inter, do São Paulo e do inglório Palmeiras, brevemente esquecida pela História, que reserva louros aos vencedores e limbo aos derrotados.

Glória e fracasso, tão próximos, tão distantes.

Ao alcance da mão e ao mesmo tempo no limite do infinito.

Mais do que uma caixinha de surpresas, o futebol às vezes é retrato e espelho da vida,

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O TIME DOS CEM ANOS


O Itabuna apresentou o elenco que vai buscar em 2010 o inédito título de Campeão Baiano, igualando o feito do Colo Colo. O elenco do azulino é composto por três jogadores que atuavam no futebol europeu, entre eles Joilson Rodrigues da Silva – Tot Football Club (Tailândia) e Adriano de Oliveira Santos – Shonan Bellmare (Japão). A base é composta por atletas do Rio de Janeiro e da Região Sul da Bahia. O técnico Célio Costa vai mesclar juventude e experiência para montar um time competitivo.

Um título baiano viria calhar no ano do Centenário de Itabuna.

Depois, é esperar pela Copa do Brasil, a Libertadores e o Mundial de Clubes, que torcer e sonhar (ainda) não paga imposto.

ACARAJÉ X PÃO DE QUEIJO


Durante a inauguração da mina de níquel em Itagiba, o governador Jaques Wagner referiu-se de forma bem humorada ao fato de que boa parte dos cargos de direção e de áreas técnicas era ocupada por funcionários de Minas Gerais:



-Hoje o que mais deve sair aqui é pão de queijo, mas como eu conheço a criatividade e a capacidade de trabalho do povo baiano, daqui a pouco tempo só vai dar acarajé.

E aproveitou para falar sobre a necessidade da capacitação profissional, diante dos novos empreendimentos que estão surgindo na região, como a Ferrovia Oeste Leste, o Porto Sul e o Gasoduto da Petrobrás...

Uai, haja acarajé Oxe!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Acabou e já tem dono


Os que torcem contra, podem preparar os ouvidos e se trancar em casa. Domingo, por volta das 18 horas, Itabuna estará tomada pelas cores e pelo hino rubro negro. Nas praças do Santo Antonio, São Caetano, Califórnia, Conceição, Fátima, Urbis IV, Ferradas e Pontalzinho haverá congestionamentos, festa e cerveja correndo solta.
Embora esteja sendo vendido pela Rede Globo como a mais eletrizante final de campeonato de todos os tempos, com quatro times na disputa pelo título na última rodada, o Brasileirão já acabou na prática e tem um campeão indiscutível: o Flamengo.

A tal “ultima rodada emocionante e decisiva” será mera formalidade, 90 minutos que separam o rubro negro da celebração de sua quinta/sexta conquista (de novo a polêmica da Copa União), um hiato para a festa que já está mais do que pronta.

Matematicamente, Internacional, Palmeiras e São Paulo ainda têm chances de ganhar o título.

Dane-se a matemática.

O Inter precisa ganhar do Santo André e contar com um tropeço do Flamengo.

O Palmeiras precisa ganhar do Botafogo e contar com tropeços do Flamengo e do Inter.

O São Paulo precisa ganhar do Sport e contar com tropeços do Flamengo, Inter e Palmeiras.

O Inter deve ganhar do Santo André, mas sabem quando o Grêmio vai se esforçar para ganhar do Mengo e dar o título de mão beijada para o seu principal rival?

Talvez no dia em que nossos políticos pararem com essa mania de saquear os cofres públicos para, digamos, ‘comprar panetones e cestas de Natal para os pobres´.

Em ambos os casos, lá pelo Dia de São Nunca.

Palmeiras e São Paulo, então, dependem de uma combinação mais improvável do que ganhar na loteria sem jogar.

Está se vendendo, exaustivamente, uma emoção que não existe. E que na tarde/noite de domingo só vai existir para a imensa legião de torcedores do Flamengo.

O Palmeiras teve o título mais ganho de sua vida e deixou escapar. O São Paulo cresceu na hora certa e caiu na hora errada. O Inter alternou altos e baixos.

E o Flamengo, na dele, foi subindo e virou líder na hora mais do que certa, contando com um redivivo Petkovic e esse inacreditável Adriano.

Já é Campeão Brasileiro de 2009.

Domingo, a noite será rubro-negra.

E, pelo fanatismo dos torcedores, a segunda, a terça, a quarta, a quinta, a sexta, o sábado...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dona Enedina almoça com Wagner


Dona Maria Enedina, que ficou conhecida em toda a Bahia quando, aos 100 anos de idade, resolveu aprender a ler e escrever através do Programa Todos pela Alfabetização, esteve em Salvador para participar da formatura do TOPA. Antes da solenidade, ela foi recebida no Palácio de Ondina, onde participou de um almoço com o governador Jaques Wagner, a primeira dama Fátima Mendonça e o ministro de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Patrus Ananias.

“Eu procurei estudar quando era moderna, mas nunca tive chance. Com esse programa pude ir pra escola. Estou muito feliz e precisava vir aqui agradecer pessoalmente”, disse dona Enedina. O Topa alfabetizou 460 mil pessoas em todo o estado e já é considerado o maior programa de alfabetização em execução no Brasil.

“Sinto uma emoção muito grande. É um exemplo uma pessoa de 100 anos, do interior do estado, que não teve chance de estudar e agora aprendeu a ler e escrever”, afirmou o governador Jaques Wagner. Segundo ele, o programa também é um exemplo para o Brasil. “A educação é fundamental e começa pela alfabetização. O Topa é um orgulho para a Bahia, o maior programa de alfabetização do país e esperamos que sirva de referência para outros estados”.



PS- Durante o almoço, dona Enedina não recusou a cachacinha honesta que lhe foi oferecida. Fartou-se. Ninguém vive 100 anos com esse astral por acaso...

E dona Maria Antonia virou sem-terra...



Nos últimos dez anos, dona Maria Antonia Conceição, o marido José Antonio Felipe Santos e os oito filhos do casal levaram uma vida sofrida, mas digna, de agricultores na região da Sapucaieira, em Olivença, no Sul da Bahia.

A família cultivava cacau, mandioca, feijão, melancia, cana de açúcar e piaçava numa propriedade de 40 hectares.

Há vinte dias, dona Maria Antonia e sua família foram transformadas, técnica e literalmente, em sem-terras.

Para não ficar na rua, estão morando na casa de parentes.

A família de dona Maria Antonia é um dos muitos exemplos produzidos pelo absurdo perpetrado pelos burocratas da Fundação Nacional do Índio, que sob a justificativa de reparar erros históricos criou um monstrengo jurídico que colocou indígenas e agricultores familiares sob um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento, tamanho o nível de tensão reinante na área em disputa.

A região da Sapucaieira está no olho do furacão de um conflito que se acentuou depois que a FUNAI reconheceu uma área de 47.376 hectares como reserva indígena pertencente aos tupinambás.

Embora seja apenas um estudo que precise ser referendado e ainda passar pelo crivo da Presidência da República, o documento acabou funcionando como um estímulo para que os indígenas começassem a invadir fazendas que julgam deles desde todo o sempre.

No caso de dona Maria Antonia e de tantos outros agricultores, eles não tiveram nem o direito de retirar seus pertences. Alguns denunciam que tiveram os produtos agrícolas saqueados e as casas queimadas.

Mandados de reintegração de posse, conferidos pela Justiça, estariam sendo ignorados pela FUNAI, sob a alegação de não possuir estrutura para isso.

No caso da reserva, que envolve áreas de Ilhéus/Olivença, Una e Buerarema, o que está em jogo não é apenas uma eventual reparação aos tupinambás, mas a sobrevivência de 18 mil pessoas que vivem legalmente em suas fazendas e dali tiram o seu sustento. E que não podem ser riscadas do mapa como simplesmente não existissem.

É legítimo que os indígenas, explorados durante séculos, busquem seus direitos e tenham acesso a uma terra que pertenceu a seus ancestrais.

Mas é legítimo também que milhares de famílias tenham seus direitos garantidos, sob pena de serem confundidas com grileiros ou usurpadores que, efetivamente, não são.

Trata-se de uma situação delicada, em que devem imperar o bom senso e o diálogo, de forma que ninguém saia prejudicado, visto que índios e agricultores familiares compõem a imensa legião de brasileiros que necessitam romper a barreira da exclusão social e levar uma vida digna.

Bom senso que, por sinal, faltou à FUNAI e que agora deve prevalecer entre o Governo Federal, o Governo Estadual, os agricultores e os indígenas.

Porque, tudo o que o Sul da Bahia não precisa neste momento é que alguém acenda o pavio e detone essa bomba, criando um novo e indesejado Pau Brasil, não a madeira que dá o nome ao País, mas a cidade engessada há a décadas por uma disputa sangrenta e ferrenha envolvendo fazendeiros e índios pataxós.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

PANETONE ENGORDA


O Ministério da Saúde adverte:

O "panetone" do governador de Brasilia, José Roberto Arruda, engorda.

Ainda mais se for da marca DEM.

Que o diga o senador Heráclito Fortes!!!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Éramos seis


Paulo Sérgio da Silva, o Sergio Gordo, 35 anos.

Erick Silva Santos, o Cabo Erick, 19 anos.

Jadson Correia dos Santos, o Escolta, 22 anos.

Josevaldo Ribeiro Santos, o Tiqueta, 25 anos.

Henrique Santos Moreno, 15 anos.

João Paulo Santos, 26 anos.

Itabuna, bairros Urbis IV, Jaçanã, Fonseca, Califórnia, São Lourenço.

Paulo Sérgio, vendedor de DVDs, assassinado porque negou um real a um viciado em crack.

Erick e Jadson assassinados em função de rixas com grupos rivais.

Josevaldo assassinado possivelmente por engano, confundido que foi com um traficante conhecido como Nem Veio.

Henrique e João Paulo, sem envolvimento com drogas ou com o mundo do crime, assassinados sabe-se lá porque.

Seis assassinatos em Itabuna num intervalo inferior a 48 horas.

Uma carnificina iniciada no sábado e encerrada no domingo, como que para “coroar” a Semana da Vergonha, em que Itabuna foi apontada como a cidade brasileira em que os jovens estão mais expostos a violência e à exclusão social.

Das seis vítimas fatais, apenas uma tinha mais do que 26 anos.

Jovens, com uma vida inteira pela frente, tragados por uma brutalidade sem limites, vítimas de uma guerra urbana de contornos cada vez dramáticos e violentos.

Mata-se por um real, mata-se por uma discussão banal, mata-se por engano.

Na rua, no bar, dentro de casa.

Sangue inocente e sangue de gente que descambou para a marginalidade por falta de opção.

Bairros carentes transformados num barril de pólvora, que explode em assassinatos seriais, em agressões, assaltos, arrombamentos, tráfico de drogas.

Uma violência onipresente, prevalecendo sobre um poder público omisso e/ou ineficaz, um sistema de segurança pública que não garante a segurança de ninguém.

Vivemos numa cidade que conta e chora as suas vítimas aos montes, que está perplexa diante de tanta violência, mas que precisa reagir, cobrar providências das autoridades competentes (sic) e exigir que se dê um basta a tanta violência, que se trate bandido com rigor e preserve a vida e a integridade dos cidadãos de bem.

Uma cidade que não pode ficar de joelhos, como se estivesse diante de uma situação irreversível ou subjugada por um castigo divino, um golpe do destino.

Itabuna, que já deu tantas demonstrações de altivez, precisa, mais uma vez, promover uma ampla mobilização, capaz de chamar a atenção e gerar as necessárias e imediatas providências que dêem um basta a esse banho de sangue.

Paulo, Erick, Jadson, Josevaldo, Henrique e João.

Quem será o próximo?

Quem serão os próximos?